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Mancha. Jornalista questiona (e mostra por que) a isenção do ‘Observatório da Imprensa’

Que não se tire do Observatório da Imprensa o pioneirismo. Não, isso não. Nem mesmo sua qualidade de revista (com espaço em internet, rádio e tv) capaz de refletir o que acontece nos veículos de comunicação. Não, isso não. Nem mesmo se pode dizer que o pessoal que faz o trabalho do OI seja incompetente ou intelectualmente despreparado, ou mesmo inexperiente. Não, isso também não.

 

No entanto, o OI tem pelo menos um grave defeito, com especial ênfase para seu idealizador, que se proclama (ainda que não diga, claro; inclusive porque não lhe faltam “amigos” para fazer esse serviço) uma espécie de guru de todos os jornalistas. Escrevo de Alberto Dines, o inspirador e mola mestra do Observatório da Imprensa.

 

Só tem um pequenino detalhe: posando de vestal, o OI tem lá seus pecadilhos. Ou pecadões, dependendo do ângulo que se lhe “observe” as ações. Um deles, o mais recente, foi flagrado por um leitor da publicação, em sua versão de internet. O cara, que pra bobo não serve, fez algumas perguntas das mais interessantes. Afinal, não estava entendendo muito bem a defesa furibunda feita pelo OI à empresa de televisão venezuelana que Hugo Chávez “teima” em querer fechar, via não renovação da concessão para funcionar.

 

Será mesmo que Chávez está sendo anti-democrático? A tal TV é, meeesmo, democrata? Que interesses ela defende? Faz o trabalho como determina a sua própria linha de ação? Seu fechamento é mesmo um “atentado”? Hein? E onde a história da TV (aliás, CANTV, salvo engano) se imbrica com as críticas do Observatório da Imprensa, a nossa querida vestal? Não haveria outros interesses por trás da diatribe de alguns, inclusive os principais, articulistas do OI?

 

Não, não sou eu que vou falar disso. Prefiro deixar para alguém pra lá de insuspeito. Luiz Carlos Azenha, pra quem não sabe, é um dos principais repórteres da Rede Globo. E mantém um muito interessante blog na internet, exatamente no provedor da Globo. Mas é corajoso esse Azenha. Olha só o que ele escreve, encontrando um, esse sim, pra lá de suspeito patrocinador do Observatório de Imprensa. Qual? O repórter diz logo no início. Leia você mesmo, e saberá:

 

“Tacape nele: “Vigia” da imprensa que ataca Chávez não revela que recebe dinheiro público americano

 

Eu não perguntei, mas um leitor perguntou ao Carlos Castilho, colunista do Observatório da Imprensa, sobre o dinheiro que a Fundação Ford dá ao OI.

Eu perguntei à
FF, porque eu quero saber o que a Fundação entende por “fortalecer a democracia”.  Quero saber: eles tem algum projeto para financiar quem não observa a imprensa?

Quero sugerir à
FF que financie um jornal da Via Campesina, por exemplo. Eles não concordam com as idéias da Via Campesina? Nem eu, mas eu preciso conhecer as idéias da Via Campesina para discordar delas.

Acho essencial esse debate. A “sociedade civil” brasileira já não é representada pela mídia tradicional brasileira? E os sem-rádio? Os sem-jornal? Os sem-tevê? Vale a pena implantar incubadoras de jornais de bairro ou de rádios e tevês comunitárias através de parcerias público-privadas?

Vamos mudar a legislação e obrigar as distribuidoras de tevê a cabo a reservar alguns canais comunitários, como acontece na cidade-sede da
Fundação Ford, Nova York?

A
FF entraria nessa? Acho que não custa nada ao OI, que prega a transparência, dizer exatamente quanto recebe da FF e o que faz com o dinheiro. O que disse o Carlos Castilho a respeito?

“Gostaria de esclarecer que o
Observatório da Imprensa não depende da Fundação Ford. Ela é apenas uma das várias organizações e empresas que financiam projetos especificos do OI, como foi o caso do Colóquio Latinoamericano Sobre Observação da Imprensa, realizado em São Paulo, no ano passado.


O fato de sermos uma organização sem fins lucrativos nos obriga criar uma rede diversificada de financiadores de projetos para que nossa independência na observação crítica da mídia seja preservada.  Caso você,
Luiz Carlos Azenha ou Vladimir Putin desejem qualquer informação a nosso respeito, é só nos perguntar. Estamos à disposição. Um abraço Castilho.

 

Aqui você encontra informações sobre o colóquio mencionado pelo Carlos Castilho: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/coloquio/

Um dos representantes da Venezuela no colóquio foi o IPYSInstituto de Prensa Y Sociedad – baseado no Peru e com uma seção venezuelana: http://www.ipys.org/index.php

O IPYS da Venezuela, é importante que se saiba, recebeu em 2003 U$ 44.500 dólares do National Endowment for Democracy, dos Estados Unidos; em 2004, U$ 72.000 e em 2005, U$ 74.950. Está no site do próprio NED e não implica em juízo de valor.

Transparência não faz mal a ninguém: http://www.ned.org/grants/venezuelaFacts.html .

Um dos representantes do IPYS no colóquio brasileiro, Ewald Scharfenberg, foi ouvido pelo New York Times quando Hugo Chávez anunciou que revogaria a concessão da RCTV, emissora que participou da disseminação de propaganda golpista contra um presidente eleito.

O que disse Ewald, do IPYS beneficiário do dinheiro americano – ao jornal de Nova York? “This decision can only be seen as a control strategy and an abuse of power,” said Ewald Scharfenberg, executive director of the Institute for Press and Society, a group here that examines press freedom issues.

[“Essa decisão só pode ser vista como estratégia de controle e abuso de poder”, disse Ewald Scharfenberg, diretor executivo do Instituto para a Imprensa e Sociedade, um grupo que examina questões relativas à liberdade de imprensa]

Nenhuma palavrinha do Ewald sobre a escandalosa atuação da mídia venezuelana desde que Chávez assumiu o poder, antes, durante e depois do golpe ou durante o locaute que paralisou a Venezuela”

SE DESEJAR ler a íntegra, e garanto que vale a pena, clique aqui.

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