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Educação. Um em quatro professores estaduais está fora da sala de aula. Isso é certo?

O professor de uma escola estadual de Porto Alegre, segundo a secretária de Educação, Mariza Abreu, exerce as funções de coordenadora do Grêmio Estudantil. Visto assim, convenhamos, é uma barbaridade. Aliás, haveria outras, como por exemplo trabalhar como auxiliar de secretaria, de acordo com a gestora da educação pública do Estado.

 

O fato é que, a cada início de ano letivo, o mesmo problema se repete: faltam professores. Onde eles estão? Muitos em licença médica ou exercendo outras funções. Seriam cerca de 20 mil, entre os 80 mil docentes estaduais. Sei que é preciso prudência, ao comentar esse número. Pode ser o que não é. Mas que parece demais, ah, parece.

 

Prefiro me valer, para criticar, de um número bem local. O Coordenador Regional de Educação, Jairo Nicoloso, logo depois de assumir, nos primeiros dias de março, declarou – e o jornal A Razão publicou – haver nada menos que 120 professores estaduais em desvio de função. Cá entre nós, isso é um absurdo. E dando uma olhada no prédio onde funciona a CRE, chego a duvidar que ali possam trabalhar, ao mesmo tempo, mais de uma centena de docentes.

 

Hoje, ainda segundo Nicoloso, em reportagem também de A Razão, publicada no início deste mês, o número teria caído para 55. Um absurdo menor, mas ainda um absurdo – especialmente quando se sabe que ainda faltam professores nas salas de aula e, em alguns locais, como li esta semana em Zero Hora, pais estariam pagando professores “por fora”, para garantir que seus filhos tenham aula.

 

Não sei quem tem razão, nem de que forma se chegou a essa situação. No entanto, que alguma coisa precisa ser feita, não tenho dúvida. E sem corporativismo. Afinal, os representantes docentes, que têm toda a legitimidade do mundo para reclamar dos baixos salários (e eles são paupérrimos, meeeeesmo), poderiam ajudar, para fazer com que a categoria voltasse a ter todo o apoio popular perdido em meio a greves. Atenção, seeeem corporativismo.

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a reportagem “Onde está o professor”, de Itamar Melo, publicada na edição deste domingo do jornal Zero Hora.

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