Eis o problema. Além da questão política, PT teme perder mais de mil cargos federais
Está certo, se você pensa que o PT esperneia porque, conforme decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai perder ministérios – que serão destinados aos partidos aliados, para dar maior sustentação política à coalizão de governo. Os petistas temem que uma maior participação do PMDB, por exemplo, e também de outras agremiações, poderá reduzir as chances de um nome do partido alçar-se como concorrente viável à sucessão de Lula, em 2010.
Trata-se, do ponto de vista político, de um bom argumento. Tanto que não é à toa que se concorde com ele. Mas não é só isso. Ah, não é. Existem razões muito práticas, também, que fazem com que o petismo, especialmente o vinculado à direção atual da sigla, se esbofeie em busca da manutenção, e se possível da ampliação, do espaço que teve no primeiro mandato.
Sim, é isso mesmo: dos cerca de 20 mil cargos federais disponíveis, há um naco de boa$ funções, que renderiam bastante ao PT. E que, com a tese vigorante nas ações de Lula, que o partido que tiver ministério poderá nomear todos os cargos da pasta, a coisa se complica bastante. E estima-se que o PT venha a perder qualquer coisa como 1,2 mil CCs no país inteiro.
Que tal? Não é uma excelente razão para brigar? Os petistas acham que sim, segundo aponta reportagem de Eduardo Scolese e Pedro Dias Leite, da sucursal de Brasília do jornal Folha de São Paulo, e que passo a reproduzir. Vale a pena ler. A seguir:
PT teme perder 1.200 cargos com reforma
O PT pode perder mais de 1.200 cargos na reforma ministerial que se avizinha, o que dá uma boa medida do grau de ansiedade dos dirigentes petistas pela manutenção dos seus postos de primeiro escalão.
Quatro pastas comandadas hoje pelo partido e que podem ser entregues a aliados (Defesa, Pesca, Previdência e Relações Institucionais) controlam 1.264 cargos comissionados, que são preenchidos por nomeação, sem concurso público.
Em toda a Esplanada dos Ministérios, existem 19.802 cargos desse tipo. Seus salários variam de R$ 1.232 a R$ 7.595 e podem ser preenchidos a critério de cada ministro. Em muitos casos, o cargo de DAS (Direção e Assessoramento Superiores) é usado para acomodar indicados políticos de diferentes partidos e Estados.
A disputa entre os partidos se concentra em abocanhar o “filé mignon” desses cargos, 3.884 postos com salários a partir de R$ 4.898 e auxílio-moradia próximo a R$ 1.800…





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