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KISS. Cronograma de atividades para lembrar os 13 anos do dia da tragédia segue nesta terça-feira

Mais de uma década depois, as memórias continuam vivas por Santa Maria

Por Fritz Nunes e Nathalia Costa / Da Assessoria de Imprensa da Sedufsm

Programação começou na noite da segunda-feira, 26, em frente ao local onde ficava a boate (Foto Fritz Nunes/Sedufsm)

A noite da segunda-feira (26) e o início da madrugada desta terça (27) foram marcadas, mais uma vez, pelas lembranças da tragédia boate Kiss, ocorrida em 2013, em Santa Maria. Foram 242 mortes e mais de 600 feridos em um incêndio que poderia ter sido minimizado não fosse a irresponsabilidade de diversos entes públicos e privados.

Já na tarde da segunda, um grupo realizou no asfalto da rua dos Andradas, em frente ao local onde ficava o prédio da boate, pinturas no chão marcando as iniciais dos nomes das vítimas do incêndio. No período da noite, após uma caminhada até o local, velas foram acesas em torno dos nomes e flores também foram colocadas, durante o ato “Ausência presente”.

Dentre as atividades em frente ao espaço que agora é da construção do memorial, as e os presentes colocaram no tapume que protege a obra, pequenos cartazes que lembravam algumas das causas e consequências da tragédia (durante o ato “Nada consta”). Em silêncio, mensagens foram sendo coladas para lembrar que o incêndio podia ser evitado e, também, que muitos do que ali estavam tiveram perdas. À meia-noite foi realizado o minuto do marulho.

27 de janeiro de 2026 é o primeiro ano em que a tragédia é lembrada com os quatro responsabilizados e condenados pela tragédia em liberdade condicional, tendo em vista que houve revisão do tamanho das penas por parte do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS).

Ações voltam no fim da tarde desta terça-feira, 27 (Foto Fritz Nunes/Sedufsm)

Elissandro Spohr, Mauro Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Bonilha Leão, tinham sido condenados, em dezembro de 2021, por homicídio qualificado e tentativa de homicídio, com penas variando de 18 a 22 anos e meio. Em 2025, no entanto, o TJRS revisou as penas e fez novos cálculos, o que impactou na diminuição das mesmas para 11 e 12 anos, dependendo do réu. Como os quatro já atingiram o tempo mínimo de cadeia para progredir de regime, obtiveram o direito à liberdade condicional, com uso de tornozeleira eletrônica.

A libertação dos condenados, depois de pouquíssimo tempo de cumprimento de pena em regime fechado, reavivou o debate sobre justiça e responsabilização, gerando inquietação entre familiares e sobreviventes.

Ao longo desta terça-feira, uma série de atividades marcarão os 13 anos da tragédia, e será realizada na praça Saldanha Marinho.

  • 17h30 – Abertura do Janeiro 27
    Boas-vindas e agradecimentos das instituições organizadoras.
  • 17h45 – Leitura dos nomes
    Leitura dos nomes das 242 vítimas, em ato público de memória e respeito.
  • 18h – Vídeo retrospectiva cronológica
    Retrospectiva da trajetória do caso Kiss, com atos de memória e da luta por justiça entre 2013 e 2026.
  • 18h10 – Mesa 1: Segurança contra incêndios: da norma à vida
    Fabrício Bolina – engenheiro civil e professor da Escola de Engenharia da UFRGS
    João Vivian – engenheiro civil e diretor do Sindicato dos Engenheiros (SENGE)
    Rogério Lin – Associação Brasileira de Proteção Passiva contra Incêndio (ABPP)
  • 19h – Mesa 2: Quando a dor vira linguagem
    Bruna Pizarro – psicanalista, mestra em Psicologia e escritora
    Carlos Latuff – chargista e ativista político
    Sandra Fagundes – psicanalista e mestra em Educação
  • 19h50 – Mesa 3: Lançamento do Alerta Kiss – informação que salva
    Luiza Mathias – sobrevivente do incêndio da Kiss e integrante do Coletivo Kiss: que não se repita
    Mary Pereira – integrante do Coletivo Kiss: que não se repita
    Rosito Borges – engenheiro de Segurança do Trabalho e bombeiro civil
  • 20h30 – Encerramento
    Ato final de memória e compromisso coletivo, convocando a comunidade a manter viva a memória das vítimas, fortalecer a responsabilidade coletiva e transformar a dor em compromisso permanente com a vida.

UFSM: dia da memória

Em 2026, o 27 de janeiro ganhou um significado institucional. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) oficializou, por meio de portaria normativa, o dia 27 de janeiro como Dia de Memória às Vítimas do Incêndio da Boate Kiss, incorporando a data ao calendário acadêmico.

A partir deste ano, as atividades acadêmicas e administrativas da UFSM ficam suspensas no dia 27 de janeiro, com exceção dos serviços essenciais. A medida reconhece o impacto profundo da tragédia na comunidade universitária (ao menos 116 estudantes estavam entre as vítimas do incêndio) e reafirma o compromisso institucional com a preservação da memória pública.

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