CÂMARA. Campeã de votos, mas sem se eleger, Alice Carvalho analisa as decisões iniciais do Legislativo
Candidata pelo PSOL solta o verbo na rede social e não poupa ninguém
Por Maiquel Rosauro
Alice Carvalho (PSOL) foi a campeã de votos ao Legislativo de Santa Maria, em 2020. Pelas regras eleitorais, seus 3.371 votos não foram suficientes para garantir a vaga. Porém, o fato de não ter uma cadeira na Câmara não a exclui do jogo político. No Facebook, ela analisou a Mesa Diretora de 2021 e as comissões permanentes da Casa.
Sua primeira impressão: “A Mesa Diretora é formada somente por homens”.
Em 2021, o Legislativo será comandado por João Ricardo Vargas (PP), presidente; Paulo Ricardo Pedroso (PSB), 1º vice-presidente; Ricardo Blattes (PT), 2º vice-presidente; Alexandre Vargas (Republicanos); 1º secretário; Tony Oliveira (PSL), 2º secretário; Danclar Rossato (PSB), 1º suplente; e Admar Pozzobom (PSDB); 2º suplente.
“Sobre as comissões, é o seguinte: a Comissão de Orçamento e Finanças é formada, majoritariamente, por quem defende o neoliberalismo, enxugamento do Estado e maior incentivo para a iniciativa privada”, publicou Alice.
A COF, como é conhecida tal comissão, é formada por Roberta Pereira Leitão (PP), presidente; Ricardo Blattes (PT), vice-presidente; Manoel Badke – Maneco (DEM), Werner Rempel (PCdoB) e Pablo Pacheco (PP).
“A Comissão de Direitos Humanos e cidadania conta com a presença de parlamentares que estão em um partido que acredita na máxima “direitos humanos para humanos direitos” e que, em outros estados, faz homenagem a ditadores e torturadores”, disse Alice.
O colegiado é formado por: Marina Callegaro (PT), presidente; Rudinei Rodrigues – Rudys (MDB), vice-presidente; Givago Ribeiro (PSDB), Admar Pozzobom (PSDB), Adelar Vargas – Bolinha (MDB), Roberta Pereira Leitão (PP) e Luci Duartes – Tia da Moto (PDT).
“Na Comissão de Educação, Cultura e Lazer, há vereadores que em seus mandatos anteriores votaram sim a moção favorável ao Escola Sem Partido, além de terem sido contra o projeto “Diversidade nas escolas” que, na verdade, é bem limitado e longe do ideal”.
Formam a comissão: Manoel Badke – Maneco (DEM), presidente; Luci Duartes – Tia da Moto (PDT), vice-presidente; Danclar Rossato (PSL), Rudinei Rodrigues – Rudys (MDB), Tony Oliveira (PSL), Givago Ribeiro (PSDB) e Getúlio de Vargas (Republicanos).
“A Comissão de Saúde e Meio Ambiente é formada por representantes do partido de Cechin (Sergio Cechin, PP), aquele que em um debate falou que para combater a pandemia o seu plano era distribuir álcool gel”.
Na verdade, há apenas uma progressista no grupo formado por: Admar Pozzobom (PSDB), presidente; Tubias Calil (MDB), vice-presidente; Tony Oliveira (PSL), Danclar Rossato (PSB), Anita Costa Beber (PP), Valdir Oliveira (PT) e Werner Rempel (PCdoB).
Em sua publicação, Alice também fez críticas individuais, mas sem citar os nomes dos vereadores.
“Uma pessoa negra e duas abertamente LGBT+, mas que não se posicionam e não constroem movimentos antirracistas e antilgbtfóbicos, ou seja, não é representatividade, não tem conteúdo. Das mulheres eleitas, uma apoia abertamente um presidente antifeminista. Também tem vereador que utiliza outro partido como legenda de aluguel só para conseguir cargo na máquina pública, aquela que ele tanto crítica”.
Ao final, ela publica que faltaram “657 votos” para conseguir se eleger. O PSOL é o partido que menos candidatos apresentou na eleição passada, apenas três, o que impossibilitou a conquista da vaga no Parlamento.
Uma pena. O terceiro candidato do partido deveria ter vindo com pautas mais maduras, projetos mais consistentes, pois não convenceu nem a própria bolha.
Não ter Alice no parlamento é uma grande perda para Santa Maria. Durante 4 anos teremos mais do mesmo