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Análise. As razões por que Lula deverá vencer

O jornalista Kennedy Alencar é repórter especial da Folha de São Paulo e colunista da Folha Online, o braço de internet do jornalão paulista. Escreve às sextas-feiras na coluna “Pensata” e, aos domingos, a “Brasília Online”.

É um interessante observador das coisas da política na capital federal. E, nesta sexta-feira, avançou na sua avaliação dos motivos pelos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança sobre o eleitorado, a ponto de estar a muito poucos metros da fita de chegada do pleito, garantindo um novo mandato de quatro anos.

Alencar faz considerações sobre os equívocos políticos dos oposicionistas, mas, sobretudo, analisa as, na opinião dele, três grandes decisões políticas tomadas por Lula. E mais: explicita, com clareza – concordemos ou não com o resultado – onde ele acertou em cheio. E na decisão em que errou de forma rotunda, a ponto de (quase) comprometer o próprio futuro político.

Para entender melhor, nada como ler o artigo, aliás muitíssimo bem escrito. Para o bem ou para o mal. Confira:

”Lula faz um bom governo

Quando eleito presidente em outubro de 2002, Luiz Inácio Lula da Silva disse numa conversa informal que tinha três grandes decisões a tomar: impedir um desastre na economia, resgatar parte da dívida social e não errar na política ao montar uma base de apoio no Congresso.

No atacado, Lula acertou nas questões econômica e social. Apesar de críticas pontuais, o Brasil melhorou nessas áreas. Um dos principais motivos foi Lula ter dado continuidade e ampliado políticas que tiveram início no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na articulação política, porém, o petista patrocinou um desastre.

Lula tem feito um bom governo. O Brasil não virou uma maravilha em quatro anos. Mas os mais pobres realmente foram beneficiados pelo controle ainda mais rigoroso da inflação e por políticas de descompressão social. A principal promessa de 2002 foi cumprida.

Por menosprezar isso, a oposição caminha para a derrota. Jogou todas as fichas na esperança de que escândalos de corrupção abateriam o presidente e deixariam em segundo plano a mudança para melhor na vida dos mais necessitados. Num país tão desigual e pobre, olhou para a árvore, mas não enxergou a floresta.

De acordo com pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira (22/08), o governo Lula teve aprovação recorde desde 1987, quando o instituto começou a avaliar administrações federais.

No Datafolha, 52% dos entrevistados consideram o atual governo ótimo ou bom. Para 31%, é uma gestão regular. E 16% a avaliam como péssima. Será que tanta gente está errada? Ou será que a oposição e a imprensa não enxergaram alguma coisa?

Abaixo, seguem bastidores que mostram como Lula agiu a respeito de cada uma das três grandes decisões que ele próprio listou como prioritárias. Teve sensatez e ousadia em duas delas. Omitiu-se e foi inábil na terceira.

A revelação e a dura travessia

Lula passou a campanha de 2002 dando corda à idéia de que um empresário comandaria o Ministério da Fazenda. Precisava se mostrar confiável aos mercados e à elite nacional. Depois de ter vencido o tucano José Serra em segundo turno (25 de outubro), Lula discutiu com seu “núcleo duro” (grupo de auxiliares com o qual tomava as grandes decisões) uma mudança de plano: a área econômica ficaria a cargo de um petista de sua confiança.

“Agora que eu ganhei, vou dar a Fazenda para alguém de fora do PT? Claro que o ministro será do PT”, disse Lula a um confidente no início de novembro de 2002. Optou pelo médico Antonio Palocci Filho, que propôs uma “travessia dolorosa”: aperto fiscal e monetário mais rigoroso do que o implementado por FHC.

Lula bancou o ministro, que o persuadiu cotidianamente a não mudar de rumo. Em alguns momentos, Palocci esteve quase fora do governo por conta de maus resultados econômicos. Mas acabou caindo no “caseirogate” por uma atitude incompatível com o estado democrático de direito. Palocci foi a maior revelação política do governo Lula, para o bem e para o mal.

Hoje, o PT que tanto bombardeou o paloccismo comemora o bom desempenho econômico na propaganda na TV. Em 2006, o Brasil terá inflação na casa dos 4% e um crescimento do PIB entre 3,5% e 4%.

“Solta mais dinheiro aí, Palocci”

A frase acima foi dita por Lula no final de 2003, quando o governo criou o programa Bolsa-Família e começou a desenhar uma política social mais ampla que a da gestão anterior. No Palácio do Planalto, Lula e Palocci se reuniram com idealizadores do Bolsa-Família que apresentariam as metas ano a ano até 2006.

Lula foi informado de que FHC investira em 2002 cerca de R$ 2 bilhões em programas de transferência de renda com condicionalidade (que os filhos freqüentem a escola, por exemplo). Palocci pensou em dobrar esse valor, mas Lula achou pouco. Disse que tinha sido informado de que 11,2 milhões de famílias formavam uma “linha da pobreza” no país. Esse era o número de pobres apontado pela Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2002, com…”


SE DESEJAR ler a íntegra do análise, pode fazê-lo acessando a coluna “Pensata”, no portal Folha Online, no endereço http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/.

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