ARTIGO. Débora Dias e a internet. Se virar um caso policial, é porque todo resto falhou, de alguma forma

ARTIGO. Débora Dias e a internet. Se virar um caso policial, é porque todo resto falhou, de alguma forma

ARTIGO. Débora Dias e a internet. Se virar um caso policial, é porque todo resto falhou, de alguma forma - débora-artigo-1Quando a internet deixa de ser um benefício!!

Por DÉBORA DIAS (*)

Há uma grande preocupação, de forma generalizada, diante de nossa realidade com a violência, com a segurança, de todos e, com certeza, a preocupação é ainda maior quando está relacionada a crianças e adolescentes. Nesse sentido, muitas vezes o perigo está bem abrigado no interior das casas: o computador, melhor dizendo, a internet.

Ninguém discute das facilidades, de como é admirável o que podemos fazer simplesmente acessando a rede mundial de computadores: pesquisas, conhecimento, distração, filmes, música, etc. Nem consigo imaginar a vida sem essa comodidade, mas o problema está quando deixamos de tomar cuidados necessários e básicos no uso tão rotineiro da internet. A começar pelas redes sociais, do seu uso indiscriminado, na superexposição da vida pessoal. Não se pode usar as redes sociais como se fosse a extensão de nossas casas, não o é. Por outro lado, tem também a falta de cuidados que leva a muitas pessoas serem vítimas de golpes, ao efetuar compras sem pesquisar sobre o site que está sendo usado.

Outro aspecto a ponderar, e que muito já foi dito sobre o assunto, mas acho que é bom refletir: crianças e adolescentes devem ter o uso da internet de forma vigiada. Não quero dizer invadir a privacidade, principalmente de adolescentes, mas não podem os pais ou responsáveis achar que eles estão seguros dentro do quarto enquanto usam de forma ilimitada seus computadores.

Do outro lado da tela não se sabe quem está e disso não se pode esquecer. O uso sem vigilância pode trazer consequências desastrosas na educação e também na questão da segurança. As crianças dominam a tecnologia, mas não têm maturidade para usá-la sem acompanhamento dos pais. Os pais não podem delegar a educação de seus filhos à internet.

Nós, da polícia, vemos todos os tipos de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes face aos perigos do uso indiscriminado da internet. Mesmo os vídeos inocentes e infantis foram atacados, com a recente história do ressurgimento da boneca Momo, a qual inserida no meio de vídeos para crianças, ensinava e estimulava crianças a se auto lesionarem e as induzia ao suicídio. Não muito tempo atrás tivemos a “Baleia Azul”.

O objetivo deste artigo não é amedrontar, nem querer que se proíba o uso da internet, o que é impossível e improdutivo. Mas é chamar a atenção para a responsabilidade que todos têm com a segurança, principalmente de crianças e adolescentes, é a prevenção, é não deixar que depois do problema concretizado, vá se tentar, quando possível, remediar as consequências. Preciso agir antes que o fato vire ocorrência policial, porque quando chega à polícia é porque todo o resto já falhou, de alguma forma.

(*) Débora Dias é Diretora de Relações Institucionais, junto à Chefia de Polícia do RS. Antes, durante 18 anos, foi titular da DP da Mulher em Santa Maria. É formada em Direito pela Universidade de Passo Fundo, especialista em Violência Doméstica contra Crianças e Adolescentes, Ciências Criminais e Segurança Pública e Direitos Humanos e mestranda e doutoranda pela Antônoma de Lisboa (UAL), em Portugal.

OBSERVAÇÃO DO EDITOR: a foto que ilustra este artigo é uma reprodução de internet.



1 comentário

  1. O Brando

    Problemas da rede mundial não são exclusivos do Brasil, mas existem peculiaridades. Há algumas configurações na maioria dos recursos que, se não são 100% garantidos, ajudam muito. Parental controls (controle dos pais) no Youtube e Netflix, configurações de privacidade no Facebook e Instagram, pesquisa segura no Google. Ferramentas estão lá, questão é que a maioria dos pais não sabe como usar e a informação não é muito disseminada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *