Mídia. Afinal, a imprensa pode tudo? Crítica contra o comportamento dela não vale? Será?

Não deixa de ser interessante. Bem, pode ser outra coisa, mas enfim, fiquemos com essa expressão, para começar. Interessante. O quê? O fato de as entidades de classe, tipo Associação Nacional de Jornais, por exemplo, não darem uma linha para a absurda condenação do colunista Emir Sader, a um ano de detenção, cabendo ainda recurso. Ele, supostamente, injuriou a Jorge Bornhausen, presidente do PFL, a quem atribuiu, em artigo publicado, a condição de “racista” – por ter dito, em rede nacional, que “por 30 anos nos livraremos dessa raça”, se referindo ao PT.

Não importa se concordo ou discordo de Sader. Mas reconheço o direito dele escrever o que escreveu – afinal, liberdade de imprensa é isso. Ou não? Não, segundo um juiz de primeira instância de São Paulo. Mas… e a ANJ? E outras entidades de veículos de comunicação? Nada? Nadinha? Nadinha de nada? Interessante, não? Inclusive porque, se isso virar norma, Diogo Mainardi, colunista da Veja, entra e não sai nunca mais da cadeia. Ou o que ele escreve não é injúria? Hein? (ah, só para constar, não quero que Mainardi seja preso)

Já em relação a suposta intimidação de três repórteres da revista Veja, por policiais federais, recebeu a devida atenção, com direito a primeira página de todos os jornais grandões. Mesmo que a Procuradora da República tenha desmentido os profissionais. Corporativismo, esteja certo, não é comigo. Mas, enfim, deixemos assim. E vamos conferir um artigo sobre o comportamento da mídia grandona. Quem o escreve é o coordenador de Economia e Negócios da agência de notícias britânica Reuters, Mair Pena Neto. Ele também já trabalhou nos jornais O Globo e Jornal do Brasil, entre outras atividades na imprensa escrita.

Pena reflete sobre o comportamento da imprensa, e aí ele não distingue entre donos de veículos de comunicação e profissionais contratados. Vale a pena. Confira:

”A IMPRENSA NÃO SABE SER CRITICADA

Curioso o comportamento da mídia brasileira. Ela tudo pode, mas que ninguém a toque. Agora, arma-se um circo por conta de militantes que hostilizaram alguns jornalistas e pelas críticas feitas a sua conduta durante as eleições pelo presidente do PT, Marco Aurélio Garcia. Em relação ao depoimento de repórteres da Veja à Polícia Federal, é precoce tecer comentários, já que, até agora, é a palavra de um contra o outro, sem a certeza de quem está com a verdade.

Longe de mim defender atitudes truculentas de militantes, embora compreensíveis. Não é a primeira vez que a população reage contra a imprensa. Após o suicídio de Vargas, alguns jornais foram empastelados pela identificação que tinham com a campanha que levou o presidente ao ato extremo de tirar a própria vida. Mais recentemente, ficou famoso o slogan “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”, gritado por manifestantes inconformados com o que consideravam manipulação da vida política brasileira pela emissora.

O que pretendo discutir é a dificuldade da imprensa brasileira em lidar com a crítica e, questão maior, o temor que tem da menção à democratização dos meios de comunicação. Em um período de maior controle social dos poderes, a mídia brasileira parece pouco preparada a qualquer fiscalização.

A crítica de Marco Aurélio Garcia, e ele não foi o único, ao comportamento da imprensa durante as eleições não tem nada de incitador e violento. O que Garcia pediu foi uma reflexão da mídia sobre seu papel e comportamento. Uma atitude civilizada e democrática. A imprensa saiu chamuscada destas eleições no mínimo por ter servido a interesses eleitorais e ter endossado as mentiras do delegado da Polícia Federal que entregou a jornalistas as fotos do dinheiro apreendido com petistas.

Mais uma vez esclareço não ser contra a divulgação das fotos, material jornalístico, desde que não corroborada a versão criada pelo delegado e de conhecimento dos repórteres e seus editores. No episódio, a imprensa foi pautada pelo interesse do delegado e leitores e espectadores enganados pelo que supunham furo jornalístico.

As primeiras reações da mídia, no entanto, levam a crer que o debate instado pela sociedade e que se mostra urgente até pelas atitudes extremas de que jornalistas têm sido vítimas não é muito bem-vindo. Jornais e revistas já reagiram com pedras na mão utilizando a tática de colocar no mesmo saco atitudes isoladas de militantes com críticas substanciais.

Entre elas, destaca-se a do deputado eleito Ciro Gomes, que chamou a atenção para a necessidade da democratização dos meios de comunicação. Esta é uma discussão antiga que se reforça quando os que concentram a mídia brasileira são questionados pela sociedade, como nessa eleição.

Ciro defendeu o incentivo aos meios de comunicação alternativos, o fortalecimento das cooperativas de jornalistas, as produções regionais, critérios de concessão de canais e financiamento para isso. Matéria de interesse de todo jornalista, mas do qual os donos dos meios de comunicação querem distância.

O Globo, em sua edição de quarta-feira, primeiro de novembro, disse que Ciro defendeu o incentivo financeiro para veículos que apóiem o governo, o que não apareceu em nenhum momento da entrevista do…”


SE DESEJAR ler a íntegra do artigo, pode fazê-lo acessando a página “Direto da Redação” na internet, no endereço http://www.diretodaredacao.com/.



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