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Dicionário de Santa-mariês – por Máucio

Estava, em 1999, numa linda tarde de sol, passeando pela Feira do Livro de Porto Alegre quando me deparei numa banca com o Dicionário de Porto-Alegrês, do professor e escritor Luís Augusto Fischer. A aquisição da obra foi automática. Quase um terço da leitura foi feita ali mesmo na Praça da Alfândega, tal a empatia que a publicação me provocou. Ao final da tarde tomei o ônibus de volta à cidade e li mais um terço durante a viagem.

No dia seguinte acordei lá pelas 8 horas, tomei um café ligeiro, porque as 9 tinha aula, o semestre se encaminhava pro seu final e o pique de trabalho era acelerado. Algo, porém, estava subjacente depois da ida a capital. Não me saía da cabeça uma questão: seria possível um Dicionário de Santa-Mariês?

Essa ideia me acompanhou por alguns dias. Fiquei mais entusiasmado ainda quando tive a notícia que de um dos verbetes incluídos no trabalho do Fischer eu havia co-participado: ¨chinelo-de-dedo¨ foi uma sugestão dada por uma colega também gaúcha. Eu estava na aula quando ela utilizou a expressão e todos os paulistas presentes a acharam muito estranha. Assim como piá, cusco, mate… Sabe né, fora do Rio Grande é que aflora nosso dialeto.

Precisaria de um jeito de me sentir mais longe de Santa Maria para perceber nosso vocabulário específico, ou usar outras estratégias.

Fui fazendo um levantamento memorial e cheguei a algumas palavras e expressões: Primeira Quadra, Taperinha, Buraco do Behr. Isso me deu ânimo para continuar, mas logo compreendi: vou precisar da ajuda de amigos. Vou democratizar a pesquisa, tal como fez o mestre Fischer. Falei a dois ou três amigos, que contribuíram com uma ou outra coisa. A lista aumentou um pouco, mas não ao ponto de formar um inventário.

Bãi!!! foi uma descoberta bem significativa. Conforme testemunho de várias pessoas, é um termo típico de Santa Maria, seria uma variante de Bah, que por sua vez, é uma ¨contração¨ de Barbaridade.

Boi Morto, Farrezão, Bom-Bril, nome popular do Centro de Atividades Múltiplas, são outros exemplos de vocabulário próprio do Coração do Rio Grande.

Tem outras expressões que são ainda mais curiosas:

– ter aula ¨lá fora¨: significa ¨aula no campus da UFSM¨.

– ¨Ir pro Verde¨: quer dizer dirigir-se ao balneário do rio Vacacaí.

– Vou ¨subir¨: o mesmo que ¨vou ao centro da cidade¨, localizado mais ao alto.

E uma expressão mais particular ainda, mas não menos curiosa:

– Vou ¨comer no Redondo¨: significava almoçar no restaurante localizado no campus da UFSM.

Apesar de um bom início, que pareceu promissor, a ideia do Dicionário de Santa-Mariês, no entanto, foi colocada na gaveta.

Agora, algum tempo depois, aproveito esse espaço para tentar ressuscitar o projeto. Gostaria de convidar os leitores e amigos desse sítio a ajudar na procura e descobertas de palavras e expressões típicas de Santa Maria e região.

Entre nessa cruzada enviando sugestões e iremos montando de forma ampla e irrestrita, um dicionário típico da nossa Cidade Cultura, o Dicionário de Santa-Mariês. Me ajudem!

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11 Comentários

  1. Santa Maria. A criatividade por aqui abunda. Aliás, conheço e acompanho (de longe, é certo.) alguns gênios santa-marienses, alguns que já se foram (O Veppo, o A.C.Arbo, o Trevisan…), outros que permanecem criativizando neste território de todo mundo, entre eles, Elias Ramires Monteiro e o Professor Maucio, entre tantos. Eis que recebo por email um convite para chegar até aqui, no “Sítio” do Claudemir, bisbilhotar e, talvez, dar um pitaco. Gostei! Gostei tanto da ideia (não me acostumo à falta da “lampadinha” sobre a palavra idéia, mas…), que me atreveria a participar se não me desse “um branco”, típico das reuniões de brainstorming… [vou ali, já volto…]

  2. Grande ideia (sem acento, ao contrário do amigo Candinho) Máucio. Tô nessa!
    “Torcer na Baixada” e “Periquito no ataque” referências aos nossos esquadrões futebolísticos, só em Santa Maria.
    Além do mais tem uma que é muito nossa. “Tô indo ao Lanterninha”. Só para quem vai ao Cineclube Lanterninha Aurélio, na CESMA.
    Abração,
    Cassol

  3. Grande Candinho,
    que gratíssima surpresa tua presença. Se as contribuições continuarem nesse nível geral, faremos um ¨aurelião city¨. Tens toda a razão sobre os nomes próprios incluídos, mas a ide(´)ia inicial é um arrastão. Embora a expressão ¨ele é um taperinha¨, pra dizer que o cara é alto seja sedutora como verbete dicionárionarizável ¨localmente¨ – como diria Magri.
    Pra mim, o mais importante neste momento é tua qualificada adesão. Começo a acreditar, hehe. abrrr, Máucio

  4. Máucio,
    A idéia (com acento) é legal, só não acho que haja um número suficiente de vocábulos para um “dicionário”, até porque entendo que nomes próprios, de logradouros, de prédios, etc,
    (v. g. Boi Morto, Taperinha) não se prestam ao fim colimado (gostaste do “fim colimado”?). Abração.

  5. Beto,
    estou contando contigo e , a partir de tua sugestão, podemos abranger – Santa Maria e região. Itaara, Mata, Quarta Colonia, etc.
    Aguardo tua particpação. Abrrr, Máucio

  6. Amigo Máucio, muito boa a idéia. Vou tentar contribuir. Por outro lado, o dicionário do professor Fischer não se restringe à POA embora o defina como de Porto-Alergrês. Quero dizer com isso que uma pesquisa que se restrinja,sem concessões, às fronteiras de Santa Maria, por certo terá um volume bem menor. Conte comigo. Abçs

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