Balada Segura: quando o risco era menor – por Marcelo Arigony
“Santa Maria era diferente. Trânsito era diferente. Havia muito menos veículos”

As operações Balada Segura voltarão às ruas de Santa Maria. A notícia costuma dividir opiniões. Há quem aplauda. Há quem critique. Mas, para além da fiscalização em si, ela provoca uma reflexão interessante.
Sou de um tempo em que o risco parecia menor. Não porque as pessoas fossem mais prudentes. Pelo contrário. Mas naquele tempo não era raro ver alguém dirigindo com uma lata de cerveja na mão. Tempo em que muitos andavam de moto sem capacete. Em que adolescentes dirigiam carros nas estradas do interior – e da cidade – antes mesmo de terem habilitação.
Também sou de um tempo em que sequer existiam os crimes de trânsito que conhecemos hoje. Não estou dizendo que aquilo era melhor. Era apenas diferente.
Santa Maria era diferente. O trânsito era diferente. Havia muito menos veículos circulando. Muito menos.
Nas últimas décadas, a frota cresceu, a cidade cresceu e a circulação aumentou de forma impressionante. E quando se multiplicam os veículos, multiplicam-se também as possibilidades de erro. Uma distração. Uma ultrapassagem mal calculada. Uma mensagem no celular. Algumas doses de bebida.
A matemática é simples: quanto maior o movimento, maior o potencial de conflito. Talvez por isso a sociedade tenha se tornado menos tolerante com comportamentos que antes eram vistos com certa naturalidade. Não porque as pessoas tenham mudado radicalmente. Mas porque o tamanho do risco mudou.
Durante 25 anos na Polícia Civil, vi inúmeras situações em que essa conta não fechou. E quase nunca encontrei alguém que tivesse saído de casa pensando em causar um acidente. O que encontrei foram pessoas convencidas de que nada aconteceria. Que o risco era pequeno. Que estavam no controle. Talvez essa seja uma das características mais humanas que existem: somos rigorosos para enxergar os riscos dos outros e bastante compreensivos com os nossos.
A retomada da Balada Segura não muda essa realidade. Mas nos lembra dela. Porque o trânsito de hoje não é o trânsito de ontem. A cidade de hoje não é a cidade de ontem. Sou de um tempo em que o risco parecia menor.
Ou talvez estivesse apenas mais escondido. O fato é que ele cresceu junto com a cidade. E já não vivemos mais naquele tempo.
(*) Marcelo Arigony é Advogado e Professor, ex-Delegado da Polícia Civil. Ele escreve no site às quartas-feiras.





Resumo da opera. Esquecendo o que de noite acontece. Vias rapidas de SM tem sinaleiras muito proximas uma das outras. Bocabertas (antigamente chamavam de ‘moscões’) atravancam o transito (alas, não sabem nem fazer compra nos supermercados). Proprietarios(as) de banheiras brancas e similares utilizam ruas secundárias. Onde limite de velocidade é coisa da Globo. Vai morrer gente.
Comparar com antigamente e dizer que hoje é diferente além de ser perda de tempo é inútil.
‘O que encontrei foram pessoas convencidas de que nada aconteceria.’ Não é da natureza humana? Noutra semana um pessoal da Italia não entrou numa caverna mergulhando sem equipamento correto e sem a formação para tanto? Morreram todos.