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CRÔNICA. Orlando Fonseca, o “Dia da Árvore” e os crimes diários cometidos contra nossa grande floresta

Galhos secos

Por ORLANDO FONSECA (*)

Esta semana, que começou com o Dia do Gaúcho, reserva a importância da mudança de estação. E como tudo parece tão igual, face às notícias da pandemia e do isolamento social, qualquer mudança é um alento. Estamos de olho e ansiosos pela troca de cores nas bandeiras do governo rio-grandense, no mapa do Jornal Nacional.

Na última década, plena de acontecimentos no mundo, no Brasil e na vida pessoal, tenho marcado o tempo com as primaveras que a minha filha completa, tendo nascido no segundo dia da Primavera, que oficialmente passa a viger no hemisfério sul, em 2020, a partir das 10h31 do dia 22.

Também nesta semana comemoramos o dia da árvore. Queria, nesta crônica despretensiosa falar apenas de coisas tão boas quanto flores, amores, frutos, sombra e água fresca. No entanto, e para dissertar sobre o objeto de comemoração deste dia 21, temos mais a lamentar do que celebrar.

O desmatamento, que significa, em uma figura de linguagem que me ocorre, um genocídio de árvores, tem números sem precedentes no Brasil atual. Não precisamos desses recordes, não precisamos de manchetes sensacionais para perceber isso, basta ver a fumaça que toma conta do país, vinda do Pantanal em chamas.

A floresta Amazônica, na porção que ocupa o território brasileiro, perde milhares de espécimes raras por ano, e já tem mais áreas devastadas que degradadas. O mundo inteiro olha estarrecido para o que está acontecendo, porque a Amazônia, embora esteja no Brasil, pertence ao planeta, ao equilíbrio da casa da humanidade. Eles não entendem o que fazemos enquanto uma das maiores florestas do mundo é derrubada.

A lógica de que o subsolo da Amazônia é mais rico do que a sua cobertura vegetal não faz sentido. A chamada Rain Forest, ou Floresta da Chuva, pela posição geográfica, tem importância vital nos regimes pluviométricos do planeta. A maior floresta tropical do mundo caracteriza-se por ser heterogênea, havendo um elevado quantitativo de espécies. Ela é perene, ou seja, permanece verde durante todo o ano, não perdendo as suas folhas no outono.

A riqueza do bioma amazônico está na biodiversidade, possuindo cerca de 30% das espécies existentes no planeta. Tem parte importante nos chamados “rios voadores”, imensos volumes de vapor de água que vêm do oceano Atlântico, os quais ganham corpo ao se precipitar sob a forma de chuva na floresta amazônica, seguindo até os Andes. A degradação crescente da floresta pode diminuir em até 30% as chuvas na região amazônica, o que aumentaria as tempestades no Sul e na bacia do Prata.

Celebrar a árvore, em seu dia, é ter consciência de que esses seres são imprescindíveis para a vida terrestre, na conservação de ecossistemas, pela proteção dos solos e nascentes, a manutenção do ar e da umidade, além de serem fonte de alimento e abrigo para diversas espécies de animais.

No Brasil, temos uma árvore símbolo, o Ipê, mas é o pau-brasil que foi declarado Árvore Nacional (em lei de 1978), uma raridade hoje, pela extensiva exploração no período colonial. Já em nosso Estado, a erva-mate (Ilex paraguariensis) é a árvore símbolo, mas vem sofrendo com o desmatamento. Com a expansão das lavouras, especialmente de soja, os ervais nativos foram destruídos, e atualmente menos de 10% dos que existem são naturais.

É preciso reflorestar, é preciso recuperar a vida na Terra, para o bem das espécies animais e, mesmo, da espécie humana. É como recuperar a vitalidade da nossa árvore genealógica. É preciso salvar a Amazônia, antes que tenhamos apenas galhos secos para celebrar no dia 21 de setembro. Assim como a região desértica do Saara pode ter sido uma área densamente arborizada em uma das eras geológicas do nosso planeta, o Pulmão Verde também pode secar e contribuir na dificuldade de respiração de todo mundo. No caso, um verdadeiro assassinato praticado pela ganância humana. A longo prazo, a morte de uma floresta é a morte dos seres vivos, e derrubar as árvores é quase um suicídio.

(*) Orlando Fonseca é professor titular da UFSM – aposentado, Doutor em Teoria da Literatura e Mestre em Literatura Brasileira. Foi Secretário de Cultura na Prefeitura de Santa Maria e Pró-Reitor de Graduação da UFSM. Escritor, tem vários livros publicados e prêmios literários, entre eles o Adolfo Aizen, da União Brasileira de Escritores, pela novela Da noite para o dia.

Observação do editora foto (sem autoria determinada) é de Reprodução. E foi extraída deste site: AQUI

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2 Comentários

  1. Deixando a parte infantil de lado: o planeta está com superpopulação.
    Forças Armadas tem algo como 330 mil integrantes. Uns 220 mil no Exercito. Tirando pessoal de saúde, administrativo são aproximadamente a população da aldeia. Pior, maioria vestiu farda a primeira vez no inicio do ano. Uns estão construindo estradas. Outros cuidando em operações GLO pelo pais.
    Imaginar a população da cidade espalhada em quase 17 mil Km de fronteira não é difícil. Falta gente, óbvio.
    Pais esta no meio da pandemia. Falta grana em todo lugar.
    Resumo da opera: não tem remédio, remediado está. Podem achar ruim, não tem problema, não é meu fígado.
    Costa oeste dos EUA e Austrália também estão com problemas. Criação de gado no pais do Pacifico esta com problemas. Estamos entrando no La Nina, menos chuvas por lá.
    Fundos de pensão não investirão aqui por conta do nível de risco, Brasil perdeu o grau de investimento há anos. Países continuarão a comprar alimentos porque não podem comprar de Marte, não existem tantos fornecedores assim.
    Para quem diz que algo como o que se ve não acontece desde a década de 70 a resposta é simples, já aconteceu antes.
    Problemas são utilizados como arma politica. Terminada a refrega são esquecidos, ficam sem solução. Fazem anúncios, propaganda e finge-se que não existem mais.

  2. Deixando a parte infantil de lado: o planeta está com superpopulação.
    Forças Armadas tem algo como 330 mil integrantes. Uns 220 mil no Exercito. Tirando pessoal de saúde, administrativo são aproximadamente a população da aldeia. Pior, maioria vestiu farda a primeira vez no inicio do ano. Uns estão construindo estradas. Outros cuidando em operações GLO pelo pais.
    Imaginar a população da cidade espalhada em quase 17 mil Km de fronteira não é difícil. Falta gente, óbvio.
    Pais esta no meio da pandemia. Falta grana em todo lugar.
    Resumo da opera: não tem remédio, remediado está. Podem achar ruim, não tem problema, não é meu fígado.
    Costa oeste dos EUA e Austrália também estão com problemas. Criação de gado no pais do Pacifico esta com problemas. Estamos entrando no La Nina, menos chuvas por lá.
    Fundos de pensão não investirão aqui por conta do nível de risco, Brasil perdeu o grau de investimento há anos. Países continuarão a comprar alimentos porque não podem comprar de Marte, não existem tantos fornecedores assim.
    Para quem diz que algo como o que se ve não acontece desde a década de 70 a resposta é simples, já aconteceu antes.
    Problemas são utilizados como arma politica. Terminada a refrega são esquecidos, ficam sem solução. Fazem anúncios, propaganda e finge-se que não existem mais.

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