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Saneamento: os números que Eduardo Leite esconde dos Prefeitos – por Rogério Ferraz

O faturamento (e os investimentos) da Corsan no Centro do Rio Grande

A narrativa construída pelo Governador do Estado na tentativa de privatizar o saneamento no Rio Grande do Sul, sem criatividade, segue uma cartilha antiga. Primeiro, a culpa é dos funcionários. Depois ele tem que mostrar um cenário de caos onde a solução salvadora seja a eficiência e o dinheiro privado. Pronto, está formado o caldo de cultura que convencerá a opinião pública.

Quanto à eficiência já citamos aqui que este presidente da Corsan passou a demorar 70 dias para liberar uma obra que, antes de ele chegar, demorava 10 dias. Ou seja, é uma “ineficiência da Corsan” criada pelo privatista especialmente para o debate da privatização.

Quanto a números, o escândalo é ainda maior.

Temos visitado Prefeitos e Vereadores em todo o estado e qual a conclusão? Nenhum Prefeito ou Vereador conhece os reais números da Corsan.

Só se sabe o que foi construído na narrativa do governo: “O prazo é pequeno para a universalização, os recursos necessários são muitos e os disponíveis, insuficientes. E, por conta disso, é necessária e obrigatória a privatização”.

Pronto, é isto! E os prefeitos, se quiserem, se contentem com esta “detalhadíssima” informação.

Não há um debate. Não há apresentação pública dos investimentos necessários em cada cidade, em cada região. Não se sabe quanto a Corsan arrecada. Só se sabe o que o Governador permite que venha a público.

Vamos dar um exemplo através de números da Companhia:

Tomando a região central da Corsan, que tem 30 municípios:

Até atingir a universalização os investimentos necessários serão R$ 804.572.501,50. Destes, Santa Maria já tem R$ 108.000.000,00 do contrato de financiamento 0410871 da Caixa Federal (obras em andamento). Cachoeira do Sul tem mais R$ 19.360.085,34 da Operação de Debêntures de março de 2021.

Bem como, Venâncio Aires tem ainda R$ 8.000.000,00 de obras que já estão em andamento.

Portanto, o que a região central precisa para universalizar o serviço soma o total de R$ 669.212.416,16 para novos investimentos até o ano de 2033.

A arrecadação da Corsan nestes mesmos municípios da região central, hoje, é de R$ 31.584.653,77 por mês.

Por ano, chegaremos a R$ 379.015.845,24. E até a data prevista para a universalização dos serviços (doze anos), a Corsan terá arrecadado R$ 4.548.190.142,88 (Quatro Bilhões, quinhentos e quarenta e oito milhões, cento e noventa mil, cento e quarenta e dois reais com oitenta e oito centavos).

Importante salientar que, como nem o governo tem coragem de falar da cobertura de água (praticamente universalizada), focando apenas no esgotamento sanitário, nós aqui também tratamos apenas do esgoto. Dizer também que, por óbvio, este é o faturamento bruto que estamos mostrando.

Portanto, investimento previsto na regional centro R$ 669.212.416,16.

Faturamento previsto na regional centro:  R$ 4.548.190.142,88

Não colocamos aqui nenhum financiamento futuro. Tratamos apenas de recursos próprios da Corsan.

Este é o debate que deveria estar sendo feito hoje no Rio Grande do Sul e não esta imposição baseada em mentiras do Governador do estado. Até quando Eduardo Leite irá fugir do debate?

E mais: o gestor, ao afirmar que em 12 anos não conseguirá investir 15% do seu faturamento, fica claro que quem deve ser substituído é o gestor e não a Companhia.

Nota: O SINDIÁGUA-RS coloca à disposição das Associações de Municípios os números da sua região. Entre em contato pelo e-mail: sindiagua@sindiaguars.com.br

(*) Rogério Ferraz é Diretor de Divulgação do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul – Sindiágua/RS.

Nota do Editor: a foto que ilustra este artigo é de Divulgação/Corsan.

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