COVID-19. “Distanciamento” tem prós e contras, diz infectologista. E já escasseiam profissioniais e insumos

COVID-19. “Distanciamento” tem prós e contras, diz infectologista. E já escasseiam profissioniais e insumos

COVID-19. “Distanciamento” tem prós e contras, diz infectologista. E já escasseiam profissioniais e insumos - 423039cd-sedufsm-alexandre

Alexandre Schwarzbold: a abertura de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) tem limite e já começam a escassear profissionais e insumos

Por FRITZ R. NUNES (com foto de Reprodução/Facebook), da Assessoria de Imprensa da Sedufsm

O modelo de distanciamento social controlado posto em prática no RS, pelo governo estadual, é considerado pioneiro no país. Ele me busca dar um equilíbrio entre o isolamento da população ao mesmo tempo em que, mediante uma série de indicadores que sejam positivos, como por exemplo, número de leitos disponíveis, número baixo de contaminados e de óbitos, etc., possibilita uma flexibilização nesse distanciamento, dando um respiro à economia. Entretanto, há um conjunto de ‘senões’ apontado pelo médico infectologista e professor do curso de Medicina da UFSM, Alexandre Schwarzbold.

Para o infectologista, que participa do comitê científico gaúcho e da Sociedade Rio-grandense de Infectologia, a proposta implementada no estado é meritória no sentido de que tentar resguardar a saúde e ao mesmo tempo salvaguardar a economia, evitando que a mesma entre em colapso, tendo em vista que as políticas compensatórias para quem está desempregado são consideradas pouco eficazes no país. Todavia, conforme analisa o médico, para que se tenha êxito nessa metodologia, é preciso, em primeiro lugar, uma comunicação clara com a população, para que ela entenda a proposição e mantenha a adesão ao que está sendo posto em prática. Além disso, frisa Schwarzbold, a fiscalização, por parte do Poder Público, ao cumprimento das recomendações sanitárias, tais como o uso de máscaras, de álcool gel, e de evitar aglomerações públicas, precisa realmente funcionar.

Ponto crítico

O professor da UFSM, que é especialista em Doenças Infecciosas e Doutor em Ciências Médicas, destaca um dos pontos mais frágeis do modelo de distanciamento controlado. Para Schwarzbold, o ponto crítico é que o modelo detecta a ampliação do número de casos com atraso (tardiamente). Mesmo com ajustes feitos recentemente pela equipe do governo gaúcho, ele ainda é um modelo “reativo”, avalia o médico. Segundo ele, a polêmica que envolveu Santa Maria uma semana atrás é um exemplo de detecção atrasada do problema. A cidade passou da bandeira laranja (mais flexível no isolamento social) para a bandeira vermelha (mais restritiva) em função de que, em menos de uma semana, os leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) lotaram.

Contudo, a partir de disponibilizados novos sete leitos por um hospital privado, a cor da bandeira para Santa Maria voltou a ser menos restritiva, ou seja, laranja. Entretanto, pondera o infectologista, essa reação com atraso no que se refere à rápida disseminação do coronavírus pode ter implicado em mortes que, talvez, fossem evitáveis.

Crescimento da doença e ‘lockdown’

Segundo os dados trazidos pelo médico infectologista, o estado do Rio Grande do Sul está praticamente dobrando o número de leitos do UTI, o que é algo positivo e, que, inclusive, ele espera que seja um legado para o pós-pandemia. No entanto, ressalta Schwarzbold, se é meritório o fato de que se conseguiu ampliar em muito o número de leitos no estado, por outro, é preciso estar atento que, se a disseminação da Covid-19 continuar em ritmo acelerado, se chegará a um limite na criação de leitos físicos. Além disso, há outros problemas surgindo, para os quais, as direções de hospitais já estão se reunindo para discutir ações conjuntas. O infectologista se refere à escassez de profissionais capacitados e também à falta de insumos.

Apesar dos pontos positivos, Alexandre Schwarzbold percebe o problema do atraso na detecção da disseminação dos casos, como um calcanhar de Aquiles do modelo, e que, mesmo objetivando salvaguardar a economia, sofre pressão de empresários a prefeitos, e destes ao governo estadual. Para o professor da UFSM, talvez ainda teremos que partir para algo mais drástico, assim como defende o reitor da UFPel, Pedro Hallal, que coordena uma pesquisa nacional sobre a Covid, que é a implantação durante duas semanas de um ‘lockdown’, ou seja, um fechamento total, com as pessoas em casa, e funcionando somente os serviços essenciais.

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3 comentários

  1. Joao Hollerbach

    Essa detecção dos casos em atraso é o que chamei a atenção em publicações anteriores, é o tal “delay”. Portanto, antes de flexibilizar o isolamento temos que pensar na trajetória da curva de contaminação. Infelizmente a flexibilização veio com a curva em crescimento o que foi um enorme equívoco. As consequências estão aí. Enquanto não fizermos um isolamento eficaz não sairemos dessa. Empresários tem que entender isso pois o “abre e fecha” é ruim e ineficaz(as consequências já ocorreram e a reação é sempre atrasada).

  2. O Brando

    Assunto batido: gente que utiliza credenciais acadêmicas para opinar sobre assuntos que estão fora da área de atuação como se especialistas fossem.
    Comunicação clara com a população: a esta altura do campeonato todo mundo já recebeu a mensagem; alguns resolveram ignorar, outros não deram a mínima.
    Fiscalização do poder público: não existem recursos para estar em todo lugar ao mesmo tempo.
    Modelo reativo: ainda não inventaram bola de cristal que funcione.
    Unidades de UTI não ‘lotaram’. A taxa de crescimento de ocupação cresceu. São coisas diferentes. O que causou o ‘problema’, mudança para bandeira vermelha que é mais restritiva, Ou seja, doutor não entendeu o modelo. Médicos não estudam cálculo/análise. Ou, vamos dar credito, no meio do caminho tem um ‘jornalista’, tem um ‘jornalista’ no meio do caminho.
    ‘Pode ter implicado em mortes evitaveis’. Que mortes?

  3. O Brando

    Professor de educação física Pedro Hallal (cargo de reitor é eletivo, não significa proficiência acadêmica) coordena a tal pesquisa e deve ser bom em planilhas. Pois bem, a dita é cuja é feita por amostragem. Por que? Porque faltam testes/grana para comprar. Por isto que é a ‘maior do mundo’, nos outros países testam em massa. Ainda dizem que ‘é igual pesquisa eleitoral’, como se pesquisa eleitoral fosse algo confiável.
    Modelo tem a bandeira preta, risco altíssimo de contaminação e alto nível de ocupação dos recursos hospitalares.
    Resumo da ópera: querem passar a ideia de que para não morrer ninguém teremos que ficar encerrados, que o vírus por algum motivo miraculoso irá desaparecer e que depois ‘daremos um jeito’ conversando.
    Não é assim que a banda toca.

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