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LEGISLATIVO. “Tem índio que nasce até loiro, não consegui entender por quê”, fala o edil Tubias Callil

‘Tem indígena que parece mendigo de rua’, falou o vereador do PL, na tribuna

Mendigos também foram alvo do vereador Tubias Callil, do Partido Liberal, que disse ter vergonha da ampliação de benefício social para famílias com pessoas em situação de rua, pelo Governo Federal (Foto Reprodução)

Por Maiquel Rosauro

A ocupação kaingang na área da antiga Estação Experimental Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), no distrito de Boca do Monte, em Santa Maria, foi debatida na sessão plenária da Câmara Municipal, nesta terça-feira (5), no retorno dos parlamentares após o recesso de inverno. O vereador Tubias Callil (PL) disse ser incompreensível a invasão da área, enquanto que Alice Carvalho (PSol) defendeu um diálogo entre os povos originários e o governo do Estado para resolver o impasse.

A manifestação de Tubias teve como origem a transferência temporária da Escola Municipal de Educação Infantil Boca do Monte, localizada na área da ocupação, para a Escola Estadual de Ensino Fundamental Almiro Beltrame, no mesmo distrito. Segundo a Prefeitura, a mudança ocorreu para manter a segurança e bem-estar dos estudantes e servidores municipais enquanto não ocorre uma definição na Justiça sobre a ocupação.

“Índios merecem nosso respeito pela história, mas de um tempo para cá eles são tudo menos índios. Com todo o respeito, eles deixaram de ser indígenas. Têm indígenas que parecem mendigos de rua porque ficam ali pedindo dinheiro na sinaleira, ficam bebendo. Tem índio que nasce até loiro, não consegui entender por quê”, disse Tubias na tribuna.

O vereador também afirmou que é preciso parar com a história de que indígena é intocável, embora ele mesmo tenha ressaltado que tal regramento está na Constituição Federal.

“Quem toca em índio? Ninguém. Pode ficar atirado no Centro, pode ficar indiozinho ranhento, pode ficar índia se prostituindo, pode ficar índio bêbado e pedindo dinheiro nas portas das lojas, pode ficar atirado no chão, aí pode. É isso que não dá para entender o que está acontecendo”, disse o parlamentar.

Mendigos

Ao final de sua fala, Tubias teceu críticas à Portaria 1097, de 8 de julho de 2025, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, que define novos grupos prioritários para ingresso no programa Bolsa Família. O texto prevê a inclusão de famílias com pessoa em situação de rua; famílias com pessoa em situação de risco social associado à violação de direitos, identificada no Prontuário SUAS; e famílias com pessoa identificada, pelo Ministério da Saúde, em situação de risco para insegurança alimentar.

“O governo federal resolveu pagar Bolsa Família para mendigos. Olha, se isso é dar dignidade para uma pessoa, eu não sei mais o que estou fazendo aqui. Hoje o morador de rua recebe Bolsa Família para estar debaixo de uma marquise. Mas que vergonha isso. Que estímulo uma família vai ter?”, questionou o vereador do PL.

Preconceito

A vereadora Alice Carvalho usou a tribuna na sequência. Ela não rebateu diretamente o pronunciamento de Tubias, mas disse haver preconceito em relação à comunidade indígena, uma vez que a ocupação não teria prejudicado a Escola Municipal de Educação Infantil Boca do Monte.

“A gente vê a partir disso uma série de ataques racistas que são fruto da ignorância sobre a ocupação, a comunidade indígena e os povos originários”, afirmou Alice.

Na sequência, a parlamentar leu uma nota da comunidade kaingang sobre a ocupação e defendeu que o governo do Estado invista no diálogo para resolver o problema.

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7 Comentários

  1. Faz jus a trajetória e história política dele, o preconceito e a falta de empatia. Coisa de extremista de direita.

  2. E olha que Rubias tinha tudo para ser um grande político e uma grande pessoa … Mas quando mergulhou nesta energia do ódio de 2018… confesso: entrou em queda livre.

  3. Duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. Tobias mencionou fatos e fez juizo de valor. Alice só tem juizo de valor e mimimi ideologico.

  4. Ocupação é errado. Ponto final. Ninguém vai ser inocente a ponto de achar que acordaram num belo dia e resolveram invadir. Há que investigar e colocar os incentivadores na cadeia.

  5. Um outro ser abjeto e preconceituoso poderia responder ao vereador profissional algo nojento como o que ele disse. Por exemplo, “tem terrorista turco que nasce até brasileiro”. Seria um horror, né? Mas a dor do outro é mimimi…

  6. O que esperar de um vereador fascista do PL? A extrema direita tem ódio dos Povos Orginários, os indígenas e quilombolas.

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