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ARTIGO. Paulo Pimenta, a eleição e o momento de “construção da unidade das oposições democráticas”

É a hora de transformar de novo o Brasil em um país para todos

Por PAULO PIMENTA (*)

O oportunismo político de Bolsonaro é incontornável. Porque deriva da ausência de um projeto de longo prazo para o país. Como a extrema-direita não concebe o Brasil como nação, mas como sub-colônia, o governo se condena ao exercício de escolher alternativas para o imediato. Para os próximos quinze minutos. Desse modo, passa para a sociedade a permanente sensação de que somos governados pela crise.

Essa circunstância o conduz a trair seus eleitores das classes médias que acreditaram num primeiro momento na fanfarronice do seu discurso anticorrupção. As cenas constrangedoras proporcionadas pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR), seu vice-líder na Câmara, ao ser flagrado por agentes da Polícia Federal, expõem a falácia do ardor moralista. Não passará sem consequências aos olhos dos apoiadores de boa-fé. Os chamados “bolsonaristas” moderados…

A extrema-direita não conta com quadros qualificados para dar respostas aos desafios do país. Essa carência vem impondo ao governo Bolsonaro, ao longo deste segundo ano do seu mandato, um movimento de aproximação rumo aos reais suportes do conservadorismo brasileiro enquadrados na direita tradicional. São aqueles que, mesmo não sendo bolsonaristas raiz, na disputa de 2018 falavam em “difícil escolha” entre Fernando Haddad e Bolsonaro.

Eles não têm faltado ao presidente, ao contrário, vêm garantindo sua sustentação: na composição política do parlamento, o “centrão”; na economia, o agronegócio e os bancos; na sociedade, a mídia, os empresários da fé e as forças armadas.

Essa aproximação, porém, não se dá sem contradições. Os militantes das milícias bolsonaristas de primeira hora preteridos para abrir espaço no governo aos novos aliados indicados pelo “centrão”, essa persistente “anêmona política que se amplia e se reduz de acordo com as necessidades do fisiologismo das oligarquias regionais”, como definiu Tarso Genro, há poucos dias, não escondem sua decepção.

O aparelho digestivo do conservadorismo político brasileiro opera seu metabolismo por meio do centrão, conhecido pelo apetite por cargos e por sua reduzida fidelidade aos acordos firmados, ou seja, pela sua imprevisibilidade.

Diante de um governo precário de quadros qualificados o centrão oferece seus “profissionais” para ocupar os espaços administrativos e cumprir a agenda de liquidação dos resíduos da breve experiência de implantação do estado-de-bem-estar iniciada pelos governos populares, liderados pelo PT, e interrompida pelo golpe de 2016, para impor as agendas ultraliberais em curso desde o governo golpista de Michel Temer.

O relativo abandono do discurso vociferado por Bolsonaro no tom apreciado pelas milícias, durante o primeiro ano de mandato, pode indicar um resultado compensador ao tenaz esforço dos dirigentes mais experimentados do establishment político – leia-se DEM, MDB, PL, PSDB, PP, PTB, PSD – para digerir o “indomável”. E, a partir daí, avançar para um pacto mais estável à direita, capaz de, excluindo as forças de esquerda da cena política do país, particularmente o ex-presidente Lula, o Partido dos Trabalhadores e o que eles significam, consolidar um projeto conservador e subalterno aos interesses do capital internacional e dos EUA.

Não são pequenos os desafios para vingar um projeto conservador numa das sociedades mais desiguais do planeta: o antigo sonho de uma democracia sem povo. As reformas neoliberais iniciadas no governo golpista de Michel Temer e aprofundadas por Bolsonaro/Guedes, expressas de forma emblemática na demolição das relações de trabalho, do sistema público de previdência e nessa excrescência que é a PEC do teto de gastos que corta verbas da saúde, da educação, e das demais áreas sociais, só aprofundam as desigualdades, retirando as perspectivas de dias melhores no médio prazo.

A crise social agravada pela pandemia da covid-19 e pela anunciada suspensão do auxílio emergencial, baterá às portas de forma dramática para as famílias mais pobres, nos próximos meses. A atividade econômica anda em círculos, mas o desemprego, a quebradeira de micros, pequenos e médios empreendedores, a falta de políticas efetivas de crédito e de proteção social, especialmente proteção ao trabalho e aos salários, já são marcas de 2020, coroadas com a volta do Brasil ao mapa da fome.

Aqui se apresenta, neste momento em que se desenvolvem as campanhas municipais, a oportunidade de debater os desafios para a retomada democrática do país, uma retomada comprometida com a inclusão e a justiça social, que passa pelo diálogo voltado à construção da unidade das oposições democráticas em torno de um programa mínimo de reconstrução nacional e transformação da sociedade brasileira. Um programa emergencial para deter a catástrofe produzida pelo neoliberalismo selvagem protagonizado por este governo de extrema-direita.

Um programa que desate o desenvolvimento do Brasil das amarras impostas pelo sistema financeiro mais monopolizado do mundo e do jugo dos interesses internacionais. E cobre dos segmentos mais ricos da sociedade seu compromisso concreto com o país por meio da taxação das grandes fortunas e de uma reforma tributária solidária.

Um programa comprometido com a recuperação dos direitos dos trabalhadores, com o fortalecimento do sistema público de previdência e do Sistema Único de Saúde, principal responsável pela defesa da vida do povo trabalhador.

Um programa assentado no combate à fome que está de volta, às desigualdades sociais e regionais, que priorize a garantia de trabalho e renda. Capaz de por um ponto final na matança da juventude negra das periferias das grandes metrópoles pelas Polícias Militares que se converteram em verdadeiras tropas de ocupação nos bairros populares das cidades brasileiras.

Um programa que detenha o genocídio das populações indígenas preservando suas terras, sua cultura e suas condições de saúde severamente castigadas pelo descaso criminoso do governo Bolsonaro.

Um programa em defesa do direito a um desenvolvimento que preserve os biomas ameaçados do país como a Amazônia, o que resta de Mata Atlântica, o Pantanal e os Cerrados; um desenvolvimento social e ambientalmente sustentável, ancorado num sólido compromisso com a soberania nacional. Para deixar claro ao sistema internacional que o Brasil não precisa de tutores, tem vontade política, reúne condições institucionais e tecnológicas para desenvolver-se e, ao mesmo tempo, proteger seu patrimônio natural e cumprir seus compromissos com as demais nações do mundo como já demonstrou durante a vigência dos governos populares.

O Partido das trabalhadoras e dos trabalhadores está pronto para ofertar o seu melhor, em cada cidade, em cada rincão deste país, estamos presentes e reafirmando nosso compromisso com o Brasil e com o nosso povo.

Vamos juntos, mais uma vez transformar o Brasil em um país para todos!

(*) Paulo Pimenta é Jornalista e Deputado Federal, presidente estadual do PT/RS e escreve no site às quartas-feiras.

Observação do editor: a arte (sem autoria determinada), que ilustra este artigo, é uma reprodução do portal Congresso em Foco (AQUI).

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