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CÂMARA. Procon diz que Corsan aplicou multas de R$ 900 logo após fumacê identificar irregularidades

Queixas de clientes da empresa quase triplicaram entre anos de 2023 e 2024

Oitivas da nova CPI da Corsan foram realizadas no Plenário da Legislativo, nesta segunda-feira, 18 (Foto João Victor Souza/Câmara)

Por Maiquel Rosauro

A Corsan aplicou multas de R$ 900 nos santa-marienses que possuíam irregularidades no esgotamento sanitário, sem que eles recebessem orientações claras da companhia. Esse é o resumo da oitiva realizada com a auditora fiscal do município e coordenadora do Procon em Santa Maria, Márcia Moro Rocha, realizada na manhã desta segunda-feira (18), na nova CPI da Corsan.

O depoimento foi realizado no Plenário da Câmara e foi acompanhado pelo presidente do colegiado, Sérgio Cechin (PP), pelo relator Guilherme Badke (Republicanos), e pelo procurador da Casa, Lucas Saccol Meyne. O vice-presidente, Adelar Vargas (MDB), estava ausente com justificativa.

Márcia disse que faltou bom senso à Corsan, que aplicou multas aos santa-marienses logo após a aplicação do fumacê constatar que haviam ligamentos irregulares nas tubulações de esgoto.

“Com a companhia privatizada, o objetivo é diminuir o custo. Isso é do mercado. Só que os consumidores não estavam sendo avisados de tudo isso. Eles recebiam a visita, havia a comprovação de que o pluvial estava no cloacal e, imediatamente, eles recebiam uma multa de R$ 900”, relatou.

Segundo a coordenadora do Procon, a prática da companhia prejudicou inúmeras famílias santa-marienses e só foi sanada após a agência reguladora notificar a empresa e suspender, por um tempo, as multas e notificações.

“Se você tem uma pessoa com uma renda de um salário mínimo e recebe uma multa de R$ 900, inviabiliza o lado financeiro porque eles não têm condições de pagar e muitos acabam indo para a informalidade. Não pagaram a multa, tiveram a água cortada e fizeram um desvio”, relatou Márcia. 

Ela relatou que sempre existiu a previsão de regulação, mas que não era cobrado enquanto a empresa era pública. Logo, o consumidor não possuía conhecimento sobre o que precisava ser feito.

“Isso é uma questão de bom senso. Você traz a informação de forma clara e ostensiva, e que não deixe dúvida ao consumidor sobre o que ele tem de fazer, que eram as ligações (no esgotamento sanitário). Caso ele não fizesse no prazo, então aplicaria multa. Mas essa informação tinha que ter sido passada e nós entendemos que não foi”, afirmou Márcia.

Reclamações quase triplicam

A privatização da Corsan – adquirida pelo grupo Aegea por R$ 4,151 bilhões – foi concluída em julho de 2023. Desde então, ocorreu um expressivo aumento na quantidade de reclamações recebidas no Procon por clientes da empresa.

Em 2020, o Procon de Santa Maria recebeu 71 reclamações sobre a Corsan; 81 em 2021; e 97 em 2022. Em 2023, o número saltou para 154, com a maior quantidade de queixas se concentrando no final do ano, com a empresa já privatizada.

Em 2024, um novo salto. O ano fechou com 435 reclamações, quase o triplo em relação a 2023. Em 2025, até o dia 24 de julho, o Procon registrou 236 reclamações.

Reclamações registradas no Procon de Santa Maria contra a Corsan, desde a privatização da empresa de água e esgoto (Foto Reprodução)

Segundo Márcia, o órgão segue recebendo queixas diárias de clientes da companhia. Entre os principais problemas relatados estão contas altas, aplicações de multas e vazamentos. Ela explicou que boa parte dos clientes que vão ao Procon não possuem conhecimento técnico e que o volume de reclamações não diminuiu.

Fiscalização

Antes da oitiva da Márcia, a CPI ouviu o engenheiro civil, servidor concursado da Prefeitura e fiscal do contrato do município com a Corsan/Aegea desde 15 de janeiro deste ano, Marcos Vinicius de Moraes. Ele explicou a dinâmica de fiscalização realizada pela Prefeitura.

As oitivas foram transmitidas pelo YouTube da TV Câmara. Confira abaixo.

Maiquel Rosauro

Jornalista formado pelo Centro Universitário Franciscano (Unifra), em 2006, em Santa Maria (RS). Possui pós-graduação em Finanças pela Unifra (2008). É repórter do Site Claudemir Pereira desde março de 2017.

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