Cômico ou trágico? Estado mínimo foi para as cucuias. Mas a MG resiste a entregar os anéis
Não fossem trágicas as conseqüências para a sociedade e até se poderia dar boas risadas ao se verificar os desdobramentos da crise ianque. Mas a insistência em se manter os anéis, inclusive porque eles são de ouro e diamante, torna a situação trágica para a sociedade.
Explico com exemplos concreto: na hora em que é necessário e urgente resolver o problema das estradas gaúchas, em vez de se adotar o pedágio comunitário administrado pelo DAER e que dá excelentes resultados para os usuários, entre Passo Fundo e Erechim, vamos dar uma doceira (nada de docinho) inteira para as concessionárias que já levaram um trocão nos últimos 10 anos.
Enquanto isso, até o FMI – olha só a ironia -, que se especializou em humilhar as nações mais pobres do planeta tornando-as miseráveis, agora adota outro discurso. Seu diretor-gerente, Dominique Strauss-Kahn, ao elogiar os chineses, cujo governo estimulou a economia local com um pacotaço de US$ 586 bilhões, e Barack Obama, que quer impulsionar a economia americana com benefícios fiscais, deixou claro que os gastos públicos devem ser ampliados para impulsionar o crescimento.
Pois é. E aqui, o que diz a nossa mídia grandona, atordoada com o esboroamento de seus princípios? Ora, faz que nem te ligo. Um importante jornal gaúcho e digno representante da MG, disse esta semana, em editorial, que os governantes deveriam pensar em cortar gastos públicos, em vez de elevar receitas. Quer dizer, a idéia é manter os anéis. Aqueles, cheios de brilho. Enquanto isso, a sociedade que se lixe.
Sobre essas contradições todas, com o fim da história de o Estado mínimo é o que conta, vale a pena ler o artigo de Antonio Augusto de Queiroz, jornalista, analista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O texto foi originalmente publicado no sítio Congresso em Foco. A seguir:
A crise, suas causas e conseqüências
A tempestade financeira, para usar uma expressão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, ou o terremoto, como diz Ignácio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, são os adjetivos mais amenos para qualificar a maior crise do sistema financeiro, depois de 1929.
O mundo virtual, de faz de conta, que movimenta seis vezes a riqueza mundial sem qualquer regulamentação, algo como 250 bilhões de euros, veio a baixo. Os prejuízos são incalculáveis, mas ninguém discute as causas dessa tragédia. Discute-se apenas o que o governo de cada país ou Estado fará para estancar as larvas do vulcão, que derretem mercados mundo afora.
Um debate das causas levaria, inevitavelmente, ao reconhecimento do fracasso das políticas neoliberais, que tinham como slogan, na gestão Reagan, O Estado não é a solução, é o problema. Porém, quando o deus mercado falha e falhará sempre porque sua ganância não aceita limites recorre-se sempre ao Estado, subtraindo recursos que deveriam ser aplicados em favor dos povos. A lógica dos capitalistas, notadamente os rentistas, é sempre a mesma: privatizar os lucros e socializar os prejuízos…
SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a íntegra do artigo A crise, suas causas e conseqüências, de Antonio Augusto de Queiroz, no sítio especializado Congresso em Foco.





ATENÇÃO
1) Sua opinião é importante. Opine! Mas, atenção: respeite as opiniões dos outros, quaisquer que sejam.
2) Fique no tema proposto pelo post, e argumente em torno dele.
3) Ofensas são terminantemente proibidas. Inclusive em relação aos autores do texto comentado, o que inclui o editor.
4) Não se utilize de letras maiúsculas (CAIXA ALTA). No mundo virtual, isso é grito. E grito não é argumento. Nunca.
5) Não esqueça: você tem responsabilidade legal pelo que escrever. Mesmo anônimo (o que o editor aceita), seu IP é identificado. E, portanto, uma ordem JUDICIAL pode obrigar o editor a divulgá-lo. Assim, comentários considerados inadequados serão vetados.
OBSERVAÇÃO FINAL:
A CP & S Comunicações Ltda é a proprietária do site. É uma empresa privada. Não é, portanto, concessão pública e, assim, tem direito legal e absoluto para aceitar ou rejeitar comentários.