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UFSM. Reitor diz a entidades não ver motivos para revogar portaria da volta às atividades presenciais

Mantido retorno em 1º de outubro. Reitoria fará 'live' tira-dúvidas nesta quarta

Entidades enviaram documento à reitoria com série de dúvidas a respeito das condições para o retorno presencial (print Bruna Homrich)

Por Bruna Homrich / Da Assessoria de Imprensa da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm)

Termina sem encaminhamento a reunião ocorrida entre as entidades representativas (Sedufsm, Sinasefe, Assufsm, Atens, e DCE) e a reitoria da UFSM na manhã desta terça-feira, 28. Solicitada pelos segmentos como uma forma de avançar no diálogo com a Administração Central a respeito da portaria nº 32, publicada na última quarta, 22 de setembro, e segundo a qual as atividades administrativas devem retornar à presencialidade a partir desta sexta, 1º de outubro, a reunião foi utilizada para que as entidades expressassem suas angústias relativas a um retorno presencial considerado apressado e sem amplo debate.

Ao afirmarem que não são contra o retorno, mas que este necessita de ser debatido de forma horizontal com toda a comunidade acadêmica, as entidades solicitaram ao reitor que revogasse a portaria e, em seu lugar, encaminhasse uma audiência pública com docentes, técnicos e estudantes.

A partir de tal discussão e da análise das especificidades de cada unidade, dos riscos sanitários envolvidos e das necessárias adequações que os(as) servidores(as) – há mais de um ano em trabalho remoto – terão de realizar em suas rotinas para retornarem à presencialidade, seria elaborada outra portaria, esta sim alicerçada num debate coletivo e fraterno. Tal possibilidade, contudo, não foi aceita pela reitoria, que não irá revogar a portaria nº 32, de forma que as atividades administrativas devem retornar à presencialidade de fato nesta sexta, 1º. Para o reitor Paulo Burmann, “não estamos encontrando até o momento argumentos suficientes para a revogação da portaria”.

Leonardo Botega, um dos diretores da Sedufsm presentes à reunião, informou que o sindicato vem recebendo muitos e-mails de docentes da base externando suas dúvidas a respeito do repentino retorno.

“Ninguém está se negando ao retorno presencial ou querendo disputar poder com a reitoria. O que estamos querendo é simplesmente participar dessa construção. Há problemas nessa participação? Essa é a grande questão. Teríamos como ampliar, por exemplo, a comissão sanitária? As nossas entidades estão vindo aqui abertas ao diálogo”, disse o dirigente.

Neila Baldi, outra diretora da Sedufsm presente à audiência, reforçou a necessidade de diálogo e construção coletiva acerca de uma portaria de retorno. “Todos e todas estamos, desde a metade de março do ano passado, em nossas casas, e então chega uma portaria na quarta à noite dizendo que na semana seguinte devemos estar de volta. Isso cria uma série de demandas práticas e psicológicas. Quando a portaria dá um prazo tão curto para a volta, dá um prazo curto para a adaptação das famílias a essa rotina. O ponto fundamental é a necessidade de revogação dessa portaria e a construção coletiva de um novo texto que atenda às demandas das categorias, para que a gente possa construir um retorno gradual, escalonado, seguro e adaptável às pessoas”, defende a professora.

Impacto emocional

Desde o ano passado, os(as) servidores(as) tiveram de adequar suas residências ao trabalho remoto, construindo verdadeiros escritórios improvisados para darem conta das atividades administrativas, de pesquisa e de ensino, que seguiram ocorrendo via Regime de Exercícios Domiciliares Especiais (REDE). Retornar ao espaço físico da universidade, agora, requer um novo rearranjo de ordem técnica e infraestrutural. Gléce Cóser, da Assufsm, por exemplo, destaca que o computador utilizado por ela no campus não possui microfone ou vídeo, de forma que, ao retornar para o trabalho presencial, não conseguiria participar de reuniões ou demais eventos online que necessitassem de tais ferramentas.

Mas, para além dessas questões de ordem técnica, um ponto levantado pela professora Miriane Fonseca, coordenadora geral do Sinasefe, diz respeito ao ônus emocional e psíquico decorrente de um retorno considerado açodado.

“Tenho certeza de que, assim como eu, outros colegas tiveram dificuldades de adaptação ao trabalho em home office. Agora, precisamos de um tempinho para nosso psicológico se adaptar a esse retorno presencial. Sabemos da seriedade do trabalho de todos os envolvidos [na elaboração da portaria nº 32], mas também queremos nos envolver. Poderia ter sido feita uma minuta, encaminhada às entidades e unidades de ensino, promovendo uma discussão coletiva dentro dessas unidades. Queremos retornar, mas considero prematura a  implementação da portaria a partir de primeiro de outubro.

Tânia Flores, da Assufsm, destaca o fato de que mais de 60% da categoria de técnico-administrativos(as) em educação utiliza o transporte coletivo para se deslocar até o trabalho. “É impensável nesse momento colocarmos tanta gente em transportes”, diz a dirigente.

Luiz Eduardo Barbosa, coordenador do DCE UFSM, lembra que um retorno na UFSM irá impactar, também, em municípios vizinhos, e que seria importante estabelecer prazos um pouco mais amplos para que os setores se organizem.

PELO YOUTUBE, REITORIA FARÁ “LIVE” TIRA-DÚVIDAS NA MANHÃ DESTA QUARTA

Retorno da reitoria

Após ouvir as considerações das entidades, o reitor Paulo Burmann disse que o retorno à presencialidade vem sendo constantemente discutido e que a portaria nº 32 foi elaborada pelo COE (Centro de Operações de Emergência em Saúde para Educação), constituído por representações de todas as unidades da universidade e também de profissionais da área da saúde.

“Não dá para supor que a reitoria adotaria uma postura irresponsável. Nós temos muito compromisso com o que se faz dentro da universidade. O retorno será escalonado, com metade do efetivo de servidores trabalhando pela manhã, e a outra metade pela tarde – o que já reduz os espaços a 50% do público estimado. Se há uma sala que não possa ser utilizada, ela não vai ser utilizada. Os servidores serão colocados em outro espaço”, diz Burmann, referindo-se às preocupações das entidades quanto a espaços sem ventilação ou com janelas emperradas, por exemplo.

As entidades cobraram a exigência de cartão de vacinação, de distribuição de máscaras e de testagem. Também solicitaram que o modo como o escalonamento foi construído seja revisto, considerando especificidades das rotinas de trabalho e pessoais, além do transporte e da alimentação.  Foi questionado ao reitor se foram feitas melhorias de infraestrutura física, bem como de internet. O documento entregue também cobra que a situação das comorbidades seja revista, com inclusão de outras situações para o trabalho remoto não incluídas na portaria.  Questionou-se, ainda, a revogação da portaria anterior, que trata de atividades acadêmicas, bem como da presença dos/as docentes para ministrarem aulas remotas.

Já quanto à infraestrutura técnica necessária para que servidores(as) participem de atividades online em seus locais de trabalho do campus, o reitor antecipa que há, no almoxarifado da instituição, câmera e microfones para serem acoplados aos computadores que não os possuem, sendo a requisição desses equipamentos uma tarefa dos setores administrativos das unidades e subunidades. A questão da internet, contudo, ainda é uma incógnita, visto que há muitas dúvidas, entre técnicos(as) e docentes, a respeito do quanto a conectividade do campus será satisfatória caso muitas aulas e reuniões online sejam abertas ao mesmo tempo, e sob o mesmo sinal de internet…”

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2 Comentários

  1. Visitante de final de semana, que só ficará em espaço aberto, DEVE apresentar Carteira de Vacinação.
    Professores e TAEs que não se vacinaram poderão conviver com todos em locais fechados.
    Qual a lógica?

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