Reflexão. O que significam, eleitoralmente, os R$ 138 milhões do PAC destinados a Santa Maria
Por entender adequado, e inclusive para que você possa comparar, reproduzo a seguir nota que publiquei na manhã deste domingo. Confira:
Na manhã deste sábado, convidei um amigo, que estava deixando o Café do Ivo, na galeria Chami, a ver a capa da edição de final de semana do jornal Diário de Santa Maria. Fiz mais: disse que ali poderia ser encontrada, para além do significado óbvio da foto, boa parte da estratégia eleitoral do PT (e seus aliados) em 2008.
Mas, do que se está falando, afinal? Isso mesmo, dos R$ 138 milhões destinados a Santa Maria pelo Plano de Aceleração do Crescimento, o já famoso PAC. É evidente que se trata do maior aporte de recursos para a boca do monte, talvez em todos os tempos. Certamente, não há similar nos últimos 30 anos – tempo em que estou nesta cidade que adotei como minha.
Os benefícios, para a comunidade, são evidentes. Obras que, de outra forma, seriam impossíveis mesmo no longuíssimo prazo, começam no máximo ano que vem (estou dando de barato os habituais atrasos em licitações públicas) e se estenderão por prováveis cinco anos. Aliás, somente então, em 2012, começará a ser feito o ressarcimento da contrapartida financeira do município – estimada em não mais que 3% do orçamento anual, por 15 anos.
Quer dizer, por qualquer ângulo que se observe, tem-se aqui o inusitado: reais (sem trocadilho) possibilidades de tornar melhor a vida das pessoas. No caso da Nova Santa Marta, aquinhoada com o maior valor individual, algo próximo aos R$ 35 milhões, é simplesmente uma nova vida para mais de 20 mil santa-marienses: com terrenos legalizados, saneamento, iluminação pública, arruamento, etc, etc. É a dignidade resgatada – como sugere inclusive a fotografia publicada pelo DSM.
E onde entra o episódio eleitoral? Ora, é mais que cristalino. Se já havia, nas contas do governo municipal, que os recursos do BID – outros R$ 40 milhões, que agora até parecem troco – se tornassem uma alavanca para sustentar qualquer candidatura à sucessão de Valdeci Oliveira. Imagine-se, então, R$ 138 milhões.
E volta-se à capa do Diário. Parece óbvio que o PMDB, principal oponente do petismo, dificilmente conseguirá tirar uma beiradinha. Por mais que Cláudio Rosa (que tem méritos, sim, e não são poucos) se esbofeie no discurso, à maioria sobrará a percepção de que a dinheirama vem porque Lula mandou. Até mais, mesmo, porque Valdeci pediu e fez os projetos. E quem será o candidato de Lula?
Então, nos preparemos. Será o confronto entre o trocão do PAC, que beneficiará diretamente algo como 80 mil santa-marienses (ou mais), e o restante. O grande desafio dos oponentes da administração municipal será encontrar um discurso capaz de se contrapor a isso. E com eficácia.
E é, penso, a um ano e pouco do pleito, o que teremos na campanha cada vez mais polarizada de 2008. E, também não há dúvida, os governistas entram no jogo com a vantagem do discurso. Favoritismo? Não, isso não. Ainda não.
SUGESTÕES DE LEITURA – confira aqui a reportagem
Rumo a um sonho, de Jaqueline Silveira, no Diário de Santa Maria.
Leia também a reportagem PAC é assinado no RS, de Priscila Abrantes, no jornal A Razão. Clique aqui e vai à página 7.





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