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Virou futebol. Projeto sobre fidelidade partidária prevê até “janela” para os vira-casacas

A criatividade nacional mereceria um prêmio Nobel especial. E a dos políticos, ou de alguns deles, para ser mais justo, talvez devesse receber um Oscar. Pois não é que o projeto que trata da fidelidade partidária, no arremedo em que se transformou a reforma política, abre caminho para os trânsfugas?

 

Até parece futebol. Para quem eventualmente não saiba, o calendário brasileiro do chamado esporte bretão prevê uma “janela” de transferências de atletas oriundos do exterior. Ela se dá em agosto, exatamente em meio aos campeonatos nacionais da primeira e da segunda divisões.

 

Aliás, é uma via de mão dupla, pois coincide exatamente com o calendário europeu, o maior comprador dos craques brasileiros. Assim, colorados  choram a saída de seu ídolo, Alexandre Pato, adquirido pelos italianos do Milan. E os tricolores correm o risco de perder, por esses dias frios de inverno, o seu mais recente astro, o garoto Carlos Eduardo – que pode ser levado por euros alemães, franceses ou portugueses.

 

Pois bem, o projeto que trata da fidelidade partidária, autoria do deputado Luciano Castro, do PR, e que está em vias de ser votado na Câmara, prevê que durante seis meses (não sei exatamente em que época do mandato) qualquer parlamentar possa trocar de partido.

 

Convenhamos, é muito engraçado esse sujeito. O pior é que está rindo de você. De mim. De nós. E  do Tribunal Superior Eleitoral, que já determinou, seguindo a Lei dos Partidos Políticos, que o mandato é do partido. Eitcha, Brasil!

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira a reportagem “Projeto da Câmara deixa brecha para troca-troca partidário”, de Ranier Bragon, da sucursal de Brasília do jornal Folha de São Paulo.

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