A criatividade não é mais prioridade – por Guilherme Bicca
Hein? Ela “não é mais o principal talento de quem trabalha com comunicação”

Lembro de receber elogios de quão criativo eu era, quando pequeno. Para escrever histórias ou pensar em formas diferentes de apresentar os trabalhos de escola. Fantasias pra festinhas, brincadeiras… eu sempre pensava em algo diferente, fora da caixa. E isso chamava a atenção de quem convivia comigo, como professores, por exemplo.
Como lia muito, tinha facilidade com as palavras acima da média. Nada assombroso. Nada que fizesse as pessoas acreditarem que eu podia ser um grande escritor, mas que poderia, um dia, trabalhar usando esse “talento”.
Fui parar na comunicação, então, não por acaso. E descobri que havia, em um universo restrito, gente muito mais criativa que eu. Tinha colegas que conseguiam pensar em minutos, coisas que eu não pensaria em horas.
Percebi que na comunicação, criatividade era commodity. Algo obrigatório. Pré-requisito. Se você não era criativo, nem adiantava tentar. Melhor ir para outra área.
Eu me considerava criativo, mas não taaaaanto. Fui para o jornalismo, onde a criatividade, naquela época, não tinha status de obrigação, mas de diferencial.
Bom… esse preâmbulo todo foi pra chegar onde eu queria: hoje, percebo que a criatividade não é mais o principal talento de quem trabalha com comunicação.
Criou-se uma linha de montagem dos produtos da comunicação, como anúncios, posts, vídeos, podcasts. Todos têm uma fórmula e, se você consegue deixar isso tudo tecnicamente adequado e dentro da fórmula, o cliente pode até não brilhar o olho, mas vai aprovar.
Hoje, mais do que impactar, o mercado dá valor para o comunicar, marcar presença. Se concordo ou não, não sei. Acho que não. Mas trata-se de uma constatação.
E, de algum tempo pra cá, percebi que o grande diferencial do mercado da comunicação é a organização. Uma agência ou profissional de comunicação organizado, que consegue criar e executar um planejamento passando segurança para o cliente, tem mais potencial de sucesso do que uma agência ou profissional super criativo.
O melhor dos mundos? Unir as duas coisas.
Mas nem sempre é possível, sobretudo em mercados menores, onde o que o cliente está disposto a pagar não comporta uma equipe multidisciplinar que permita ter um gênio criativo no time, pago para ter ótimas ideias.
Descobri a duras penas que encher os clientes de super ideias criativas em uma reuniões valia menos do que ter uma execução equilibrada, organizada, que permitisse um vislumbre daquilo que está sendo e será executado.
Vale menos do que o cumprimento de prazos. Vale menos do que apresentar peças para aprovação com antecedência. E é neste sentido (veja bem: neste sentido) que eu acredito, hoje, que a criatividade na comunicação não é mais prioridade.
(*) Guilherme Bicca é jornalista graduado na Universidade Franciscana (UFN) desde 2008. Nesses anos, especializou-se em assessoria de comunicação integrada, quando realizou trabalhos junto a instituições como Sociedade de Medicina; Apusm; Sindilojas; e, mais recentemente, CDL Santa Maria. Está à frente da comunicação de entidades como Adesm e Secovi Centro Gaúcho; presta assessoria especializada ao Fidem Bank; é redator sênior na Jusfy, legaltech eleita a startup mais escalável do último South Summit. Também é um dos âncoras do Semanário, programa veiculado aqui mesmo em claudemirpereira.com.br; e criador do podcast Bocas do Monte, da TV Santa Maria. Guilherme Bicca escreve às sextas-feiras no site.





Resumo da Opera III. SM virou nisto, soluções ‘caseiras’ porque para quem é está louco de bom.
Resumo da opera II. Fidem Bank, Jusfy, empresas locais. Secovi é um sindicato local. Adesm é a agencia que não desenvolve nada.
Resumo da opera. Quem não tiver um minimo de criatividade vai ser substituido por uma IA. Os clientes que acreditam neste modo burocratico de fazer as coisas vão acabar.
Mais ou menos como a Feira do Livro. ‘È a maior a céu aberto da Galaxia tirando POA”. Nem é tão a descoberto assim, é cheio de lonas. Até parece que é melhor escolher livros tomando chuva na cabeça ou segurando um guarda-chuva. Tipico auto-elogio acéfalo.
Outro problema da urb. Comparar com o que está perto ou consigo mesmo. Uma convenção quermesse é melhor do que nenhuma convenção quermesse. O mote é ‘daqui 50 anos vai estar maior’. Falacia, daqui 50 anos pode ser irrelevante.
Obviamente os clientes mesozoicos da publicidade não sabem disto.
Comunicação e publicidade tupiniquins foram para a internet e simplesmente fazem la, majoritariamente, o que faziam na tv aberta. Obvio que não funciona direito. Em tempos de Tik Tok e Reels não há tempo para apelar para emoção, cachorrinho, crianças, etc. Não tem muita ‘historinha’.
Obviamente onde reina o atraso as coisas demoram a acontecer. Esta semana foi lançada a primeira atriz virtual, gerada por IA. Um italiano (logo pode ser picaretagem) diz que fez o primeiro filme com diretor virtual. https://deadline.com/2025/10/andrea-iervolino-the-sweet-idleness-ai-director-1236567297/
‘[…] percebo que a criatividade não é mais o principal talento de quem trabalha com comunicação.’ Um dos problemas da aldeia, a perspectiva do fundo da grota. ‘O Universo para o meu sucesso’.
‘[…] sobretudo em mercados menores, onde o que o cliente está disposto a pagar não comporta uma equipe multidisciplinar que permita ter um gênio criativo no time, pago para ter ótimas ideias.’ Por motivos obvios, não se paga. Genios criativos não se socam nos cafundós do Judas tampouco.
Pois então. Tres marketeiros precisavam colocar uma bandeira num mastro de uma empresa. Que não tinha corda. Precisavam medir ou ter ideia da altura para poder comprar o apendice amarrilhisto. Um sugeriu medir o tamanho da sombra projetada pelo sol para ter uma idéia. Outro prontamente lembrou: ‘mas nenhum de nos sabe trigonometria’. Era o mais esperto, não chamou só de ‘matematica’. Nisto chega um engenheiro e ve Moe, Larry e Curly lá parados. Pergunta do que se trata. Após ouvir a resposta tira um alicate do bolso, afrouxa os parafusos da base do mastro, deita o mesmo. Pega uma trena no outro bolso e mede o traste. Logo em seguida fala: ‘tem 9 metros e setenta e oito centimetros’. Vira as costas e vai embora. Deixa a coisa no chão, iam ter que colocar o cordame. Nisto um marketeiro vira para os outros e solta: ‘que cara burro, era para medir a altura e ele mediu a largura’.