TRABALHO. Greve dos Correios inicia nesta segunda. Sindicato da categoria na cidade divulga Carta Aberta

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No final da tarde desta segunda, funcionários dos Correios irão se reunir para decidir pela continuidade ou não da greve no município

Por MAIQUEL ROSAURO (texto e foto/arquivo), da Equipe do Site

Funcionários dos Correios iniciam uma greve nacional nesta segunda-feira (12). Um dos principais pontos da pauta é a redução do quadro de funcionários. Em cinco anos, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) perdeu 20 mil funcionários.

“Desde 2011 a empresa não realiza concurso público. Foram realizados diversos PDVs (Plano de Desligamento Voluntário) desde 2014 sem reposição de vagas”, explica o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos de Santa Maria (Sintect-SM), Ernani Silveira de Menezes.

O dirigente sindical calcula que faltem mais de 20 carteiros em Santa Maria, assim como também ocorre em Tupanciretã e Júlio de Castilhos.

“Difícil uma cidade que não falte carteiros e têm algumas, como São Gabriel, que também falta atendente comercial”, relata Menezes.

A greve nacional não tem data para ser encerrada e a previsão é de que movimento inicie forte em Santa Maria. Porém, a mobilização no município pode ser mais curta do que nos resto do país.

“Nesta segunda, ao final do dia, faremos uma avaliação e decidiremos se a greve continua”, pontua o dirigente sindical.

A greve também será contrária às alterações no Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS); a terceirização na área de tratamento; a privatização da estatal; suspensão das férias dos trabalhadores, como em 2017; extinção do diferencial de mercado; descumprimento da cláusula 28 do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que trata da assistência médica da categoria, e contra a redução do salário da área administrativa.

Abaixo, confira uma carta divulgada pelo sindicato local:

Carta aberta à população

I. Por meio deste comunicado, queremos informar à população a real situação dos Correios e seus funcionários hoje. Sabe-se que a qualidade da estatal tem sido reduzida e os serviços estão cada vez piores em várias localidades do País, porém, a culpa não é do carteiro ou do atendente na agência. Isso faz parte de um plano do governo federal e do presidente da empresa para privatizar os Correios.

Os atrasos de suas cartas, encomendas, boletos e demais correspondências não são por culpa dos empregados. Nos últimos anos, os Correios abriram vários programas de demissões voluntárias e mais de 10 mil trabalhadores saíram da empresa. Desde 2011 não houve mais concurso público nos Correios e, agora, querem abrir um programa de demissão para reduzir mais 10 mil vagas. Se a sua carta já está chegando atrasada, com mais essas demissões, ficará ainda pior.

II. O governo Temer e seus indicados ao Ministério das Comunicações e à presidência dos Correios estão destruindo essa empresa que é um patrimônio público com 350 anos de excelentes serviços prestados à população do país.

A desculpa é que a empresa está em crise e com isso dando prejuízo. São desculpas parecidas com as que o governo usa para justificar o roubo de direitos do povo com a reforma trabalhista e da previdência e a privatização das estatais. É uma mentira repetida pela mídia empresarial para convencer a população.

III. Até 2015 a empresa de Correios deu lucro. O prejuízo começou a aparecer depois que foram repassados cerca de R$ 7 bilhões de seu cofre para o Governo, além dos dividendos normais. A direção governista também alterou a forma de contabilizar os recursos para comprometer os resultados. Isso, sem falar nos esquemas de corrupção em que envolveram a estatal, como no fundo de pensão da categoria. O presidente dos Correios está diariamente na mídia dizendo que a empresa está quebrada e que é preciso fazer cortes para adequar o orçamento. Diz que o serviço postal está em declínio, mas não fala que o de encomendas só cresce, e que ele está entregando esse mercado para empresas multinacionais e nacionais de logística e comércio eletrônico.

E, para ampliar o desmonte dos Correios, não faz concurso desde 2011. Além disso, fez dois planos de demissão voluntária para pôr mais de 10 mil pais de família na rua. Agora, quer acabar com diretos conquistados pelos trabalhadores, como o convênio médico, essencial para uma categoria que ganha dois salários mínimos e não tem como pagar um plano de saúde!

IV. Esta atual gestão dos Correios fechou centenas de agências país a fora e, para piorar, acabou com a entrega diária feita pelos carteiros. O resultado disso é queda acentuada do serviço oferecido pela empresa à população. E também aumenta exponencialmente a sobrecarga, doenças profissionais e pressão sobre os trabalhadores. O objetivo de desacreditar a empresa frente à população é evidente. Bem como ceder o mercado de encomendas aos concorrentes privados, enquanto enxuga o quadro para vender os Correios a empresários famintos por lucro.

A luta dos Correios é a luta da população brasileira!

Por um Correio 100% público e de qualidade!

Não à privatização!

SINTECT/SMA

Gestão Resistência com a Base – 2017/20



3 comentários

  1. Jorge

    “Correios tiveram prejuizo de 312 milhões em 2013”.

    “…. a parte dos lucros e outros dividendos da empresa repassados para a União entre 2011 e 2013, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, ficaram muito acima do que o recomendado, comprometendo a saúde financeira dos Correios. Em 2015, a situação chegou a tal ponto que a empresa teve um prejuízo de R$ 2,1 bilhões.”

  2. Jorge

    O desmonte dos Correios acontece desde o governo dos vermelhinhos. Que fato interessante. Não se dizem preocupados com o “nosso patrimônio”?

  3. Jorge

    Na real, falta concorrência. Se é a gestão política que atrapalha, e não tem nada nesse país que gestão pública funcionou bem algum dia, que se abra de uma vez a concorrência. A privatizalização é o de menos. Nada como a realidade de uma concorrência saudável para que o serviço melhore e as decisões de gestão com interesses políticos sejam minimizados. Serviço público não necessariamente deve ser feita por gestores políticos públicos. Só nesse país de terceira categoria é que pensam assim. O fato é que se é um serviço público, deve estar SEMPRE operacional e com qualidade, independente das circunstâncias, ainda mais se é gestão pública. Não são os funcionários que devem pará-lo se o serviço é considerado essencial. Não é? Por que o monopóiio, então? Temos de andar para a frente.

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