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“A Petrobrás é intocável!” Dizem os especuladores da Bolsa… – por Paulo Pimenta

E o gesto de Bolsonaro: - Calma, pessoal! Aqui está a Eletrobrás pra vocês!

Passados dois anos, convivendo com crises semanais, em geral produzidas ou premeditadas pelo próprio governo, o Brasil assiste, castigado pela pandemia do covid-19, o capitão neofascista Jair Bolsonaro desembarcar na encruzilhada para onde convergiram todos os interesses que levaram ao golpe de estado de 2016: a destruição da Petrobrás como empresa pública estratégica para o desenvolvimento do país.

Sentindo a pressão desencadeada na sociedade, particularmente pelos caminhoneiros, contra a política de preços dos combustíveis atada aos preços internacionais do petróleo, Bolsonaro investe contra o atual Presidente da Empresa, o entreguista notório Roberto Castello Branco, demitindo-o e anuncia para ocupar seu lugar o general Joaquim Silva e Luna.

Castello Branco, todos sabem, é porta-voz dos acionistas minoritários e dos investidores que especulam com ações da Petrobrás buscando lucro no curto prazo. Demiti-lo, e não modificar a política de preços dos combustíveis, é um gesto tão espetaculoso quanto inócuo. Ele conclui o mandato dentro de 30 dias… O que significam mesmo 30 dias para os negócios de uma grande empresa de petróleo?  

A reação, no entanto, veio pronta e estridente. Com gesto e discurso. Da Bolsa de Valores – as ações da empresa caíram 20 pontos no leilão do dia, perda de R$100 bilhões  no valor de mercado desde 18 de fevereiro -, aos meios de comunicação corporativos, cúmplices do golpe de 2016 e fiadores das políticas neoliberais, passando por colunistas idem, ouvimos “Intolerável interferência política na Petrobrás!” , “Golpe contra a Petrobrás!”, ironias da História,mais um pouco e estaríamos assistindo aos especuladores do mercado de ações brandirem a famosa frase do general nacionalista Henrique Lott, em 1955 com que advertia os golpistas do momento: “A Petrobrás é intocável!”  

José Sérgio Gabrielli, ex-Presidente da Petrobrás (2005 2012) comenta de forma objetiva, em artigo recente, a iniciativa do Presidente da República e a pronta reação da direção da Empresa: “A nota pública da direção da Petrobrás reconhecendo a indicação do general Joaquim Silva e Luna afirma que Castello Branco tem mandato até 20 de março de 2021, quase uma insubordinação frente às ordens de Bolsonaro, dizendo que recebeu a solicitação de convocação de Assembleia Geral Extraordinária para realizar as mudanças, sem marcar sua data.”

E vai à questão central. A Política de Paridade de Preços de Importação que resulta no aumento astronômico e insustentável dos preços dos combustíveis. Que estrangula hoje a atividade dos caminhoneiros, de todo o setor que transporta mercadorias e pessoas e o cidadão comum de classe média que já não consegue abastecer seus automóvel: “Se a presidência da Petrobrás será mudada, qual será o futuro das privatizações de refinarias e da política preços? Era o próprio Conselho de Administração (CA), representando os interesses dos acionistas de curto prazo e dos fundos financeiros e até de grupos de importadores de derivados que vinham pressionando a Diretoria da Petrobrás para acelerar os reajustes dos preços dos combustíveis e agora se vê frente a uma mudança da presidência da empresa, com indicações de um general, ex-ministro da Defesa do governo Temer, de um maior alinhamento com o governo, o que pode significar maiores dificuldades para implementar tanto a continuidade da Política de Paridade de Preços de Importação (PPI), como a própria privatização das refinarias.”

Ato contínuo, o governo, desembarca no Congresso com a Medida Provisória da Privatização da Eletrobrás. É como se o Presidente da República exclamasse: Calma, pessoal! Não me levem a sério! Aqui está a Eletrobrás pra vocês!

Os atores políticos que, em 2016, pactuaram a violação da carta de 1988 e ofereceram ao país “a ponte para o futuro” tinham como foco central a destruição da Petrobrás como uma empresa pública estratégica. Uma empresa integrada de energia capaz de alavancar um projeto nacional de desenvolvimento. Uma Empresa que, por meio do Fundo soberano, poderia destinar recursos para financiar a educação e a saúde dos brasileiros. 

Não resta dúvida, a destruição da Petrobrás é o nó para o qual convergiram as forças políticas mais conservadoras que atuam no país: o PSDB, do Serra contra o modelo de partilha na exploração do pré-sal, arduamente defendido pelos governos Lula e Dilma, o PMDB de Temer, a Rede Globo de Televisão, as petroleiras internacionais concorrentes, os interesses geopolíticos dos EUA, os investidores minoritários da empresa desde que suas ações passaram a ser negociadas na Bolsa de Nova Iorque levadas pelo governo FHC.

A gritaria que ouvimos pelos telejornais ou lemos na imprensa conservadora em defesa de Castello Branco, tem uma explicação simples: o centro do golpe de 2016 contra os governos do PT foi a disputa pela renda-petróleo, agora sob o controle dos investidores privados e estrangeiros.

O Presidente da fundação Perseu Abramo, Aluísio Mercadante lançou um desafio aos generais do governo Bolsonaro: “Não se rendam ao mercado financeiro e aos interesses especulativos nesta terça-feira. Parem a privatização das refinarias, defendam uma Petrobrás forte e tragam uma politica de preços justa para o povo brasileiro, para os caminhoneiros e para os motoristas de aplicativos”.

É hora de defender a Petrobrás como uma Empresa Pública de Caráter Estratégico capaz de financiar um projeto de desenvolvimento autônomo do Brasil no século XXI.

(*) Paulo Pimenta é Jornalista e Deputado Federal, presidente estadual do PT/RS e escreve no site às quartas-feiras.

Nota do Editor: a foto que ilustra esse artigo é uma reprodução da internet.

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