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Meio Ambiente. Saída de Marina reflete força dos ruralistas, que agem também no Congresso

Não há a menor dúvida: a demissão, a pedido, de Marina Silva (e a sua substituição pelo secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc) faz o país perder uma referência em nível planetário. A comandante da pasta do meio ambiente era reconhecida mundialmente como defensora de causas que, a cada dia, se tornam mais significativas. Pelo menos, é preciso no mínimo conceder, têm visibilidade.

 

Quem venceu com isso? Também aqui é inquestionável: os integrantes do que se convencionou chamar agronegócio. Que não é uno, por certo. Mas, em determinados temas, sua coesão se manifesta. E os faz agir. Um exemplo concreto se dá no Parlamento, como você perceberá com nitidez ao ler reportagem publicada nesta quarta-feira, 14, pelo Congresso em Foco. E que passo a reproduzir: 

 

“A nova estratégia dos ruralistas

Parlamentares que defendem o agronegócio ocupam um terço das vagas das comissões voltadas ao meio ambiente para tentar flexibilizar legislação

A bancada ruralista tem ganhado força no Congresso Nacional e ampliado sua área de influência. Levantamento feito pelo Congresso em Foco revela que um em cada três parlamentares que defendem a expansão das fronteiras agrícolas e os interesses de grandes proprietários rurais faz parte das comissões ambientais em funcionamento na Câmara e no Senado.

Das 261 cadeiras dos 14 colegiados que tratam de questões relacionadas à questão ambiental, 92 estão ocupadas por deputados e senadores ligados ao agronegócio. A estratégia é povoar as comissões de meio ambiente para fragilizar a legislação ambiental.

O embate entre as duas áreas foi pano de fundo de toda a crise que resultou no pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, na tarde de ontem (13). A saída de Marina foi comemorada por integrantes daquela que é uma das mais poderosas bancadas do Congresso (leia mais).

Segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), a prioridade da bancada ruralista é, exatamente, flexibilizar a legislação ambiental para facilitar a expansão agrícola e as atividades pecuaristas. “Estão priorizando o meio ambiente em detrimento do setor produtivo. Isso está trazendo conseqüências desastrosas. O setor não agüenta mais essa pressão”, afirma Colatto.
 
O interesse dos ruralistas pelas comissões ambientais é crescente, na opinião do consultor do Greenpeace João Alfredo, ex-deputado federal que presidiu a CPI da Terra, em 2005. O consultor avalia que os ruralistas estão mais fortes do que nunca. “Eles perceberam a importância ambiental e decidiram estar por dentro das questões”, afirma. “As posturas têm sido bem agressivas”, avalia.

Expansão na Amazônia

O principal alvo de críticas de ambientalistas à bancada ruralista é o Projeto de Lei 6424, de 2007, que altera o Código Florestal. Entidades ambientais alegam que o PL quer impulsionar a produção de biocombustível. Sustentado pelo interesse de grandes produtores rurais, o projeto prevê o plantio de até 30% de espécies exóticas em áreas de Reserva Legal na Amazônia, reduzindo de 80% para 50% a reserva…”

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra da reportagem “A nova estratégia dos ruralistas”, de Renata Camargo, no Congresso em Foco.

 

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