Observatório. Confira aqui a versão original da coluna publicada neste sábado, 4 de outubro
ESPERE A CHORADEIRA. ELA TAMBÉM VIRÁ
CREIA: não demorará um minuto além da divulgação dos resultados, e iniciará a choradeira de candidatos à Câmara que se imaginavam eleitos e, pffff, foram chutados pelo eleitor. As lamúrias serão as de sempre. Pode esperar.
UM PLEITO EM QUE OS CAUSÍDICOS AZUCRINARAM
Nunca, nos últimos 25 anos ao menos, a Justiça Eleitoral teve tanto trabalho extra-organização do pleito. Isto é, enquanto em eventos passados a preocupação praticamente única (e já suficientemente importante) era organizar os trabalhos de forma a facilitar a vida do eleitor, neste ano, os advogados das alianças que polarizam a disputa simplesmente azucrinaram com seus incontáveis pedidos de reparação de danos supostamente provocados pela parte contrária. Sempre de forma legítima, é bom ressalvar.
A questão óbvia é: por quê? Simples: pela singela razão de que o acirramento de ânimos, desta vez, se deu acima do limite. O que, na visão dos prejudicados, exigia reparação. Eventualmente, ou nem tanto, conseguiram. Vale para todos os lados. E deram um trabalho danado também para a Justiça. Que, como dela se esperava, agiu com o adequado equilíbrio e em atenção à lei. É o que se quer, não?
HÁ CINCO ANOS ERAM ALIADOS. HOJE SÃO ADVERSÁRIOS. E NEM SÃO CANDIDATOS
A seção Não custa lembrar
Em 4 de outubro de 2003:
Risco calculado – Muito assediado, especialmente pelo PMDB, Júlio Brenner decidiu permanecer no PSDB. Com certeza, mediu bem os riscos. Afinal, por mais votos que ele possua (e são muitos), desconfia-se que sejam insuficientes para alavancar os tucanos e atingir o quociente eleitoral. Isto é, há uma possibilidade muito visível de o partido (que só tem outro nome forte, Jorge Pozzobom) não alcançar o mínimo para eleger um vereador. A menos, claro, que seja formada uma aliança consistente, exclusivamente para a eleição proporcional.
Hoje:
Como são curiosos, às vezes, os caminhos da política. Relembre o caso contado há exatamente cinco anos por esta coluna, e note onde estão hoje os protagonistas. Antes, diga-se que após uma bem-sucedida aliança (do ponto de vista tucano) os dois se elegerem para a Câmara, no ano seguinte. Desde algum tempo, no entanto, estão em lados opostos – inclusive neste pleito dominical, dos quais ambos não participam. E há uma séria dúvida, sem puxadores de voto como a dupla, acerca do desempenho do PSDB – agora em aliança com o DEM e o PPS.
PROPOSTAS DIFERENTES, DECISÃO ÚNICA
Sandra, Schirmer, Pimenta e
suas posições. Elas são claras
Se há algo que ficou absolutamente claro, nessa campanha eleitoral, é no que pensam os candidatos à sucessão de Valdeci Oliveira. Ao longo de dois meses, depois de um início pra lá de pasmacento, e procurando deixar à margem da análise as escaramuças entre os concorrentes que dominaram os debates, é correto afirmar que se sabe bem o que pretende cada um. E os indecisos que existem possuem os elementos adequados para sopesar, e enfim tomar sua decisão.
Suscintamente, é possível afirmar que Cezar Schirmer, oposicionista, procurou se colocar como o prefeito do emprego e do desenvolvimento, reafirmando ser a falta de ambos um problema a ser solucionado. Sandra Feltrin, com um discurso mais no plano da ideologia do que da prática, optou pelo macro e no plano do ideal, quase onírico. Paulo Pimenta, situacionista, deixou bastante clara sua intenção pela continuação do que imagina estar bem feito, como as obras do PAC e tendo o apoio do Presidente Lula.
A partir dessas simplificações, e não há outra forma de colocar, sem descer as minúcias que o espaço disponível rejeita, mas que os cabos eleitorais e os próprios candidatos certamente ainda têm interesse em realçar, é, sim, possível escolher. Ou rejeitar.
O colunista tem claro que algumas das propostas feitas, e dos discursos elaborados, não passam de declarações de intenção, sem respaldo da realidade e, portanto, inexeqüíveis. Mas além disso não há como avançar, até para não induzir. Cabe ao leitor (eleitor) julgar. E escolher. É ele que vai decidir. Tão solitariamente quanto possível. E não passa de domingo, às 17 h.
DÊ UM PONTAPÉ ELETRÔNICO NA DEMAGOGIA
– Criar escolas de tempo integral.
– Garantir segurança à população.
– Devolver a Casa do Estudante Secundarista aos seus donos.
– Construir um centro para a reabilitação de drogados.
– Criar escolas de dança para crianças e adolescentes carentes.
– Instituir cursos profissionalizantes
– aumentar o número de equipes do Programa Saúde da Família
– organizar a educação cidadã
– lutar pela moralização do trânsito.
Há exatamente cinco semanas, Observatório, meio que se achando, começou a listar propostas inexeqüíveis apresentadas por candidatos a vereador. Seja porque não são competência de vereador; seja por criar expectativas além da conta. Em ambos os casos, demagogia explícita, na propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Às vezes, até por ignorância mesmo. Isto é, por não saber, como disse ao colunista na quarta-feira o autor de uma das propostas de iniciativa exclusiva do Executivo.
Parêntese: e os partidos políticos estão onde, nessa história toda, que acatam candidatos que sequer sabem do ofício para o qual estão se habilitando, em busca da chancela da população? Fechar parêntese.
O fato é que choveu idéia sem pé nem cabeça, nesses dois meses de proselitismo junto ao eleitorado. Tem até o sujeito que, da zona sul da cidade, garantiu a pelo menos um eleitor (conhecido da coluna) que iria mandar duplicar a faixa velha para Camobi. Pode? Pode – mas não um vereador.
Pois bem, a hora chegou. É neste domingo, entre 8h e 17h. Rejeite liminarmente qualquer candidato que tenha sugerido fazer coisas às quais não está habilitado, legal ou politicamente. E dê um pontapé na demagogia que também está personificada naqueles que, de tanto gritar, são anti alguma coisa. Provavelmente, serão pró nada, também. Além de, não duvide, acabar sendo anti você.
É preciso refletir bastante a respeito, para que a cidade tenha um parlamento de qualidade. A responsabilidade é do eleitor. De ninguém mais.
E não existe candidato qualificado? Creia: há, sim. Entre os 112 que se colocaram na vitrine, são muitos os que têm condições, independente do partido a que estejam filiados. Mas, como já se escreveu aqui, pode não ser o teu vizinho, o teu amigo ou o teu colega de trabalho.
Não esqueça: dê um pontapé na demagogia. Com certeza, o parlamento será o melhor para a sociedade.
SAIBA AS RAZÕES POR QUE SE INSTALA O PÂNICO ENTRE CANDIDATOS À CÂMARA
A seção Luneta
É palpite, apenas palpite: a abstenção será menor, da mesma forma que os votos brancos ou nulos. O interesse pelo pleito é bastante superior aos últimos pleitos, em qualquer nível.
Se a previsão claudemiriana se confirmar, não é de estranhar que, na eleição majoritária, os votos válidos ultrapassem os 160 mil. Nesse caso, o eleito terá no mínimo 77 mil votos.
Em pânico, se a tendência se estender para o pleito proporcional, estão os candidatos das alianças menores à Câmara de Vereadores.
É verdade que os votos válidos para o parlamento serão em número ligeiramente menor Ainda assim, não é improvável que o quociente eleitoral alcance 11.400 votos. Um problemão, para os menores.
Nas duas últimas semanas, de todo modo, passaram a despontar os ditos favoritos em cada uma das alianças que concorrem ao Legislativo.
É uma quantidade impressionante de chutes. Há quem diga, com toda a pose, que haverá três candidatos à vereança, um de cada partido grandão, que passará dos 7 mil votos.
Hein? Isso mesmo. Votação que poucos candidatos a deputado obtiveram há dois anos e que alavanca pretensões maiores em pleitos futuros.
Atenção: este nããão é o pensamento da coluna. Haverá uma meia dúzia de vereadores eleitos com mais de 4,5 mil votos. E deles é possível que uma dupla desponte. Mas 7 mil? Não impossível, mas…
Enquanto alguns exageram no otimismo (o que não é necessariamete ruim), há um concorrente da aliança Santa Maria não pode parar, muito bem cotado, que aposta em uma votação entre 2.700 e 3.500. E, com isso, se elegerá.
Talvez fosse o caso de pensar no número maior da expectativa da campanha. Se for o menor, pode virar suplente.
Anote: é pouco provável, mas não impossível, que as alianças menores que concorrem à Câmara, fiquem abaixo do quociente eleitoral. Nesse caso, os grandões dividirão as 14 vagas. Talvez com o mesmo número de edis. Taaalvez.
Que ninguém (que não é candidato, claro) se apoquente. Às 22 h deste domingo tudo se saberá. Até se as previsões são, ou não, corretas.
Você também pode encontrar este colunista diariamente às 7h45, e ao meio dia, na rádio Antena 1; e a qualquer momento no site www.claudemirpereira.com.br.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.