Da gripe às eleições: por que a era da desinformação exige regulamentação urgente – por Luciana Carvalho
Consequências no dia a dia “estampadas em manchetes reais e nada falsas”

A expressão fake news vem sendo usada para se referir a qualquer conteúdo falso ou impreciso que circula nas plataformas digitais – ou mesmo a matérias jornalísticas que desagradam certos grupos. As tentativas de pesquisadores por delimitar o termo não fazem muito sucesso fora do meio acadêmico. Desordem informacional, desinformação, pós-verdade – são conceitos que se diferenciam apenas entre estudiosos. E tudo bem, desde que a ciência e a educação sigam firmes nessa disputa. O problema real, no entanto, tem crescido na velocidade das mudanças climáticas, também vítimas da desinformação e do negacionismo.
Suas consequências já estão aqui, agora, no nosso dia a dia, estampadas em manchetes reais e nada falsas. O Rio Grande do Sul bateu recorde de mortes de idosos por gripe. O Brasil, pela primeira vez em décadas, aparece entre os países com os piores índices de vacinação infantil. Adultos que optam por não se vacinar ou não levar os filhos pequenos para receber as imunizações são vítimas de campanhas antivacina pesadas, que chegam aos seus grupos e redes on-line, promovendo o encontro perigoso entre o viés de confirmação e laços de afeto e confiança. Estamos falando de campanhas coordenadas mundialmente por grupos políticos cujo interesse é fragilizar para controlar.
As estratégias lembram aquelas usadas pela indústria do tabaco, décadas atrás, para arregimentar defensores, e que hoje são replicadas por fabricantes e vendedores de suplementos alimentares que prometem prevenção e cura de doenças sem qualquer evidência científica.
Em nome do lucro a qualquer custo, influenciadores vendem a alma para anunciar jogos de aposta, produtos enganosos e ideias que transformam legiões de seguidores em presas fáceis. Não por acaso, o Fórum Econômico Mundial e a Unesco já classificam a desinformação como o principal risco global de curto prazo.
Indústrias e grupos políticos sem escrúpulos têm usado a desinformação – ou as fake news – como estratégia de captação para fins nada nobres. A cada dia, vemos ao redor pessoas que lembram zumbis ou as vítimas da máfia dos opioides nos Estados Unidos, retratada em produções como A Máfia da Dor.
O filme mostra como uma empresa farmacêutica lançou no mercado um opioide tão viciante quanto a heroína, desencadeando uma das maiores crises sanitárias daquele país. Por trás das mentiras, havia lobby, médicos cooptados e eventos glamourosos.
Em 2026, teremos eleições no Brasil. O cenário é alarmante diante do que a desinformação, aliada à popularização da Inteligência Artificial Generativa (IAG), tem demonstrado ser capaz de produzir. Já circulam vídeos inteiros, com apresentadores e plateia gerados por IA, simulando programas de auditório com realismo assustador. E uma parcela considerável dos usuários sequer possui o letramento digital necessário para distinguir realidade de ficção.
Mesmo pesquisadores e profissionais da comunicação, à primeira vista, hesitam diante dessas produções. Com o tempo, os olhos se acostumam, e conseguimos identificar o caráter sintético do conteúdo. Mas a IA também evolui. Em breve, até especialistas terão dificuldade de separar o que é real do que é fabricado.
Vimos um prenúncio do que veremos no ano que vem, há poucos dias, na guerra de narrativas sobre as novas taxas do IOF: governo, oposição e influenciadores se enfrentaram com vídeos e discursos artificiais, numa disputa digital marcada por desinformação. Se nada for feito, mergulharemos de vez num mundo distópico em que verdade e fato serão apenas questão de opinião. A regulamentação das plataformas digitais e da Inteligência Artificial não é mais um debate sobre o futuro – é uma urgência civilizatória. Sem ela, corremos o risco de voltar às cavernas, com a diferença de que, agora, elas terão wi-fi.
Consequências no dia a dia “estampadas em manchetes reais e nada falsas”
(*) Luciana Carvalho é professora do departamento de Ciências da Comunicação da UFSM e também líder do grupo de pesquisa Desinfomídia UFSM/CNPq). O artigo acima foi publicado originalmente no site da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (AQUI) e reproduzido com a autorização da autora.





Resumo da opera. Quantos grupos de pesquisa e cursos de pos-graduação strictu sensu o Brasil precisa? Do jeito que está é muito dinheiro jogado fora. Esquema de piramide academica, cursos que só servem para formar gente para trabalhar onde estudaram. Obvio que não existe vaga para todos, na dança das cadeiras os ‘peixes’ sentam primeiro. O que sobrar vai para as redes ou para as redes de baixos salarios.
Graduação, mestrado e doutorado na mesma instituição. ‘Representante da UFSM no Programa de Combate à Desinformação do Supremo Tribunal Federal (STF).’
‘Sem ela, corremos o risco de voltar às cavernas, com a diferença de que, agora, elas terão wi-fi.’ ‘O mundo vai acabar!’.
‘A regulamentação das plataformas digitais e da Inteligência Artificial não é mais um debate sobre o futuro – é uma urgência civilizatória.’ Modestia é algo que passa longe dos vermelhos. A ‘civilização’ depende deles. Assim como a ‘democracia’.
‘Se nada for feito, mergulharemos de vez num mundo distópico em que verdade e fato serão apenas questão de opinião.’ Este trem já deixou a estação. Vide a teoria da conspiração das vacinas. Pink e Cerebro estão conspirando para a população não se vacinar.
‘Mesmo pesquisadores e profissionais da comunicação, à primeira vista, hesitam diante dessas produções.’ Não são famosos pela ‘elevada capacidade cognitiva’.
‘[…] ser capaz de produzir. Já circulam vídeos inteiros, […]’. Os ultimos foram gerado pelo PT. Objetivo é só o PT poder se utilizar do artificio.
‘[…] desencadeando uma das maiores crises sanitárias daquele país.’ Problema ianque, censura tupiniquim,
‘Em nome do lucro a qualquer custo, influenciadores vendem a alma para anunciar jogos de aposta, produtos enganosos e ideias que transformam legiões de seguidores em presas fáceis.’ Culpa dos ‘capitalistas malvados’.
‘[…] são vítimas de campanhas antivacina pesadas,[…]’. ‘Estamos falando de campanhas coordenadas mundialmente por grupos políticos cujo interesse é fragilizar para controlar.’ Teorias da conspiração sem base nenhuma. Tudo muito ‘cientifico’.
‘E tudo bem, desde que a ciência e a educação sigam firmes nessa disputa.’ Ciencia e jornalismo são como agua e oleo.
‘[…] ou mesmo a matérias jornalísticas que desagradam certos grupos.’ Ou seja, ‘jornalistas’ são seres caídos do céu e não erram nunca. Nunca tentaram manipular a opinião publica.