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Captação de água de chuva – por Marta Tocchetto

A articulista, o processo implantado em casa e os primeiros (ótimos) resultados

A retenção de água da chuva é uma forma sustentável de economizar financeira e ambientalmente os recursos hídricos.

A chuva é uma dádiva da natureza que contribui para a saúde do solo. É igualmente importante para a qualidade do ar, para recarregar as fontes hídricas superficiais e subterrâneas, assim como para os seres vivos.

O crescimento vigoroso das plantas cujo papel é essencial para o ecossistema planetário, depende das chuvas. O regime pluviométrico está bastante irregular, ora chove demais ora chove de menos.

Reter essa água para ser usada em momentos de deficiência é uma forma sustentável de economizar, reduzir a captação dos rios e de outras fontes que abastecem os sistemas de tratamento e de geração de energia.

No início do mês de setembro, começou a funcionar o sistema de coleta de água da chuva da minha casa. O objetivo principal são as regas da Horta do Beija-flor, projeto gestado e executado durante a pandemia da covid-19, e das demais plantas do pátio, cujo crescimento foi potencializado no mesmo período.

O isolamento necessário para redução da transmissão da doença possibilitou nossa reconexão com a natureza encontrando novas formas de abraço e de celebração da vida. Do início da captação foram duas chuvas fortes em Santa Maria, inclusive com muitos danos a diversas regiões da cidade.

Para minha surpresa, neste final de semana, observei que escorria um filete de água do extravasador do reservatório. Constatei que nas duas semanas de operação foram armazenados 1.500 litros! Água que cai do céu a custos mínimos. As folhagens e a horta, certamente, ficaram tão felizes quanto eu.

Pequenas ações fazem diferença para o todo. Por menor que seja a contribuição, ela sempre será significativa para inspirar e para contribuir para um ambiente mais saudável para todos. O ciclo hidrológico representa o movimento contínuo das águas do planeta.

A mudança de estado físico também é constante. A circulação se dá entre os seres vivos, rios, mares, lagos, solo e atmosfera. A água sofre evaporação. O vapor alcança a atmosfera que, ao atingir as camadas superiores, se condensa. As nuvens carregadas precipitam na forma de chuva, granizo ou neve. A captação de água da chuva é uma forma de aproveitar este ciclo.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertou, em relatório divulgado em agosto de 2021, que o ciclo da água vem atingindo níveis extremos – chuvas e secas intensas à medida que a temperatura do Planeta se eleva.

Compreender essas e outras mudanças é importante, não só para a prevenção de desastres, mas para o atendimento de atividades essenciais que dependem da água, como a agricultura.

As alterações não são uniformes. Enchentes avassaladoras atingiram a Alemanha, outros países europeus e asiáticos em julho deste ano. Enquanto isso, a América do Norte lutava contra incêndios florestais e secas intensas. As previsões para a primavera e verão na região do sul do Brasil não são nada tranquilizadoras, estiagem e secas extremas.

A situação se agrava a cada ano. Efetivamente, o mundo caminha lentamente para frear as mudanças climáticas. O enfrentamento não tem passado de painéis e encontros de cúpula. No Brasil, diversos biomas ardem em chamas. A destruição da biodiversidade é um propósito.

Ficar de braços cruzados assistindo quem deveria agir em prol de um movimento pela vida, poderá tornar a terra inabitável. Alternativas extraplanetárias talvez sejam possíveis para poucos, muito poucos. Pequenas ações não resolvem o problema, porém são parte das soluções.

A grave crise hídrica que impacta também a geração de energia exige múltiplas ações, sobretudo das diversas esferas de governo, a fim de evitar racionamentos de água e de energia, além de apagões. A captação de água da chuva é uma alternativa que, se traduzida em política pública, vai ao encontro do enfrentamento necessário e urgente.

(*) Marta Tocchetto é Professora Titular aposentada do Departamento de Química da UFSM. É Doutora em Engenharia, na área de Ciência dos Materiais. Foi responsável pela implantação da Coleta Seletiva Solidária na UFSM e ganhadora do Prêmio Pioneiras da Ecologia 2017, concedido pela Assembleia Legislativa gaúcha. Marta Tocchetto, que também é palestrante em diversos eventos nacionais e internacionais, escreve neste espaço às terças-feiras.

Nota do Editor: A foto acima (sem autoria determinada) de água na chuva é uma reprodução obtida na internet. Mais exatamente do portal Preparadares Brasil (AQUI)

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Um Comentário

  1. Um metro e meio de água. Bonito, mas não são todos que tem aposentadoria de 9 contos e nem carreira no serviço publico onde é facil pegar financiamento. Se houvesse alguma instituição por perto para pesquisar uma solução de baixo custo seria uma boa.

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