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ELEIÇÕES. Gestão, segurança, educação e saúde, temas do primeiro debate de candidatos ao Piratini

Quatro pretendentes ao governo gaúcho defenderam suas ideias em Santiago

Gabriel Souza, Ricardo Jobim, Roberto Argenta e Vieira da Cunha participaram do debate em Santiago, nesta quinta (Foto Reprodução)

Por Maiquel Rosauro

O primeiro debate entre os pré-candidatos a governador do Rio Grande do Sul ocorreu na noite desta quinta-feira (23), em Santiago. O evento contou com a presença de Gabriel Souza (MDB), Ricardo Jobim (Novo), Roberto Argenta (PSC) e Vieira da Cunha (PDT). O quarteto debateu sobre temas como educação, geração de empregos, saúde, segurança pública e a gestão do Estado.

Primeiro bloco

O debate iniciou com a apresentação dos pré-candidatos. Cunha ressaltou que a causa da educação é sua prioridade. Jobim afirmou que seu partido prega o que defende e não faz uso do fundo eleitoral. Argenta disse que seu lema é gerar emprego. Souza relatou que deseja apresentar um plano de desenvolvimento para o Estado.

Segundo bloco

O segundo bloco foi marcado pelos questionamentos de entidades. Foram realizados sorteios para definir a ordem que cada pré-candidato responderia as perguntas.

Alunos do Colégio Medianeira questionaram Cunha como combater a corrupção. Ele ressaltou que foi deputado federal por dois mandatos e que se orgulha de ser autor da lei que regulamentou a delação premiada. Ressaltou que são necessárias leis eficientes para combater a corrupção.

Jobim foi questionado pelo Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) do Vale do Jaguari sobre como pretende tratar os Coredes em seu governo. O pré-candidato defendeu o desenvolvimento regional vocacionado e trabalhar modelos que dão certo no Estado. Também defendeu a indústria da inovação e disse que os Coredes precisam ter planejamento e metas a cumprir.

Instituições de segurança presentes em Santiago (Polícia Civil, Brigada Militar e Susepe) perguntaram a Argenta se ele daria continuidade ao projeto no qual empresários colaboram com valor do ICMS para auxiliar a segurança pública. O pré-candidato disse que manterá o projeto e que a polícia precisa estar modernizada para atuar bem. Destacou que pretende criar uma secretaria especial para a Metade Sul a fim de desenvolver a região, pois mais emprego gera mais segurança.

A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) questionou Jobim sobre sua proposta ao modal logístico do Estado. O pré-candidato destacou o problema da malha ferroviária. Disse que apenas 6% da produção é escoada por ferrovias, o que é muito pouco. Destacou o Programa Pró-Trilho, do governo Federal, que permitiu investimento de R$ 80 bilhões em Minas Gerais, enquanto no Estado nada foi investido.

O Grupo Hospital Santiago afirmou que a tabela do IPE está há mais de dez anos sem reajuste e indagou Souza sobre sua estratégia para equacionar o problema. O pré-candidato disse que a pandemia impactou no sistema de saúde público e privado, além de defender o IPE. Disse que o governo de José Ivo Sartori (MDB) dividiu o IPE Saúde e IPE Previdência, especializando melhor o órgão público. Afirmou que pretende revitalizar o IPE e renegociar dívidas com os hospitais.

Argenta foi questionado pelo Sindicato Rural de Unistalda, Santiago e Capão do Cipó sobre as complexas legislações ambientais que oneram o sistema produtivo e se ele se comprometeria a atuar na questão. O pré-candidato disse que várias licenças precisam ser modificadas, pois atravancam a produção de alimentos. Defendeu a criação de uma lei que agilize os prazos de produção, diminua a burocracia e não atrapalhe a geração de emprego.

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) quis saber qual a proposta concreta de Souza para a criação da carreira estadual de médico. O pré-candidato disse que a saúde sempre esteve no centro de sua atuação política e defende uma reforma no SUS após a pandemia. Um dos pontos que destacou é a presença de especialistas médicos no interior do Estado, problema que precisa ser resolvido com inteligência. Disse que é importante conversar com municípios e a União sobre o tema.

Alunos do Colégio Medianeira perguntaram a posição de Jobim sobre neoliberalismo e estado mínimo. O pré-candidato afirmou que a política liberal promove a erradicação da pobreza e defendeu o governo de Minas Gerais e da Prefeitura de Joinville, ambos com gestores do partido Novo. Também defendeu a aplicação de modelos que funcionam.

A Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) perguntou a Cunha como ele pretende promover o equilíbrio fiscal em sua gestão. O pré-candidato disse que a dívida com a União é absurda, que o Estado já pagou o quádruplo. Afirmou que questionará, se necessário judicialmente, o acordo de recuperação fiscal firmado com a União.

Souza foi questionado pela OAB Subseção de São Francisco de Assis se a RS-176 será pavimentada. O pré-candidato disse que o assunto é importante e que a estrutura logística é essencial para desenvolvimento econômico, humano e social. Disse que é preciso ter equilíbrio financeiro para ter dinheiro para as rodovias e que garantirá que isso aconteça.

A Associação de Câmara de Vereadores do Vale do Jaguari perguntou a Argenta quais as medidas que ele implantará para suprir o impacto nos cofres dos municípios. O pré-candidato disse que o desperdício será zero em seu governo e será racional na aplicação de dinheiro, com produtos com menos impostos, além de reduzir o tamanho do Estado.

Cunha finalizou o bloco respondendo questão do Simers sobre qual é seu plano emergencial para garantir a melhora da remuneração médica no que se refere ao IPE. O pré-candidato disse que são necessárias ações efetivas para o atendimento da população e que há o problema da cartilha neoliberal que gera um desequilíbrio no IPE, que é asfixiado financeiramente.

Terceiro bloco

No terceiro bloco ocorreu o debate entre os candidatos, com direito a pergunta, resposta, réplica e tréplica. Os temas eram definidos por sorteio.

Jobim iniciou perguntando a Souza como ele pretende lidar com facções em presídios. O pré-candidato disse que as facções centram suas ações no tráfico de drogas e que o governo Sartori criou a Lei de Incentivo à Segurança Pública, com investimentos da iniciativa privada, o que vem dando certo. Disse também que é preciso investir em inteligência policial. Jobim disse que lhe chamou atenção o fato de que o sinal de celular será bloqueado em metade dos presídios. Perguntou por que não se investe em presídio no Estado. Souza, por fim, disse que é favorável as parcerias público privadas para construir novos presídios.

Souza, em um questionamento sobre desenvolvimento econômico, perguntou a Cunha como ele pretende gerar empregos. O pré-candidato disse que a economia gaúcha está encolhendo e que a situação do Estado é terrível. Afirmou que o papel do Estado é amparar o produtor, proteger o emprego e fazer o diagnóstico correto sobre a produção. Souza disse que é preciso diminuir a burocracia, resolver o problema do endividamento dos produtores rurais e qualificar a mão de obra da juventude. O emedebista ainda perguntou o que Cunha pretende fazer para resolver o problema. O pedetista disse que pretende livrar o Estado da política neoliberalista.

Cunha perguntou as propostas de Argenta para que o Estado tenha educação de qualidade. O pré-candidato disse que a educação garante o futuro e que é um investidor da Antonio Meneghetti Faculdade, que atende a Quarta Colônia, e não possui dinheiro público. Defendeu investimento na educação técnica. Cunha disse que o Estado precisa da escola em tempo integral, sobretudo, na periferia. Argenta concordou que é preciso manter a criança o dia inteiro ocupada.

Argenta questionou Jobim sobre seus planos para enxugar o Estado a fim de investir em outras áreas, como agricultura. O pré-candidato defendeu que algumas regiões têm vocações específicas e que é preciso trabalhar nelas desta forma. Disse que o desenvolvimento não é aparelho devido a representação política que é diferente em cada região. Criticou a política profissional. Argenta defendeu novamente a criação de uma secretaria especial para a Metade Sul e agregar valor à produção do campo. Jobim disse que Minas Gerais é um bom modelo para a irrigação e em gestão, e que o Estado precisa parar de atrapalhar o produtor.

Na segunda rodada de questionamentos entre os pré-candidatos, Cunha perguntou a Souza sobre sua visão quanto à escola em tempo integral. O pré-candidato disse que fará uma busca ativa aos jovens que não estão indo na escola e que criará um programa de jovem aprendiz. Também defendeu a escola de tempo integral. Cunha disse que é preciso implantar uma política de estado para manter a política de escola em tempo integral quando ocorre a troca de governo. Souza disse que pretende criar mais escolas em tempo integral.

Souza perguntou a Argenta como será sua política de segurança pública caso eleito. O pré-candidato disse que dará continuidade ao que vem sendo feito na gestão atual e defendeu que onde tem pleno emprego não existem problemas de segurança. Disse que o emprego garante o presente e educação garante o futuro. Souza disse que o combate ao crime se faz com investimento em tecnologia e valorização dos profissionais da segurança pública. Disse que o setor terá uma atenção especial em seu governo. Argenta relatou que a participação da comunidade e dos empresários é importante para garantir recursos para a segurança.

Argenta questionou Jobim sobre o tratamento do partido Novo na área da saúde. O pré-candidato disse que a estrutura do SUS é deficitária. Perguntou por que a classe política não quer gastar em saúde e ele mesmo respondeu dizendo que a saúde não dá voto. Disse que saúde tem que ter investimento e que é resolver o problema do atendimento. Argenta disse que saúde é importante para todos e que o Estado deveria pensar em ter hospitais regionais devidamente equipados para atender entre 20 e 30 municípios. Jobim disse que o Hospital Regional de Santa Maria já foi inaugurado várias vezes e até hoje não funciona a pleno.

Jobim perguntou para Cunha quais eram suas soluções para o serviço público. O pré-candidato disse que a resposta não estava na cartilha neoliberal e que há muito tempo não é feito concurso público, citando como exemplo o baixo efetivo da Brigada Militar. Disse que a política de enxugamento defendida por Jobim promove a desestruturação da máquina pública. Jobim questionou de onde vai sair dinheiro para contratar o efetivo defendido por Cunha e disse que quando se dá poder demais para político ele acaba roubando tudo. Cunha disse que a corrupção é uma via de mão dupla, que há tanto no setor público quanto no privado.

Quarto bloco

Os pré-candidatos voltaram a fazer questionamentos entre si no quarto bloco. Porém, com apenas uma rodada.

Jobim questionou Cunha sobre suas soluções financeiras para compor o efeito da segurança pública. O pré-candidato defendeu que há orçamento para aumentar o efetivo e que é preciso investir em escola em tempo integral, o que passa por concurso público tanto para professores como brigadianos. Jobim perguntou novamente de onde sairá o dinheiro. Cunha ressaltou que orçamento existe.

Cunha perguntou a Argenta sobre o que ele pensa sobre administrar o estado. O pré-candidato disse que é preciso ter foco no cidadão, disponibilizando um bom serviço. Argenta sugeriu a criação de um programa de qualidade a fim de aperfeiçoar o atendimento à população. Cunha disse que tem como referência os governos trabalhistas e que as empresas públicas devem funcionar bem. Argenta afirmou que o dinheiro público deve ser cuidado com inteligência tributária.

Argenta quis saber a opinião de Souza quanto a privatização de bancos, como o Banrisul, Badesul e BRDE. Souza disse que é contra a privatização do Banrisul, mas quer tornar o banco forte para competir com outras instituições. Também ressaltou que foi contra a venda da Banrisul Cartões. Argenta disse que o Banrisul pode ser um banco de desenvolvimento e fazer o mesmo serviço que o Badesul e o BRDE. Souza disse que não entendeu a proposta de Argenta para o sistema bancário do Rio Grande do Sul e reafirmou ser contra a privatização do Banrisul.

No último questionamento da noite, Souza perguntou qual é a política de Jobim na área de desenvolvimento econômico. O pré-candidato defendeu o modelo adotado por Minas Gerais e criticou a falta de incentivo ao microempreendedor no Estado. Souza defendeu a diminuição da burocracia estatal e o incentivo à inovação tecnológica para gerar emprego de boa renda. Jobim disse que o investimento tem que chegar nas pessoas, não apenas nos amigos dos políticos.

Quinto bloco

O debate foi finalizado com as considerações finais dos pré-candidatos.

Cunha agradeceu a oportunidade de debater e disse que é dever dos pré-candidatos se expor. Ele lamentou que apenas quatro compareceram neste primeiro encontro.

Argenta disse que aprendeu muito no debate e repetiu que o emprego garante o presente e educação garante o futuro. Disse ainda que emprego gera dignidade e autoestima.

Souza agradeceu a organização e disse que o encontro foi importante para conhecer as ideias dos outros pré-candidatos. Afirmou que apresentará um programa de desenvolvimento para o Estado.

Jobim disse que é preciso entender o que acontece com o Estado e que as pessoas têm nojo da política. Disse que o Rio Grande do Sul merece o primeiro governo liberal de sua história.

O debate foi realizado no Auditório do Colégio Medianeira, no Centro de Santiago. O evento foi promovido pelo Simers, Famurs, Rede Verzeri e GNI Notícias. O diretor-geral do Simers, Fernando Uberti, foi o responsável por mediar o debate.

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