COLUNA. José Mauro Batista e as ‘fake news’. Tudo iniciou com o boca a boca, inclusive em Santa Maria

COLUNA. José Mauro Batista e as ‘fake news’. Tudo iniciou com o boca a boca, inclusive em Santa Maria

COLUNA. José Mauro Batista e as ‘fake news’. Tudo iniciou com o boca a boca, inclusive em Santa Maria - 53e92a52-josé-mauroDo boca a boca ao zap zap

Por JOSÉ MAURO BATISTA (*)

A estratégia de difamar adversários é muito antiga na política. Ela começou no boca a boca, a partir de boatos inventados principalmente em campanhas eleitorais. Mais recentemente, na década de 1990, volta e meia Santa Maria era inundada de panfletos anônimos contendo acusações e xingamentos contra lideranças políticas da cidade, em particular contra vereadores.

A maioria dos fatos atribuídos nesses materiais era pura mentira. Apesar de, pelo menos uma vez, a distribuição de um desses panfletos ter gerado ocorrência policial, nunca se descobriu a autoria. Obviamente, nunca ninguém pagou por esses ataques a políticos locais. Essa prática não ocorria somente em Santa Maria. Era muito usual país afora.

Como se vê, o que hoje chamamos de “fake news” (notícia falsa em inglês) é algo bem mais antigo. Ocorre que houve uma “profissionalização” da produção de notícias falsas com a contratação de especialistas, incluindo pessoas com formação em jornalismo. Tudo para tentar conferir mais credibilidade ao que é divulgado a partir de técnicas de produção de notícias para promover pessoas e governos ou para detonar adversários.

Desde as eleições de 2018, o Brasil é inundado por fake news que chegam às pessoas por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, em particular o WhatssApp, popularmente chamado de “zap zap” ou “uátis”. Essas fakes buscam, na sua grande maioria, difamar adversários e atribuir a eles coisas que não fizeram ou comportamentos que não têm. Em alguns casos, as fake news contam “meias verdades”, porém o que predomina é a mentira.

Sabe-se que o governo federal tem uma máquina de produzir fake news, o tal “gabinete do ódio”, denunciado pela deputada federal Joyce Hasselmann (PSL-SP), que rompeu com o presidente Jair Bolsonaro e acusou seus filhos de espalharem notícias falsas. Não que o governo federal seja o único a produzir fake news, mas é visível que os atuais ocupantes do Planalto e seus seguidores são os que mais espalham mentiras nas redes.

O problema é que as fake news não são usadas somente para fins eleitorais e podem causar enormes prejuízos à sociedade como um todo. Agora, em plena pandemia do novo coronavírus, há centenas de mensagens com inverdades circulando por aí, desde receitas milagrosas para curar uma doença para a qual não há vacina, a “notícias” de que governantes estariam “enterrando caixões vazios” para assustar a população. Todas essas fake news têm como objetivo atacar medidas de isolamento e distanciamento social, as únicas armas que temos contra a Covid-19 atualmente.

Pesquisa publicada em 2019 pela Agência Brasil (órgão do governo federal) aponta que sete em cada dez brasileiros acreditam em fake news sobre vacinas. Essas mentiras levaram, criminosamente, à morte de crianças porque os pais não vacinaram seus filhos contra doenças infecciosas com medo de efeitos colaterais divulgados por meio de fakes.

Então, como se vê, combater fake news é, também, proteger a vida. Por isso, espera-se que o Congresso Nacional aprove uma legislação eficaz para punir quem produz, espalha e compartilha conteúdos falsos.

E AINDA:

Inquérito

A investigação no STF é um passo inicial para conter a ação de produtores e divulgadores de notícias falsas com a identificação de quem as produz e financia.

Onde checar

A melhor forma de não cair na malha das notícias falsas é consultar veículos tradicionais como Folha de São Paulo, Estadão, O Globo, ZH, entre outros. Também há empresas especializadas em checar fatos, entre elas a Agência Lupa e Boatos.org (ambas de graça)

Porque confiar

Nenhum veículo da chamada mídia convencional, seja em Santa Maria ou em qualquer lugar do país, vai estragar anos de reputação divulgando mentiras. Até porque o autor e o veículo poderão ser processados.

Liberdade de expressão

Ameaças como as feitas ao ministro do STF Alexandre de Moraes não podem ser confundidas com liberdade de expressão. Se não forem contidas, vão chegar por aqui.

(*) José Mauro Batista é jornalista. Até recentemente, editor de Região do Diário de Santa Maria. Antes foi repórter e editor do jornal A Razão. Escreve no site semanalmente, aos domingos.

Observação do Editor: a imagem (sem autoria determinada) que ilustra esse texto é uma reprodução da internet. A que você foi extraída deste site: AQUI.



9 comentários

  1. O Brando

    Divulgação de boatos é antiga como o tempo. Na Roma antiga pichavam que ‘Cezar é marido de todas as mulheres e mulher de todos os maridos’. Na Revolução Francesa a panfletagem corria solta, a história do ‘não tem pão que comam brioches’? Não existe evidencia nenhuma que a rainha tenha dito isto.
    Sabe-se que o governo federal tem um gabinete do ódio? Onde fica? Que é das provas? A declaração da deputada é noticia sem dúvida, mas não significa que o afirmado é verdade. Alás, existe uma CPI das Fake News, o PT tentou evitar o depoimento de um sujeito de todas as formas (está gravado e o vídeo disponível na rede). O mesmo declarou que a empresa que trabalhava prestava serviços para todos os partidos, inclusive o dos Trabalhadores. O bafafá maior foi por conta de uma jornalista petista que teria oferecido favores sexuais.

  2. O Brando

    Problema é que os governantes são sensíveis a ‘opinião publica’, ou seja, a imagem fabricada pela mídia tradicional. Em muitos lugares decisões foram tomadas de forma atabalhoada com consequências imprevisíveis. Única coisa certa é que a mídia tradicional nunca erra e nunca é responsável por qualquer coisa. Afinal, não tem poder para tomar qualquer medida.
    Problema é que existem problemas com vacinas. Como existem pessoas que são contra as medidas (não é função da imprensa ‘salvar a humanidade inteira’) os problemas não são divulgados ‘para não aumentar o problema’. Ou seja, população não é composta de adultos, é composta de crianças que devem ser levadas pela mão por portadores de diploma de comunicação social. Problemas com vacinas? HPV na Asia, vacinas causaram sérias reações adversas (inclusive óbitos) recentemente. Alguns países suspenderam a vacinação. Alguns órgãos de imprensa criticaram porque a suspensão! ‘Potencialmente’ causaria milhares de mortes por câncer cervical. Em 1976 ocorreu uma epidemia de gripe nos EUA. Vacinação em massa. Casos da síndrome de Guillain-Barré quatro vezes acima do esperado nos vacinados.
    O que a imprensa cobra atualmente? Vacinas em tempo recorde. Eu não me importo de ser um dos últimos a ser vacinado contra o Covid.

  3. O Brando

    Inquérito 4781 tem como objeto a investigação de notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças ao STF e a seus membros. É só o que afeta o STF. Alás, foi instaurado de oficio, com base numa interpretação ‘alargada’ do regimento interno (que tem natureza de lei complementar se não me engano), corre sob sigilo, deu fórum privilegiado para gente que não tem, pulou instancias, as supostas vitimas, o investigador e o juiz são todos os mesmos. Mais ad hoc do que isto impossível.
    Redes sociais não divulga só Fake News. Divulga também o que a imprensa ignora (por incompetência, desinteresse ou má fé). Midia tradicional por motivos ideológicos ou comerciais não é 100% confiável, apela para truques baratos, desinformação, as vezes muito pior do que as redes sociais. Alás, Agencia Lupa é da Folha, boatos não se sabe quem paga a conta. Alás, com as pessoas informando-se pelas redes diminui a publicidade nos veículos tradicionais. Menos verba, mais passaralho.
    Reputação dos veículos já foi para o vinagre. Só não vê quem não quer. Alás, em tempos de pandemia só passa noticia sobre morte, crise econômica, roubalheira, altruísmo marqueteiro e ‘fique em casa’. Com a quarentena melhor ignorar o noticiário para não enlouquecer.

  4. O Brando

    Para juízes e promotores receber ameaças é cavaco do oficio (pode perguntar para os mesmos). Não é de hoje. Quem não gosta melhor procurar outra profissão. Existem remédios para isto.
    Detalhe correlato: ideologicamente jornal de circulação estadual noticia que o afrouxamento em relação aos armamentos, segundo ‘especialistas’, vai aumentar a violência. O aumento da violência já está contratado com a crise econômica que vira.
    Outra: a ‘imagem do pais no exterior’. Os ‘investimentos’ que não virão. Só esquecem que as publicações de outros países, diferente de antigamente, são acessíveis. Balela para tentar direcionar a opinião publica. Midia americana quer colocar tudo o que aconteceu na pandemia na conta do Trump com a finalidade de eleger um presidente democrata. Não só, a Economist inglesa também. Mesma tática será usada por aqui. Alás, esta semana o que salta aos olhos é a quase declaração de uma nova guerra fria, desta vez entre China e EUA.

  5. Gustavo Flores

    Realmente, boatos existem a muito tempo, mas o boato de que Cezar era “Rainha da Bitínia” foi porque ele foi negociar com o Rei Nicodemes quando jovem apoio naval, Nicodemos adorava garotos, os antigos romanos não se importavam de dormir com homens assim como os gregos, mas tinham que ser ativos na relação, o que o Rei Nicodemes sempre era em relação a seus garotos, esse Boatos feitos por seus inimigos políticos serviam para desmoralizar e enfraquecer politicamente Cezar tentando diminuir sua popularidade antes dele ganhar a guerra civil contra Pompeu, o que mostra que não eram tão inocentes assim. Falsas noticias são importantes nas guerras, Cezar quando se viu cercado por cinco vezes mais gauleses, colocou sua cavalaria atacando atrás do exercito inimigo enganando os gauleses que acharam que um exército romano estava vindo socorrer Cezar e assim conquistando a Gália, atual França. No dia D foi montado um exército falso para Patton, permitindo que os aliados desembarcassem na Normandia sem que Hitler, que achava que o ataque seria na Sicília, tenha enviado forças suficientes para impedir. Realmente, não ha provas de que a Rainha da França Antonieta tenha dito que se não tem pão, que comam brioches, mas isso foi disseminado justamente para caracterizar como inútil a monarquia, de alguém que esta deslocado da realidade. Quanto a não ter provas do gabinete do ódio, é justamente isso que a CPI das fake news quer identificar ou não, quanto a reporter da folha de São Paulo que foi acusada por Hans Hiver de querer favores sexuais por uma reportagem, veja reportagem da folha de são paulo https://www.poder360.com.br/congresso/folha-mostra-mensagens-e-afirma-que-hans-river-mentiu-a-cpmi-das-fake-news/, Hans Hiver pode ser preso.

  6. Roberto

    É pena que não dê para as pessoas se desvacinarem, imagina, estar exposto a sarampo, paralisia infantil, catapora e outras doenças que não me lembro agora, por isso me recuso a comentar sobre a importância das vacinas, como eu disse, fake news são importantes na guerra, mas não servem para manutenção da democracia, na democracia temos que ter informação real, quanto mais real, melhor.

  7. Osvaldo Melo.

    Respondendo aos comentários do senhor que se identifica como “O Brando”.
    Buenas! Em primeiro lugar boatos sempre existiram como o senhor escreveu, só que isso não justifica que autores de tais comentários não tenham que ficar impunes pois a lei é bem clara quanto a calúnias e difamação. Em segundo lugar, se há inúmeras suspeitas sobre o gabinete do ódio é sinal que tem que ser investigado imediatamente, coletar as provas e fazer os responsáveis responder perante a justiça. Em terceiro lugar, mesmo que tenha sido verdade essa afirmação que o senhor está realizando contra o Partido dos trabalhadores de ter barrado uma investigação, isso não dá justificativa para barrarem as outras investigações sobre qualquer crime. Em quarto lugar a afirmação que o senhor faz sobre a jornalista ter oferecido favores sexuais já foi comprovado na justiça que foi mentira, logo o senhor está equivocado.
    Quanto a segunda postagem do senhor “O Brando” essa sua afirmação só reforça a importância das pesquisas em ciências para que se evite a fabricação de uma vacina que não traga a solução.
    Em relação ao terceiro comentário, nas suas linhas fica parecendo que o senhor não quer a investigação do STF. Ora se o STF está investigando quem está acusando isso é muito bom pois se as pessoas que acusam conseguirem provar tais acusações estarão fazendo um favor desmacarando supostos crimes, logo então quem é a favor da justiça de maneira alguma pode ser contra tais investigações.
    É óbvio que as redes sociais não divulgam apenas fakenews mas isso não justifica de maneira alguma que as redes sociais possam ser utilizadas como ferramentas para se espalhar a mentira.
    Quanto a questão onde o senhor afirma que a mídia tradicional espalha a mentira, pode até acontecer algum equivoco de algum jornalista, mas por trás da mídia tradicional um jornalista assina e tem um veículo de comunicação com cnpj e um nome a zelar e que com certeza comprovada tal noticia falsa serão responsabilizados perante a justiça, ou vai dizer que o senhor não sabia???
    No trecho onde o senhor diz “Alás, em tempos de pandemia só passa noticia sobre morte, crise econômica, roubalheira, altruísmo marqueteiro e ‘fique em casa’. Com a quarentena melhor ignorar o noticiário para não enlouquecer”. Ora meu amigo a televisão e os telejornais tem o dever de informar o povo sobre a realidade e não iludir a massa de telespectadores com mentiras. Mas é fácil faça como várias pessoas fazem desligue a tv e fique só nas notícias do whatsapp onde ninguém assina nada, ninguém comprova nada ou seja ninguém mostra fonte alguma.
    Em relação ao seu quarto comentário onde o senhor afirma “Para juízes e promotores receber ameaças é cavaco do oficio (pode perguntar para os mesmos). Não é de hoje. Quem não gosta melhor procurar outra profissão. Existem remédios para isto.” Não, de maneira alguma é normal juízes e promotores receberem ameaças e ainda mais de pessoas que se dizem de “bem”. Existem leis para quem ameaça e comete crime. Gostaria de saber quais juízes concordam com essa sua afirmação??? Impossível um juiz concordar com ameaças e ficar passivo quanto a isso.
    E para finalizar vou deixar essa frase bem popular que creio que alguns já ouviram mas não entendem ou não querem respeitar: “O seu direito termina onde começa o do próximo”.

  8. Osvaldo Melo.

    “Mentira. Ato através do qual um emissor altera ou dissimula deliberadamente aquilo que ele reconhece como verdadeiro, tentando fazer com que o ouvinte aceite ou acredite ser verdadeiro algo que é sabidamente falso. Diferentemente do erro e do engano, a mentira supõe a intenção de dizer o falso, sendo por esse motivo moralmente condenável.
    Em sentido freudiano, a mentira constitui um mecanismo de defesa. diante de uma ameaça real ou possível. (2)

    Mentira. Mentir é dizer, com a intenção de enganar (e não por antífrase ou por ironia), o que se sabe ser falso. Toda mentira supõe um saber e, pelo menos, a ideia da verdade. O paradoxo do mentiroso mostra que a mentira só é possível a título de exceção: assim ela confirma a própria regra que viola e que a torna possível. (3)”

    ABBAGNANO, N. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1970.

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