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Parlamento. Assembléias elitistas. Empresários e políticos dominam; menos médicos e advogados

Pode parecer extravagante escrever “políticos”, como escrevi no título. Mas não é. Trata-se da forma como muitos deputados estaduais ou distritais (Brasília) se descrevem, ao lhes ser perguntada a profissão. E eles, aliás, os políticos profissionais, autodesignados como tais, são a maioria – com os empresários em segundo lugar – dos parlamentares estaduais eleitos em 1º de outubro, em todo o País.

Em compensação, caiu o número de profissionais liberais, especialmente os médicos e, sobretudo, os advogados. De onde eu tirei isso? De uma reportagem publicada neste domingo pela Folha de São Paulo, e reproduzida no braço de internet do jornalão paulista. Que, por sinal, tem como foco principal os bens declarados pelos eleitos. E, aí, uma nova constatação: pesquisando o perfil socioeconômico dos deputados, os repórteres João Carlos Magalhães e Thiago Reis descobriram que o patrimônio médio dos próximos parlamentares é quase 100% superior ao da atual legislatura.

Quer saber mais detalhes, inclusive, por exemplo, o grau de escolaridade dos eleitos em outubro? Leia a reportagem que passo a reproduzir:

”Bens de deputados estaduais somam R$ 1 bi

As Assembléias Legislativas do país estarão mais elitizadas no próximo mandato. Levantamento feito pela Folha sobre o perfil socioeconômico dos novos deputados estaduais e distritais mostra que, em comparação com os eleitos em 2002, o patrimônio médio cresceu 72%, o número de empresários aumentou em 34 e mais parlamentares (710) agora têm o ensino superior completo.

Os 1.059 deputados estaduais eleitos têm, juntos, R$ 1 bilhão no total de bens declarados (R$ 640 milhões a mais que os de 2002). O patrimônio médio chegou a R$ 965 mil. Em 2002, era de R$ 560 mil.

“Isso mostra realmente uma certa elitização. Mas ela é positiva, pois denota que as pessoas mais preparadas, que têm maior peso na vida econômica e social brasileira, estão se interessando pelas candidaturas das Assembléias, o que provavelmente vai fortalecer essas instituições”, afirma o cientista político Geraldo Tadeu, da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

O número de milionários nas Assembléias quase dobrou. São 205 milionários eleitos, contra 114 da eleição passada. O PMDB lidera a lista, com 45. O PSDB tem 44, e o PFL, 40. O PT tem quatro. A Assembléia de Minas abriga 32 deputados com mais de R$ 1 milhão de patrimônio. São Paulo tem 25. O mais rico é o empresário Otaviano Pivetta (PDT-MT), que declarou R$ 82 milhões.

Ensino superior

Os dados revelam ainda que 67% têm ensino superior completo -índice superior ao de 2002 (62%). Dado da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), feita pelo IBGE, mostra que só 5,6% da população brasileira estudou 15 anos ou mais –tempo mínimo necessário para se completar um curso universitário.

Para Tadeu, esse é mais um dado que revela a “inclusão política” nas Casas. “As Assembléias sempre foram uma instância menos prestigiada, às quais concorrem pessoas com menor formação, com menores recursos, que têm pouca visibilidade pública.”

Empresariado

Em relação à profissão declarada, os empresários se tornaram a segunda principal ocupação das Casas. São 80 eleitos neste ano. Em 2002, eram 46 empresários – houve um aumento de 74%.

Segundo o cientista político, isso representa uma mudança no padrão. “Até 2002, havia o não-envolvimento direto do empresário brasileiro na política. Agora, ele considera melhor ser o próprio porta-voz do seu setor do que financiar políticos que ele, na verdade, não controla.” Tadeu diz que isso decorre em parte do…”


SE DESEJAR ler a íntegra da reportagem, e outros textos sobre o assunto, pode fazê-lo acessando a página de “Brasil” do portal da Folha Online, no endereço http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u86340.shtml

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