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ARTIGO. Luciano do Monte Ribas e a cessão da Gare. Opinião é favorável, mas há condições a ser seguidas

Mais ou menos

Por LUCIANO DO MONTE RIBAS (*)

O ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, com quem trabalhei durante dois anos, usava com frequência a expressão “o ótimo é inimigo do bom”. Era um alerta sobre como a busca por uma “perfeição” dificílima de alcançar faz com que percamos oportunidades, deixando de dar uma solução suficientemente boa para um determinado problema. Obviamente, não se tratava, para ele, de renunciar à excelência, mas de saber o momento em que era preciso deixar de idealizar para realizar.

Na linha oposta ao que ele ensinava, o governo Schirmer – onde estavam juntos o MDB de Francisco Harrison, o PSDB de Jorge Pozzobom, o DEM de Rodrigo Menna Barreto e o PP de Sérgio Cechim – exemplifica como sonhos de grandeza podem condenar uma cidade à estagnação. Aliás, sobre isso não deixo de soltar um riso triste cada vez que lembro de uma conversa onde o ex-prefeito covarde (que abandonou uma coletiva dois dias após o crime da boate Kiss) relatava o plano de instalar na Praça Saturnino de Brito um “borboletário”, similar ao que ele havia visto, certa feita, em Paris…

Voltando do Parc Floral para Santa Maria da Boca do Monte, desde 2009 por aqui não tivemos nenhum “ótimo” e muito pouco de “bom”, nos restando apenas um tanto de “mais ou menos” e um bocado de “nada”. E, entre eles, o “mais ou menos” talvez seja para o “bom” um inimigo pior ainda. Isso porque o “mais ou menos” geralmente significa que dinheiro foi posto fora ou que ele foi, no mínimo, mal empregado.

Pense: para fazer o mais menos são mobilizados recursos financeiros, pessoas, máquinas e uma série de aparatos. Além disso, o “mais ou menos” cria os mesmos transtornos que são necessários para fazer o “bom”, gerando prejuízos para pessoas e empreendimentos afetados por ações ou obras. Tudo em vão, geralmente, pois logo adiante a chance de que precise ser desfeito, refeito ou abandonado é grande. O que indica que, diferentemente de uma obra demorada, mas bem projetada e bem encaminhada, o “mais ou menos” é a materialização da pressa, da incompetência e/ou da ignorância.

Indo adiante, muitas pessoas (entre elas eu) e instituições da nossa cidade têm apontado a fragilidade, o açodamento, a incerteza e até uma certa arrogância no edital que pretende ceder a área da Estação Ferroviária para a gestão privada.

Diferentemente do rótulo negativo que tentam nos impor – de que queremos “atrapalhar” ou, pior ainda, de que não queremos recuperar a Gare – somos todos e todas movidos e movidas pelo espírito de que é preciso, sim, recuperar a Estação, não havendo por parte da maioria absoluta das pessoas envolvidas contrariedade à cessão, DESDE QUE algumas condições sejam OBJETIVAMENTE garantidas. Entre elas, vale destacar: que o INTERESSE PÚBLICO naquela área privilegiada seja respeitado; que as finalidades culturais, educacionais e turísticas sejam mantidas, com PARÂMETROS MÍNIMOS para elas presentes no edital; que a população possa opinar ANTES da cessão sobre o que ela deseja para aquele patrimônio; que haja GARANTIAS de que o projeto vencedor possa ser, de fato, executado; que o acesso gratuito seja universalmente assegurado.

Além de expor o assunto à população através da imprensa, também buscamos o diálogo com as autoridades envolvidas e seguimos todos os trâmites administrativos para solicitar a suspensão do edital, objetivando que ele seja melhorado em todos os sentidos. Não houve, ao menos até às 17h26min do dia 12 de junho, nenhuma sinalização de que nós seremos ouvidos, com o bom senso prevalecendo na administração municipal. Ao que tudo indica, infelizmente há um novo “mais ou menos” a caminho, com consequências imprevisíveis para o futuro daquela área.

Dessa vez, porém, ele poderá ser gigantesco, eclipsando a “Segunda Quadra da Bozano” e a “reforma do Calçadão”, “sucessos” anteriores da atual gestão paridos em circunstâncias similares.

(*) Luciano do Monte Ribas é designer gráfico, graduado em Desenho Industrial / Programação Visual e mestre em Artes Visuais, ambos pela UFSM. É presidente do Conselho Municipal de Política Cultural e um dos coordenadores do Santa Maria Vídeo e Cinema, além de já ter exercido diversas funções na iniciativa privada e na gestão pública.

Para segui-lo nas redes sociais: facebook.com/domonteribas – instagram.com/monteribas

Observação do autor, sobre a foto:  um condutor de carruagem descansando em frente ao Panteão, em Roma. O edifício é continuamente usado há quase dois mil anos.

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