ARTIGO. Paulo Pimenta e razões por que há o ataque ao documentário brasileiro candidato ao “Oscar 2020”

ARTIGO. Paulo Pimenta e razões por que há o ataque ao documentário brasileiro candidato ao “Oscar 2020”

ARTIGO. Paulo Pimenta e razões por que há o ataque ao documentário brasileiro candidato ao “Oscar 2020” - pimenta-artigoOnda de ataques ao “Democracia em Vertigem” revela

incômodo dos golpistas com exposição dos seus atos

Por PAULO PIMENTA (*)

A descomunal reação à indicação de “Democracia em Vertigem” ao Oscar de Melhor Documentário não é de todo surpreendente. Os ataques destinados à obra de Petra Costa – e à própria cineasta – ilustram o caráter profundamente antidemocrático da direita brasileira e dos seus “liberais” funcionais e fiéis.

Nunca antes na história desse país, para usar o jargão lulista, um filme brasileiro com chances de vencer a cobiçada estatueta de Hollywood foi tão atacado pelo público que, via de regra, sempre torceu pelo reconhecimento do cinema nacional.

Desde que foi divulgada a lista de indicados ao prêmio da Academia, no dia 22 de janeiro, temos visto nas redes sociais um surto de machismo, misoginia, inveja, recalque, rancor e outros tipos de manifestações negativas destinadas à diretora Petra Costa.

As agressões partem de pessoas que simplesmente não conseguem aceitar a liberdade intelectual de uma cineasta que expôs ao mundo os antecedentes, os protagonistas e algumas das consequências do golpe de 2016 contra o governo de Dilma Rousseff e contra a democracia brasileira.

Mesmo nas pretensas críticas técnicas ao documentário, os argumentos são baseados em mentiras. Um youtuber com mais de 10 milhões de seguidores afirmou que a obra ignora “o apoio popular que o impeachment teve à época”, quando a realidade é que as manifestações a favor do golpe foram exibidas à exaustão. E o “crítico” ainda disse que assistiu ao filme.

Um famoso ex-jornalista global, célebre também por ter escrito a biografia do próprio patrão, referiu-se à diretora como “uma menina dizendo para a mamãe dela que fez tudo direitinho” e ao documentário como “ficção alucinada”, dando vazão a um desdém típico de ególatras feridos e mal resolvidos nas suas frustrações.

No final das contas, “Democracia em Vertigem” faz sair da toca a mesma turma que foi às ruas em 2015 e 2016 para derrubar um governo eleito pelo voto, mas que hoje sabe que é responsável pela calamidade que representam Jair Bolsonaro e seus milicianos no Palácio do Planalto.

Essa exposição inesperada dos golpistas é também uma cobrança pública pelas atitudes irresponsáveis que tiveram no passado recente com a nossa democracia. Isso incomoda. E muito.

Parabéns e boa sorte no Oscar a Petra Costa e toda sua equipe! O Brasil democrático agradece e torce por vocês!

(*) Paulo Pimenta é Jornalista e Deputado Federal, líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados, presidente estadual do PT e escreve no site às quartas-feiras.

Observação do editorA foto, de Diego Bressan/Divulgação, é da diretora Petra Costa, durante as filmagem de “Democracia em Vertigem”.



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