Análise. Se segundo turno vier, o jogo é zerado

Como sempre faço, após a divulgação de pesquisas eleitorais presidenciais, escolho um dos muitos observadores políticos baseados no centro do País, para reproduzir aqui. É a análise de quem está, em tese, mais próximo dos fatos e discussões políticas nacionais.

Confesso que tive certa dificuldade, após a divulgação dos levantamentos feitos pelo Ibope e pelo Datafolha, na noite deste sábado. A quase totalidade dos analistas, mais que avaliar a realidade possível, comportou-se como torcedor. De Lula, menos, bem menos; de Alckmin, mais, beeem mais. Mas um, ufa, mostrou-se equilibrado, na minha (nem sempre) humilde avaliação.

Trata-se do jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo. Leia o que ele escreveu, a respeito do que pode ocorrer, a partir das pesquisas e, sobretudo, as conseqüências eleitorais dela. E, mais ainda, o que pode acontecer, se um segundo turno eventualmente se confirmar. Confira:

”Se vier o 2º turno, reeleição de Lula corre risco

Duas pesquisas divulgadas há pouco – Datafolha e Ibope – revelam que há um empate entre os votos atribuídos a Lula e à soma de seus adversários. Ou seja, é impossível prever se haverá ou não um segundo turno. O presidente da República precisa rezar para que a coisa se defina já. Do contrário, corre sérios riscos de arrostar uma derrota.

O Datafolha simulou o eventual segundo turno entre Lula e Geraldo Alckmin. Informa que o presidente teria 49% dos votos, contra 44% do adversário tucano. Uma diferença de escassos cinco pontos. Com uma agravante: Lula está em curva descendente. Alckmin, ascendente. Há três dias, na mesma simulação, Lula aparecia com 52% dos votos; Alckmin, 41%.

A julgar pelos números do Datafolha, é impossível dizer se a eleição deste domingo será ou não definida no primeiro turno. A soma dos votos atribuídos a Lula (50%) é exatamente igual ao percentual atribuído a todos os seus adversários juntos (50%). Lula caiu três pontos em três dias. No dia 27, tinha 49% das intenções de voto. Hoje, tem 46%. Alckmin tinha 33% e oscilou para 35%, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos para mais ou para menos.

Pelos números do Ibope, a soma de todos os outros candidatos (50%) supera em um ponto o percentual de votos atribuídos a Lula (49%). Também por essa sondagem, Lula teria perdido três pontos percentuais nos últimos três dias. Foi de 48% para 45%. Alckmin também oscilou dois pontos para cima: de 32% para 34%. De novo, dentro da margem de erro, que é de dois pontos.

Lula chega às urnas em posição menos confortável do que gostaria. Deve a corrosão do seu índice de intenção de votos aos “aloprados” do PT. A tentativa de compra do dossiê contra políticos do PSDB reavivou no imaginário do eleitor perversões que o eleitor parecia disposto a negligenciar.

De resto, Lula deve estar se condoendo por não ter comparecido ao último debate televisivo entre os presidenciáveis, na última quinta-feira. Teria apanhado dos adversários do mesmo jeito. Mas não teria ficado…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, pode fazê-lo acessando a página do jornalista na internet, no endereço http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/.



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