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UFSM: 60 anos da instituição que mudou Santa Maria – Por Leonardo da Rocha Botega

A Universidade é, sem sombra de dúvidas, a principal referência positiva de SM

27.376 estudantes! 2.655 técnicos-administrativos em educação! 2.037 docentes! 278 cursos, sendo 140 Cursos de Graduação, 108 Cursos de Pós-Graduação, 25 Cursos Pós-médios e 5 Cursos de Ensino Médio! 4 campi e 23 polos de Ensino à Distância! 4.706 projetos de pesquisa! 1.479 projetos de extensão! 801 projetos de ensino! 124 projetos de desenvolvimento institucional! 13 projetos de prestação de serviço! 1 fundo de Projetos Estratégicos! Único Hospital 100% SUS da região centro e fronteira do Rio Grande do Sul! Esses são alguns dados da instituição que mudou completamente o perfil do município de Santa Maria.

Em 1960, Santa Maria vivia o início do processo de decadência final de um ciclo iniciado em 13 de outubro de 1885 com a chegada da primeira linha férrea à cidade. Com a ferrovia, a cidade, que em 1910 tinha somente 1.251 casas, seis décadas depois passou a possuir uma população de 120.975 habitantes e uma complexa economia. Um impulso econômico que transformou profundamente a pacata cidade interiorana, criando novos hábitos e estabelecendo novos espaços de habitação, convívio social e lazer. Em síntese, produziu uma identidade aquele vilarejo fundado a partir de um acampamento, que tinha por objetivo inicial a delimitação das fronteiras acordadas no Tratado de Santo Ildefonso em 1777 e que quase um século depois, em 1876, fora alçando à condição de cidade.

O início do declínio do ciclo ferroviário se evidenciava nas contradições entre uma cidade que, ao mesmo tempo em que crescia demograficamente, produzia imensas fraturas sociais em seu território. Foi em 1960 que ocorreu a primeira grande ocupação irregular de Santa Maria: a da Vila Nossa Senhora do Trabalho. O risco de estagnação econômica do município era uma constante preocupação para a Associação Comercial. Inúmeros editoriais de seus boletins chamavam atenção para esse fato. Em meio a este contexto de apreensão é que, em 14 de dezembro de 1960, foi criada a Universidade de Santa Maria.

Idealizada pelo professor José Mariano da Rocha Filho, a então USM contou inicialmente com a Faculdade de Farmácia, de Medicina, de Odontologia e o Instituto Eletrotécnico do Centro Politécnico. Já em 1962 passou a ser constituída de oito Faculdades Federais (Farmácia, Medicina, Odontologia, Politécnica, Agronomia, Veterinária, Belas Artes e Filosofia, Ciências e Letras) e de vinte Institutos (Física, Matemática, Química, Anatomia, Fisiologia, Patologia, Farmacologia, Ciências Naturais, Pesquisas Bioquímicas, Parasitologia e Micologia, Microbiologia e Imunologia, Medicina Preventiva, Histologia, Embriologia e Genética, Zootecnia, Mecânica, Tecnologia, Solos e Cultura, Fala e Nutrologia e Bromatologia). Um enorme avanço para tão pouco tempo.

A federalização da Universidade de Santa Maria ocorreu em 20 de agosto de 1965. A partir de então a instituição passou a adotar a denominação Universidade Federal de Santa Maria. Em 1970 seria fundado o Hospital Universitário de Santa Maria. Em 2004, a UFSM passou a ofertar a modalidade de Ensino à Distância. Em 2007 foram criados os campi de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões e em 2013 foi instituído o campus de Cachoeira do Sul. Com esses novos campi a UFSM, não apenas expandiu seu território de atuação, como também propiciou que outras regiões tivessem o acesso ao ensino superior público, gratuito e de qualidade.

Hoje a UFSM é sem sombra de dúvidas a principal referência positiva da cidade. A sua fundação não apenas representou um novo fôlego econômico e social como também colocou Santa Maria no mapa educacional como a cidade da primeira universidade instalada no interior do Brasil. Passamos de Cidade Ferroviária para Cidade Universitária. Todo ano aproximadamente 5 mil estudantes ingressam na instituição, em suas diferentes modalidades de ensino. Alguns estudos indicam que a cada R$ 1,00 investido na UFSM, R$ 10,00 retornam para a economia municipal. O HUSM possuí uma abrangência de 43 municípios, atendendo uma população de cerca de um milhão de pessoas.

Tudo isso sem levarmos em conta o principal: a UFSM é uma verdadeira fábrica de realizar sonhos. Para muitos, é a materialização individual de esperanças coletivas. Representa aquele sentimento que brota em um estudante que diz que vai ser o primeiro membro da família a ter um diploma universitário. É em nome dessa esperança que devemos defendê-la dos absurdos ataques que são orquestrados por aqueles que pensam que realizar sonhos deve ser mais um entre tantos privilégios restritos a quem pode pagar. Viva a sexagenária Universidade Federal de Santa Maria! Viva a Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade!                          

(*) Leonardo da Rocha Botega, que escreve no site às quintas-feiras, é formado em História e mestre em Integração Latino-Americana pela UFSM, Doutor em História pela UFRGS e Professor do Colégio Politécnico da UFSM. É também autor do livro “Quando a independência faz a união: Brasil, Argentina e a Questão Cubana (1959-1964).

Observação do editor: A foto (de Reprodução) é uma vista aérea parcial do pioneiro campus de Camobi, da Universidade Federal de Santa Maria.

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