REPORTAGEM. Covid-19 e a guerra contra o inimigo invisível. E quando ele começar a castigar a periferia?

REPORTAGEM. Covid-19 e a guerra contra o inimigo invisível. E quando ele começar a castigar a periferia?

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Maria Claudete Xavier (D) atua com outras agentes comunitárias de saúde na Nova Santa Marta. Só ela conta com 20 anos nessa atividade

Por FRITZ R. NUNES (com fotos de Arquivos Pessoais), da Assessoria de Imprensa da Sedufsm

Na metáfora belicista, o combate à pandemia do coronavírus é uma guerra contra um inimigo invisível. E se a luta contra a Covid-19 é uma guerra, pode-se dizer que a infantaria que a combate nas periferias é simbolizada pelo(a)s agentes comunitário(a)s de saúde (ACS). Em sua maioria mulheres, esses profissionais estão na linha de frente no contato com as comunidades carentes, nas quais as dificuldades já eram grandes antes mesmo do início da pandemia, com o surto de dengue, por exemplo.

Esse quadro se agravou ainda mais a partir dos efeitos do isolamento social usado como forma de diminuir a velocidade de propagação do coronavírus. Os empresários têm demitido em massa trabalhadores (as) sob a alegação de queda nas vendas.  Essa situação se reflete nas regiões periféricas, onde existem pessoas com trabalho precário ou mesmo desempregadas. Portanto, além da pandemia, profissionais de saúde têm que lidar com uma outra realidade, que é a condição social delicada de muitas famílias e ao mesmo tempo a própria dificuldade estrutural para o trabalho que realizam. Sendo assim, cabe a pergunta: como está a infantaria para o combate ao vírus que, conforme dados oficiais da última quarta, 13, já está distribuído por 24 bairros de Santa Maria?

Ana Zaira Silva Dias tem 46 anos, é agente comunitária há 21 anos na Vila Pôr do Sol, uma das comunidades que compõem o bairro Nova Santa Marta. Esse bairro resultou de uma ocupação iniciada em 7 de dezembro de 1991, e cuja população hoje estaria em torno de 25 mil pessoas (eram 12 mil no Censo do IBGE de 2010). A agente atende a um total de 180 famílias, numa área de grande vulnerabilidade social. Contudo, ela ressalta que segue cadastrando novas famílias, pois a cada semana surgem novas, que constroem suas moradias no fundo da casa dos pais. Ana explica que cada agente de saúde pode cadastrar até 750 pessoas (uma microárea), o que equivale a cerca de 200 famílias.

O trabalho se mostra pesado pelo número de pessoas a serem atendidas, e cuja determinação é definida pela Secretaria Municipal de Saúde, e é agravado pelo cobertor curto. A agente detalha que, na sua área (Vila Pôr do Sol), existe uma microárea descoberta, ou seja, sem atendimento direto. Mas em outros locais da Nova Santa Marta também há regiões descobertas. Conforme Ana, existem três microáreas descobertas no Núcleo Central e duas na Vila 7 de Dezembro, totalizando seis, que estão sem atendimento direto.

A equipe da qual Ana Zaira faz parte, integra a Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS), criada há um ano, e é composta por um médico generalista, um enfermeiro (a), um (a) técnico (a) em enfermagem, um (a) recepcionista (a), cinco agentes (ACS), que atende na Nova Santa Marta. Também há três agentes na área rural (distrito de São Valentim). A equipe se reúne semanalmente e o ponto de encontro é na rua Auta de Souza, anexo à Associação Espírita Francisco Spinelli.

Realidade da comunidade e condições de trabalho

O trabalho realizado pela agente comunitária de saúde é definido por prioridades, que são as de atingir aquelas populações com maiores dificuldades. Estão nessa lista crianças entre 0 e 2 anos, gestantes, hipertensos, diabéticos, portadores de hanseníase, tuberculosos, acamados, e, atualmente, os infectados pela dengue. Ana Zaira explica que, normalmente, existem várias reuniões, capacitações, que acabam diminuindo as visitas domiciliares. No entanto, devido à pandemia, os grupos estão suspensos. Em relação aos suspeitos de coronavírus esses são encaminhados às unidades de referência. Em relação a outras enfermidades que necessitam de outras especialidades, são encaminhados à Unidade Básica de Saúde (UBS), que possui um contingente maior de profissionais.

Questionada sobre se estão preparadas (os) para um alastramento do coronavírus, Ana diz que “não estamos preparados para atender uma demanda maior, pois sempre falta algo”. A agente descreve que a Nova Santa Marta é uma região populosa, carente, com pouca infraestrutura. Em meio à população, muitos trabalhadores informais, alguns que trabalham com reciclagem, alguns desempregados, e muitos casos de envolvimento com drogas…”

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1 comentário

  1. ilse

    Os agentes de saúde merecem toda a nossa admiração e apoio. Trabalho difícil de contato com pessoas muito vulneráveis onde sempre falta algo.
    Necessário muita fortaleza emocional!

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