Um caldeirão ideológico contra os juros. Mas não apenas

Pelo menos trezentas pessoas, segundo visualização deste jornalista por volta das 9h20, se reuniram na esquina da rua Venâncio Aires com a avenida Rio Branco. O objetivo era protestar contra a elevada carga tributária. O evento foi organizado e convocado pelas entidades empresariais -especialmente Câmara de Dirigentes Lojistas, mas também o Sindicato dos Lojistas e a Câmara de Comércio e Indústria, entre outras.
      Não há dúvida: nem que fosse apenas pelo ineditismo, mas o ato também pode ser considerado histórico pelo fato de, pela primeira vez em tantos e tantos e tantos anos, estabelecimentos fecharem suas portas, por uma hora que fosse, para reclamar publicamente de uma situação que, normalmente, só é discutida intramuros. Ou, no máximo, através de manifestações públicas individuais.
      E cerraram, sim, suas portas, várias conhecidas casas comerciais, como foi possível notar no calçadão. O locaute chamou a atenção de muitos que por ali passaram até às 10 da manhã. E, enfim, o que aconteceu pode ter um significado futuro de alcance hoje inimaginável. Ou, na pior das hipóteses, pode ser um indicativo importante para as lideranças empresariais, que viram que estar nas ruas não dói. Ao contrário, revigora – basta anotar o entusiasmo evidente do presidente da CDL, ao ocupar o microfone.
      Na verdade, na verdade, também é preciso dizer que houve uma comunhão de forças (não necessariamente de propósitos)entre os empresários e os trabalhadores públicos municipais (servidores e professores) que se encontravam na praça, e aproveitaram muito bem a ocasião para dar o seu recado que, objetivamente, é muito mais em função de salários (baixos) do que dos juros (altos).
      Isso, no entanto, não deslustra o principal. Sim, os empresários foram para as ruas. E gritaram. O que é bom. Sempre é interessante expor publicamente o pensamento. Mesmo que seja, como foi, num verdadeiro caldeirão ideológico como o que vi bem no centro da cidade, esta manhã.



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