Cassel. Do tempo em que o ministro era mais que só um estudante de engenharia da UFSM

Pode parecer saudosismo. Provavelmente seja. Então, que seja. Mas, enfim, por alguns momentos – lendo nota enviada aos veículos de comunicação, pela assessoria de imprensa da Prefeitura – voltei ao final dos anos 70, início dos 80. Beeem no início, aliás.

Àquela época, a efervescência era a norma, na Universidade Federal de Santa Maria. Então, a única grande instituição de ensino superior da cidade, secundada pela mui valorosa FIC (Faculdade Imaculada Conceição) e pela também aguerrida Facem (Faculdade de Enfermagem). Ambas deram origem, já nos anos 90, à Unifra (Centro Universitário Franciscano).

Um vigoroso movimento estudantil agitava a UFSM – e por tabela as FIC e Facem. Era um tempo em que se pensava ainda em conceitos de “esquerda” e “direita”, para designar os dois pólos políticos.

Sabe-se, mais de duas décadas depois, olhando em retrospectiva, que nem todos tão de “esquerda” assim eram os oposicionistas – que se dividiram em meia dúzia de agremiações, devidamente legalizadas. Então, se aglutinavam no MDB (a partir de 79, PMDB, PDT, PCB, PSB, PT, PC do B, etc, etc, etc), os “esquerdistas”. E na Arena (a partir de 79, PDS, PFL, PL e assim por diante) os “direitistas”.

Por que esse exercício digressivo, perguntará o incauto (e talvez desinteressado) internauta? Simples, muito simples. Voltando ao presente, é possível detectar, no meio político, muitas das lideranças daquela ocasião. Do movimento estudantil direto para a política partidária, com o fim do regime militar.

Quer alguns nomes daquela época? Há os que estão no “poder”, e outros convivem na “oposição”. E todos, em algum momento, militaram politicamente na UFSM.

Dois nomes hoje oposicionistas que me vêm à memória: o coordenador regional do PTB, Mosar da Costa. Era um ativo guardião dos interesses do governo dos anos 70, 80, atuando no Centro de Ciências Sociais e Humanas, a partir do curso de Administração. Um segundo: Onyx Lorenzoni, deputado federal pelo PFL/RS, então um militante restrito ao Centro de Ciências Rurais, mais exatamente no curso de Medicina Veterinária.

Pelo lado do poder de agora, também uma dupla. O vice-prefeito (aliás, prefeito, a partir de segunda-feira) Werner Rempel, que inicialmente no MDB, depois no PMDB, e de nunca negadas, nem confirmadas, ligações com o MR 8, grupo de esquerda que esteve na clandestinidade muito tempo, e que nesse instante é um ativo petista. Atuava no curso de Medicina, tendo sido presidente do Diretório Acadêmico do Centro de Ciências da Saúde. Outro, o deputado estadual do PT, Estilac Xavier. Presidente do Diretório do Centro de Tecnologia, lembro dele como exímio planejador, organizador e coordenador de campanhas para o DCE. Coisas de engenheiro, imagino. Mas fundamental nas hostes de esquerda.

E deixei para o final (meio que contrariando as regras jornalísticas, que indicam ser o principal necessariamente colocado no início) o motivo da minha volta mental aos tempos muito profícuos de universidade. Está na cidade, como informa a nota da assessoria da prefeitura, nesta sexta-feira, e imagino que fique até o final de semana, outro expoente daquela época. Trata-se de Guilherme Cassel, que está, aliás, no centro no poder. E queeee poder. Afinal, virou ministro do Desenvolvimento Agrário. Ele que é, salvo engano, auditor fiscal concursado do Rio Grande do Sul, tendo atuado na secretaria da Fazenda no governo petista de Olívio Dutra.

É outro engenheiro, da turma (não necessariamente da aula) de Estilac, naqueles tempos. E a sua presença na cidade (representando o Presidente da República na Feira de Economia Solidária) é que provocou todo esse saudosismo. Se o leitor me perdoar, fico satisfeito. Mas não pude deixar de registrar isso. Afinal, memória deve existir para alguma coisa, não?!

EM TEMPO: Lembro de muito mais gente daquela época, dos dois lados da disputa política. Com eles mantenho relação cordial, amistosa e respeitosa. Mas não poderia citar a todos. Porque poderia esquecer algum, cometer injustiça e, cá entre nós, não ficaria bem. Mas me desculpo com os demais, apenas fazendo uma pergunta. Tenho muita curiosidade, nada além disso. Vai que alguém saiba a resposta: onde andará Gilberto Lang, eleito presidente do DCE em 1979, e que foi o início de uma retomada democrática no interior do movimento estudantil na UFSM?



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