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O divórcio e a separação: sempre ruins? – por Marionaldo Ferreira

A separação pode ser dolorosa, sim — especialmente quando envolve filhos, sonhos desfeitos ou desequilíbrios emocionais. Mas dizer que é ruim para todos talvez seja simplificar demais.

Para muitos, o divórcio é uma libertação, uma chance de recomeçar.

Permanecer em uma relação marcada por desrespeito, silêncio, frieza ou conflito pode ser mais destrutivo que a própria separação.

1. Traição é fruto da falta de amor?
Nem sempre.

    Às vezes, a traição nasce da carência emocional ou física, não necessariamente da ausência de amor.

    Outras vezes, vem da busca por validação pessoal, da tentativa de preencher vazios internos.

    Em alguns casos, pode ser um sintoma de que o amor mudou de forma, ou até se esgotou.

    Mas também há quem ame e traia, e quem não ame mais, mas permaneça fiel. O amor não é o único fator envolvido: maturidade, comunicação e respeito são determinantes.

    2. O que é traição quando há ausência de relacionamento?
    Essa é uma das questões mais importantes:

    Se um casal vive sob o mesmo teto, mas sem diálogo, sem afeto, sem convivência verdadeira, o que mantém a relação viva?

    Nesses casos, a traição pode ser um sintoma, não a causa do fim.

    Mas ainda assim, ela fere, porque envolve quebra de um acordo, mesmo que tácito.
    3. Para quem é a traição?

    A traição atinge todos:

      Quem trai, carrega a culpa, o peso da escolha, o medo de ser descoberto.

      Quem é traído, sente a dor do rompimento da confiança, a sensação de inadequação, a humilhação.

      A relação, como um todo, é desestabilizada.

      Mas, em última instância, a traição é da própria pessoa com seus valores e suas verdades.

      Quem trai, trai também a si mesmo — especialmente quando ainda há possibilidade de diálogo ou encerramento honesto.

      Talvez o mais importante não seja “quem errou”, mas por que chegamos a esse ponto.

      Antes da traição, normalmente há abandono: do toque, da escuta, do cuidado.

      Muitas vezes, a traição é o estopim de algo que já vinha morrendo em silêncio.

      (*) Marionaldo Ferreira é especialista em governança pública, mentor de líderes e consultor em gestão e captação de recursos para municípios. Atua na formação de servidores e agentes públicos e é autor do livro Governança Pública e Suas Possibilidades.

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