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Contra e a favor. Fechamento de súpers aos domingos racha entidades que lideram empresários

Que não se imagine que as entidades empresariais sejam solidamente unidas, com todos os seus integrantes pensando do mesmo jeito. Isso, não. Sempre houve divergências internas, entre as organizações, e destas para com outras, do mesmo segmento.

 

Assim, já se ouviu dizer que a Câmara de Comécio, Indústria e Serviços (Cacism) tem lá suas ronhas com, por exemplo, a Câmara de Dirigentes Logistas (CDL). Isso, porém, é eventual e jamais veio a público. CDL e Sindigêneros (que representa o setor alimentício) nem sempre possuem as mesmas posições, como também não se imagina que o Sindilojas (representante do comércio) seja uno interna ou externamente. É do jogo. E nas entidades ligadas aos trabalhadores acontece rigorosamente o mesmo. O fundamental é que no geral todos concordam, sejam empresários ou trabalhadores.

 

Então, qual a novidade? Simples, pela primeira vez, até onde vai a memória deste (nem sempre) humilde repórter, a briga ficou mais feia e, o inusitado, tornada pública, com direito a “A pedido” publicado nos jornais. A causa é o acordo firmado entre um grupo de supermercadistas locais com o sindicato dos comerciários, fechando os “súpers” aos domingos. Um absurdo que este sítio denunciou desde a primeira hora. Que traz benefícios tão somente a uma meia dúzia de operações, e não aos trabalhadores (que imaginam estar garantindo a folga dominical quando, no curto, médio e longo prazo conquistarão apenas a demissão) e menos ainda à comunidade.

 

Agora, essa discussão deixa de ser apenas os daqui contra os de lá, como alguém poderia supor. Afinal, expõe-se o racha nas entidades empresariais, a partir de nota publicada nas edições deste final de semana dos jornais diários da cidade. Quer ver o tamanho da briga? Reproduzo apenas dois dos sete parágrafos que compõem o “A pedido”, e você tira sua própria conclusão:

 

“MANIFESTO PELA LIBERDADE DE ABERTURA DO COMÉRCIO

 

… Julgamos tal iniciativa (o fechamento aos domingos) como um agressivo retrocesso não apenas para a classe empresarial como um todo, mas, principalmente, para os consumidores de Santa Maria e da região. Perguntamo-nos: será que foram levados em consideração os interessses dos consumidores? Certamente não…

 

… Nenhuma empresa é obrigada a abrir suas portas para seus clientes, nem aos domingos, nem na segunda, nem em qualquer outro dia da semana; mas ela tem esse direito. E é esse direito que estamos aqui defendendo, pois se apenas uma empresa tem interesse em trabalhar e em determinado dia, os demais comerciantes tem o dever de não lhe tolher esse direito…”

 

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