Trocando as bolas. Tem jornalista maluquinho para virar polícia. E, creia, não são tão poucos
Como já escrevi, nem sempre concordo com o que ele escreve. Mas é no mínimo saborosa a coluna Circo da Notícia, assinada pelo veterano jornalista Carlos Brickmann, no sítio especializado Observatório da Imprensa. E, especialmente, trata da forma como determinadas informações são tratadas pela mídia – seja ela grandona (especialmente) ou não (a que se acha incluída).
No material agora disponível, entre outros temas, Brickmann – que já passou por vários veículos de comunicação, e agora tem uma empresa que presta consultoria a empresas ou personalidades – escreve sobre uma questão que me é muito cara: o momento em que o profissional se traveste de policial. Perdem todos, o jornalista, o agente da lei e, especialmente, o consumidor de informações. Acompanhe:
MISTURA INDIGESTA – Imprensa é imprensa, polícia é polícia
Um famoso marginal carioca, Lúcio Flávio Villar Lírio, que virou até herói de filme, costumava protestar duramente contra a corrupção policial. Queixava-se: “Polícia é polícia, bandido é bandido”. Pouco depois, na pior fase da ditadura militar, uma das reivindicações da imprensa era proteger-se contra o exercício da profissão por policiais que se faziam passar por jornalistas. A luta para que polícia e jornalismo não se misturassem teve grandes vitórias. Agora, infelizmente, vemos muitos jornalistas loucos para desempenhar funções policiais.
Há coisas visíveis, como fantasiar-se de policial para obter imagens exclusivas. E coisas menos visíveis, como os jornalistas que levam e trazem informações da polícia, sem sequer se dar ao trabalho de checá-las; como os repórteres que, em vez de publicar as notícias que obtiveram, preferem entregá-las às autoridades.
Há jornalistas que, nos anos de chumbo, valorizavam o direito de defesa, colocavam-se a favor do respeito aos direitos humanos, mantinham-se sempre perto de um advogado (até porque, em certos momentos, só a ação firme deste advogado poderia mantê-lo vivo, incólume e em lugar conhecido).
Hoje criticam “os advogados pagos a peso de ouro” – os mesmos que, no passado, os defenderam de graça – e criticam os direitos individuais. A seu ver, uma polícia que não seja atrabiliária, uma investigação que não ofenda os direitos humanos e a possibilidade de acesso dos advogados à acusação, para que possam preparar a defesa, atrasam a punição dos culpados. Defendem a execração pública dos investigados, sem qualquer julgamento. Repetem, quase com as mesmas palavras, o refrão da direita fascista: direitos humanos são coisa de bandido. E bandido, naturalmente, é quem eles consideram bandido, e que o juiz só terá o direito de condenar. Ai do juiz que tiver idéias próprias e absolver algum cavalheiro que a imprensa considera culpado! Será patrulhado e atingido por toda sorte de insinuações.
Parafraseando Júlio Mesquita, em sua histórica polêmica com Eduardo Prado, isso não é imprensa, ou melhor, imprensa não é isso…
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra do texto acima e de todo o conteúdo da coluna Circo da Notícia, assinada por Carlos Brickmann, no sítio especializado Observatório da Imprensa.





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