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HISTÓRIA. Ao longo do tempo, arte que guiou a fé cristã. E ainda o que é possível ver na catedral de SM

Um passeio pela história da arte a partir da fé cristã e, sobretudo, dos católicos

Por Alam Carrion / Especial para o Site (*)

Fontes historiográficas e de tradição romana apontam que o evangelista Lucas foi o 1º a pintar uma imagem reverenciada por muitos católicos: “Salus Populi Romani” (“Salvação do Povo Romano”, em português) que retrata Maria, a mãe de Jesus

Quem pensa que a Igreja Católica é resumida em códigos morais, doutrinas e religiosos, está completamente enganado. Por ser uma das mais antigas instituições do mundo, tendo aproximadamente dois mil anos, a Igreja Católica Apostólica Romana atravessou séculos e, por consequência, junto dela está ligada a história da civilização ocidental. Esta civilização que passou por inúmeras mudanças, juntamente com a Igreja, que já ocupou espaço de perseguida, centro do poder estatal no auge da Idade Média e atualmente ainda mantém sua influência em diversos aspectos da sociedade.

A arte na Igreja Católica está presente desde seus primórdios. Se analisar-se a história, os primeiros cristãos – na época perseguidos pelo Império Romano –  necessitavam se esconder em catacumbas para que lá pudessem se reunir, fazer a partilha do pão e rezar juntos. Já naquele tempo, em meados do século I, as paredes das catacumbas ganhavam seus primeiros desenhos. 

Para simbolizar que naquele local havia cristãos e assim despistar os perseguidores, as catacumbas tinham desenhadas em suas portas um peixe, algo muito comum nos anos 90 – e até hoje – nos carros de cristãos. Já quando se fala em desenhos, um dos mais famosos é o “Bom Pastor”, uma referência a Parábola do Bom Pastor, um dos textos bíblicos mais conhecidos e usados pelos cristãos. 

Além disso usavam das paredes para pedir orações aos santos já falecidos e suplicar a intercessão da Virgem Maria. Muitas imagens de Maria segurando Jesus em seus braços estão desenhadas nas cavernas romanas, bem como desenhos referentes a outras passagens bíblicas muito utilizadas naquele tempo.

Ao longo do tempo, com a expansão da Igreja Católica no Ocidente, muitos artistas passaram a criar afrescos e outros tipos de obras de arte para a igreja. E neste ponto é necessário fazer uma pequena distinção entre arte religiosa e arte sacra. Ainda que pequenas e, de certa forma, tênue essa diferença se acentua na utilização da obra. A arte sacra é utilizada para fins do culto religioso, para o uso nos rituais etc, temos como maior exemplo os vitrais, que são utilizados em diversas igrejas espalhadas pelo mundo. Enquanto a arte religiosa não é necessariamente usada para o fim ritualístico, mas como uma expressão de fé do artista, neste campo das artes destaca-se a confecção das imagens de santos, as pinturas 

Seguindo no percurso histórico, antes de adentrar nos conceitos artísticos de cada tempo, vale a pena destacar que por séculos a arte das catedrais foi de suma importância para a catequese dos fiéis. É preciso fazer o esforço histórico de voltar algumas décadas de séculos para compreender tal afirmação. 

Como já abordado no início, os católicos passaram por perseguições, precisavam se esconder até a chegada do Imperador Constantino que através do Edito de Milão concedeu a liberdade de culto aos católicos e posteriormente com o Edito de Tessalônica, o imperador Teodósio I transformou o catolicismo na religião oficial do Império, transformando a Igreja Católica na instituição mais importante dos séculos que seguiram.

No entanto, neste tempo a cultura e as letras eram de acesso a uma pequena parcela da população que era analfabeta e outro fato interessante é que, além do analfabetismo, a própria Bíblia não era de acesso a todos os cristãos por não haver a prensa – que só foi surgir em meados dos anos 1500 com Gutemberg – portanto cabe ressaltar que a Bíblia se tratava de uma imensa biblioteca que precisava ser copiada, de forma manuscrita, palavra por palavra. Então as sagradas escrituras estavam apenas nos grandes mosteiros e sob a propriedade dos bispos, nem mesmo a maioria dos padres tinha acesso à Bíblia. 

Por conta disso a arte tornou-se a grande aliada da Igreja para o ensinamento da tradição católica e da catequese necessária para o povo. Como a grande parte da população não sabia ler ou não tinha acesso os afrescos pintados nas grandes catedrais, os vitrais, as obras de arte serviam para ensinar e mostrar ao povo diversos acontecimentos bíblicos ou da tradição da Igreja. 

Quando se fala em tradição, automaticamente vem à mente as questões doutrinárias e dogmáticas, o que não é errado, mas a Igreja Católica também traz consigo a questão da tradição oral, ou seja, tudo aquilo que não estava escrito na Bíblia, mas que foi passado de apóstolo para apóstolo, inclusive as artes. Alguma fontes historiográficas e de tradição romana apontam que o evangelista Lucas foi o primeiro a pintar uma imagem, a reverenciada por muitos católicos “Salus Populi Romani” , em português “Salvação do Povo Romano”(foto abaixo), que retrata Maria, a mãe de Jesus.

Os estilos de arte que fizeram parte da história da Igreja Católica

O primeiro tipo de arte católica foi algo semelhante às pinturas rupestres nos mais longínquos tempos da história humana, pois eram pintadas em catacumbas, no entanto também nessas catacumbas havia obras de arte como a “Salus Populi Romani” retratada na imagem que ilustra este texto e que se pode chamar de estilo românico. Muitos ícones católicos hoje são retratados desta forma.

Posteriormente, no período medieval, o estilo de arte predominante foi a Arte Gótica. O nome “Gótico” foi dado durante o período renascentista que atribuía às obras de arte e às arquiteturas um estilo sombrio e bárbaro. Durante grande parte da Idade Média as Catedrais Góticas se caracterizavam por seus inúmeros Vitrais – obras de arte em vidro – e pela arquitetura de arcos de volta perfeita, redondos, e por abóbadas de arestas (constituídas pela penetração de duas abóbadas) feitas em estruturas maciças e com poucos vãos.

A influência da arte renascentista também faz parte da história da Igreja. Embora o Renascimento tenha ganhado muita força com a reforma protestante, dois artistas se destacaram com relação à Igreja Católica. Leonardo DaVinci, ao pintar o famosissímo quadro “A Santa Ceia” e Michelangelo, que pintou o teto da Capela Sistina no Vaticano.

No entanto, o estilo artístico mais utilizado e, talvez, o mais importante para a Igreja foi o Barroco. Aqui retomo o início deste texto quando explico o uso das obras de arte como fins didáticos e catequéticos. O Barroco tem essa característica, unindo imagens muito coloridas ao luxo, com diversas arquiteturas banhadas a ouro. Essa fase da Igreja também está unida à história do Brasil, já que as primeiras igrejas construídas em terras tupiniquins foram de estilo barroco, podendo citar como maior exemplo aqui no Brasil, a arquitetura das igrejas em Ouro Preto, Minas Gerais.

Em Santa Maria…

Em Santa Maria uma das mais, senão a mais, importante igreja é a Catedral Arquidiocesana Imaculada Conceição, situada no centro da cidade na avenida Rio Branco. Existe tanta história a ser contada naquele templo que existe o Museu de Arte Sacra. Nele está exposto um dos sinos mais antigos do Rio Grande do Sul e que pertencia às torres da catedral da Imaculada Conceição. Mas quando se fala em arte religiosa e catedral arquidiocesana, um nome vem a mente: Aldo Locatelli. Artista ítalo-brasileiro que foi, juntamente a Emílio Lessa, o grande responsável pelas pinturas que hoje se vê no teto da igreja. 

Os afrescos relembram fatos importantes da vida de Maria, a mãe de Jesus, segundo a crença dos católicos. Estão representadas no teto da catedral o momento em que Maria recebe a visita do anjo Gabriel, também conhecido como “a Anunciação”; Maria aos pés da cruz chorando a morte de seu filho, no Calvário; a assunção de Maria aos céus, que para os católicos é uma verdade de fé incontestável, o chamado Dogma da Assunção de Maria proclamado pelo Papa Pio XII e a coroação de Nossa Senhora. As pinturas, em estilo barroco, auxiliam os fiéis a entenderem e contemplarem ainda mais a vida de Maria. No entanto, há um resquício da arte gótica na catedral.

Nas laterais da catedral existem diversos vitrais. Neles estão contidos os mistérios do “Santo Rosário”, contemplando os mistérios da fé católica divididos em Gozozos, Gloriosos e Dolorosos, passando do nascimento até a morte de Jesus, incluindo alguns mistérios relacionados apenas a Virgem Maria, como sua assunção e coroação como rainha dos céus. Todos os mistérios estão presentes nos vidros, os quais ficam mais fáceis de identificar indo pela manhã na catedral.

(*) Alam Carrion é acadêmico de Jornalismo da Universidade Franciscana e faz seu “estágio supervisionado” no site

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