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CULTURA. Concerto marca o jubileu luterano no município: 160 anos de fé, memória e comunidade

Evento acontece nesta quarta, 8, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana

Por Ana Lucia Santos da Silva / Assessoria de Comunicação

Dezembro de 2025. Solenidade marcou a conclusão e entrega das obras de restauro da Igreja Luterana, projeto viabilizado pela Lei Rouanet e LIC-SM (Foto Glenio Brondani/Divulgação)

Há histórias que não cabem apenas em livros: elas ecoam em vozes, atravessam gerações e encontram na música, na fé e na memória coletiva a sua forma mais viva de permanência. Assim é a trajetória da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria, que celebra, neste jubileu, 160 anos de fundação.

Para compreender a profundidade dessa história, é preciso voltar às origens do luteranismo. Nascido no século XVI, a partir da Reforma liderada por Martinho Lutero, o movimento propôs uma fé centrada na Escritura, na graça e na relação direta entre o ser humano e Deus. Séculos depois, essa tradição atravessaria o oceano junto com milhares de imigrantes europeus, sobretudo alemães, que buscavam no Brasil uma nova oportunidade de vida.

A presença luterana no país está diretamente ligada a esse movimento migratório. A partir de 1824, com o incentivo do Império brasileiro, grupos de imigrantes alemães chegaram ao Brasil e se estabeleceram, principalmente, na região Sul. No mesmo ano, surgiram as primeiras comunidades organizadas, como em Nova Friburgo (RJ) e São Leopoldo, lançando as bases do que viria a se tornar a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.

No Rio Grande do Sul, a fé luterana floresceu junto com as colônias germânicas. Em meio às dificuldades da adaptação, da distância e das limitações impostas à prática religiosa no período imperial, essas comunidades construíram muito mais do que templos: edificaram redes de apoio, educação, cultura e espiritualidade. Durante décadas, muitas delas viveram de forma autônoma, organizando-se conforme suas possibilidades, até a formação de estruturas mais amplas, como os sínodos, na segunda metade do século XIX.

Santa Maria, inserida nesse contexto de expansão e interiorização, tornou-se palco de uma dessas histórias pioneiras. Os primeiros luteranos que aqui chegaram trouxeram na bagagem mais do que costumes e idioma: trouxeram uma visão de mundo onde fé e comunidade caminham lado a lado. Ao longo de 160 anos, essa presença se consolidou. Celebrar esse jubileu é, portanto, mais do que rememorar datas. É reconhecer o legado destas famílias pioneiras.

E é justamente na arte, linguagem universal e profundamente humana, que essa celebração encontra um de seus momentos mais simbólicos. O concerto comemorativo que marca os 160 anos não é apenas um evento cultural, mas uma expressão sensível daquilo que sempre esteve no coração da comunidade.  

O concerto é uma ação de contrapartida social do projeto cultural Melhorias da Infraestrutura da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Santa Maria 2026 – com financiamento da Lei de Incentivo à Cultura de Santa Maria. 

Concerto “160 anos”

Dia 8 de abril, quarta-feira, às 20h

Igreja Evangélica de Confissão Luterana

Rua Barão do Triunfo, nº 1080

Evento gratuito 

Programação

Trio Instrumental

Os professores Diogo Baggio (contrabaixo), Glaubert Nüske (fagote) e Janaína Machado Asseburg (piano) compartilham trajetórias que unem excelência acadêmica, pesquisa e atuação artística, oferecendo ao público uma celebração musical que dialoga com a história, a memória e a continuidade da tradição luterana em Santa Maria. 

Quinteto de Metais SM Brass

Quinteto de repertório camerístico e eclético, que cultiva as raízes da música erudita e dialoga com a música popular. É formado pelos músicos Wellington Millani Viera (trombone), Wilson Rodrigues Millani (tuba), Cristiano Henrique Bencke (trompete), Marcos Xavier de Oliveira (trompete) e José Silveira Munhoz (trompa). 

Coro Santa Maria

Grupo dedicado a preservar e divulgar o canto coral, com repertório que abrange diferentes estilos e valoriza a integração e as potencialidades artísticas de seus integrantes. O conjunto é formado por sopranos, contraltos, tenores e baixos, sob a regência do professor Nei Beck.

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