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VAMOS VER SE ENTENDI… Quer dizer que no Brasil a mídia não filma escondido nem grava sem o sujeito saber?

Os veículos de comunicação brasileiros estão se deleitando com a crise que pode abalar, e muito, o prestígio do magnata britânico Rupert Murdoch e que levou ao fechamento do jornal de maior circulação na terra da Rainha, o News of de World”.

Maaaaas… E no Brasil? Aqui não acontece nada parecido? É? Ninguém filma escondido, grava sem o sujeito saber e “otras cositas mas”, como acompanhar ações policiais com “exclusividade”? É? É?

Vamos fazer o seguinte: acompanhe (e estou reproduzindo tudo, para facilitar) o que escreve o experimentado jornalista Carlos Brickmann, na seção “Circo da Notícia”, do sítio especializado Observatório da Imprensa. Talvez valha a pena refletir a respeito. Taaalvez. A seguir:

Murdoch…

O caso Rupert Murdoch e o escândalo do News of the World é uma antologia das doenças dos meios de comunicação nos dias de hoje – doenças que prosperam não apenas na Inglaterra, mas também, e muito, no Brasil:

** Propriedade cruzada. O mesmo grupo detém, no mesmo local, empresas de rádio, TV, jornais, revistas, Internet, fazendo com que cada meio alavanque o outro e usando seu poder combinado para matar a concorrência;

** Prepotência. O jornal, ou jornalista, coloca-se acima da lei, usando como pretexto o interesse público;

** Cumplicidade. Para obter favores das autoridades, presta-lhes serviços diversos, atende a pedidos de amigos, atinge inimigos dos amigos, dá aos amigos cobertura editorial suficiente para garantir-lhes promoções e prestígio;

** Cobra a contraprestação desses serviços, recebendo informações privilegiadas. No caso Murdoch, por exemplo, houve o caso de um depoimento assinado por um bandido e autenticado por suas impressões digitais. O grupo de Murdoch tinha contatos na Scotland Yard que analisaram as impressões digitais, comparando-as com as de seus arquivos, e autenticaram o depoimento, dando aos jornalistas amigos um lucrativíssimo furo de reportagem.

Os pecados de Murdoch são amplamente debatidos neste Observatório da Imprensa, por colegas de notável qualificação. Mudemos o ângulo. Como é que as coisas funcionam no Brasil?

 

…e nós

** Um grande grupo de comunicações publicou uma nota, no ano passado, confirmando ter usado os serviços de inteligência da Polícia estadual em auxílio às suas reportagens. Um ganso (delator) da Polícia foi emprestado à empresa, que o usou amplamente, até atuando em conjunto com equipes de reportagem.

** Uma das equipes de reportagem de um grande grupo jornalístico brasileiro participou de uma operação policial que visava documentar uma tentativa de suborno. Como a disputa envolvia dois grupos empresariais, um deles com apoio de agentes policiais, a empresa jornalística não se limitou ao contato mais estreito do que o aceitável com a Polícia, mas tomou parte na luta de empresários.

** No troca-troca de favores, houve repórteres que sempre tiveram preferência das autoridades no acompanhamento de operações policiais – o que significa que o sigilo das operações foi rompido em benefício de determinados repórteres “amigos dos hômi” e das empresas em que trabalham.

** Boa parte da imprensa se deleitou com as informações que recebia de um procurador da República, com denúncias sucessivas contra as autoridades. Só um repórter conferiu a documentação – e descobriu que tinha sido produzida, quase no total (mais de 90%), nos escritórios de advocacia das partes adversárias dos acusados. O mal já estava feito: quem sofreu, sofreu. O procurador calou-se tão logo o partido de sua preferência chegou ao poder. Alguém, nos meios de comunicação, fez mea culpa pela negligência na apuração?

** Um repórter chegou ao extremo de forjar um diálogo que simplesmente não existiu entre o delegado que fez uma prisão e o prisioneiro. O objetivo era mostrar como o delegado era maravilhoso e o prisioneiro, um ser abjeto.

** Comentário do corregedor de ética e disciplina da OAB de São Paulo, Romualdo Galvão Dias, a respeito da Operação Anaconda, em que não houve gravação telefônica que não vazasse para a imprensa (que retribuiu ao noticiar acriticamente as falhas do trabalho policial): “Aquilo que foi vendido à opinião pública brasileira como uma ‘mega-operação’ da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ‘uma investigação como jamais vista na história’, tem se revelado apenas um amontoado de trapalhadas, prisões injustas, acusações sem provas e linchamento moral de inocentes”.

Um pouco diferente do que ocorre na Inglaterra, talvez. Mas não muito. E precisa ser corrigido com urgência, como parece que, enfim, ocorrerá na Inglaterra…”

PARA LER A ÍNTEGRA DA SEÇÃO “CIRCO DA NOTÍCIA”, CLIQUE AQUI.

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