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ELEIÇÕES 2022. As grandes dúvidas do MDB e a possibilidade de mudança na disputa pelo Piratini

Para viabilizar candidatura própria, partido precisa atrair outras siglas de porte

Gabriel Souza: MDB pode protagonizar nova mudança na disputa ao governo do Rio Grande (Foto Joel Vargas/Divulgação)

Reproduzido do Site do Correio do Povo / Texto assinado por Flavia Bemfica

Uma sucessão de movimentos no MDB deve gerar nova reviravolta no cenário eleitoral gaúcho nas próximas semanas. O partido tem pouco tempo para resolver o impasse sobre se mantém candidatura própria ao governo ou se cede aos argumentos da executiva nacional e aceita fazer uma composição com o PSDB, abrindo mão da cabeça de chapa.

A resistência local ao arranjo com o PSDB, almejado pela direção nacional da legenda, é considerada intransponível, por uma série de fatores. Porém, para viabilizar a candidatura própria, o MDB precisa conseguir liderar uma outra aliança competitiva, que lhe dê mais do que seus pouco menos de 40 segundos de tempo na propaganda na TV, e a garantia de que receberá uma quantia razoável de recursos da direção nacional.

O pré-candidato do MDB ao governo, o deputado estadual Gabriel Souza, vem mantendo a candidatura. Mas já há dúvidas em grupos do partido sobre se ele vai se aventurar em uma campanha sem tempo e sem dinheiro caso a legenda não consiga um parceiro de peso, como o PSD.

No caso de manutenção da candidatura própria com chapa pura ou alianças com siglas que não agregam recursos e tempo, definida internamente como ‘suicida’ ou ‘de sacrifício’, dois nomes se apresentaram até agora: o vereador Cezar Schirmer e o ex-vice-governador Paulo Cairoli. Ambos são próximos do ex-governador José Sartori. Os dois também não teriam ‘nada a perder’, nas palavras de um dos emedebistas que participa das articulações para que a sigla tenha candidato ao governo. É o contrário da situação de Gabriel, uma liderança jovem, e que ascendeu rapidamente.

Integrantes da chamada velha guarda do MDB asseguram que o deputado já se deu conta de que sua condição é delicada tanto se mantiver a candidatura própria sem fechar uma aliança robusta como se obtiver um acordo para ser vice do pré-candidato ao governo do PSDB, o ex-governador Eduardo Leite, possibilidade cada dia mais distante. Nos dois casos, será responsabilizado por ‘diminuir’ e ‘dividir’ o MDB, cumprindo o destino traçado por opositores internos, que projetavam um final doloroso desde o processo de definição da pré-candidatura que acentuou o racha interno.

A saída para Gabriel, aponta um integrante da executiva estadual, seria ou conseguir a aliança com o PSD e alguma outra legenda, ou retornar para a disputa no Legislativo gaúcho, onde a tendência é de que obtenha votação expressiva.

O acordo com o PSD esteve a um passo de ser fechado na semana passada, após uma nova rodada de conversas com a pré-candidata do partido ao Senado, a ex-secretária Ana Amélia Lemos. Mas, nos últimos dias, ante o impasse no MDB e o assédio do PSB, que corteja ostensivamente Ana Amélia, as negociações esfriaram.

A direção estadual emedebista marcou reunião da executiva para 10 de julho para decidir que rumo o partido vai tomar após a executiva nacional, na terça, ter tirado indicativo, ‘sem imposição’, pela aliança com o PSDB no RS, com apoio à pré-candidatura de Leite. Na executiva gaúcha, a tese da candidatura própria tem maioria. Dos oito integrantes, seis são contabilizados como defensores de que o MDB tenha candidato ao Piratini. O sentimento se multiplica pelos órgãos partidários internos, como a Juventude, de onde Gabriel é oriundo.

Nos bastidores do MDB gaúcho, a pressão da executiva nacional para que o partido feche com Leite é classificada como menos intensa do que a que vem sendo ventilada por algumas alas da legenda, entre elas as de defensores da indicação de Gabriel para vice de Leite, que asseguram que uma candidatura própria no RS não será prioridade na distribuição dos recursos financeiros.

A decisão da nacional na terça, mesmo que por unanimidade, foi de indicativo de apoio “sem imposição” para a aliança com o PSDB. Também ficou claro na reunião que, se o MDB conseguir fechar uma aliança com outra sigla ‘de porte’ (há quem cite, além do PSD, até o União Brasil, apesar de a legenda já estar com os dois pés na candidatura de Leite), se tornará obrigatório investir na majoritária no RS.

O MDB receberá o terceiro maior montante do fundo eleitoral (o dinheiro destinado a financiar as campanhas) em 2022, cerca de R$ 300 milhões, mas ainda não definiu oficialmente como será a divisão dos recursos. Por enquanto, os palanques regionais com eleições ao governo prioritárias para o partido são os de Alagoas, Distrito Federal e Pará, onde a sigla tenta se manter à frente dos Executivos.

Nas conversas com lideranças gaúchas, e na reunião de terça, o comando nacional sinaliza que não ignora os movimentos das chamadas bases partidárias, que desejam disputar o governo. E que não está alheio ao que é denominado de ‘pobreza de iniciativas’ por parte de Leite.

A avaliação é de que, se realmente deseja uma coligação, o tucano deveria há tempos ter feito movimentos explícitos, e públicos, em direção às alas do MDB contrárias à aliança, a começar pelo grupo do ex-governador José Sartori. “Ele diz que MDB e PSDB defendem as mesmas bandeiras, são administrações de continuidade. Mas, durante todo o governo, repetiu que pegou um estado quebrado, com salários atrasados, e dívidas com fornecedores. Fica difícil. Além disso, nos dizia que ia disputar a presidência e apoiar o Gabriel para o governo. Aí o plano dele deu errado, e simplesmente fez de conta que o acordo não existia”, resume um deputado.

Por fim, parte dos emedebistas gaúchos também questiona internamente qual o efeito real dos movimentos da pré-candidata do partido à presidência, a senadora Simone Tebet (MDB/MS), e teme que sua candidatura não se viabilize. Até o momento, ela ostenta baixos índices de intenções de votos, muito distantes de romper com a polarização protagonizada pelo ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa presidencial.

A pergunta que fazem esses emedebistas no Estado, é se vale a pena a sigla no RS abrir mão de ter candidato e fortalecer o PSDB para auxiliar uma chapa nacional sobre a qual pairam dúvidas e resistências do próprio partido em diferentes estados. Neles, o MDB, regionalmente, está aliado ao PT ou a pré-candidatos vinculados a Bolsonaro, o que, historicamente, abre a porta para traições e dissidências em relação às campanhas nacionais.

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