CampanhaEleições 2010

O FUTURO É JÁ. Candidatos montam estratégia de campanha. Conheça a de José Serra

Eles são amigos - e companheiros contra a ditadura. Mas eleição é outra coisa. E o bicho vai pegar, em 2010
Eles são amigos - e companheiros contra a ditadura. Mas eleição é outra coisa. E o bicho vai pegar, em 2010

Em qualquer campanha eleitoral, e os que se envolvem nelas desculpem se estou sendo impreciso, há pelo menos três núcleos obrigatórios. Um é o político. Outro é o econômico. E o terceiro é o de marqueting. Todos são igualmente importantes. Se um falhar, o candidato dança. Não há como ser diferente. O trio está umbilicalmente ligado. Mas não necessariamente correm pelo mesmo relógio.

Fiquemos com a eleição presidencial e os principais candidatos: a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra. Ambos cuidam pessoalmente ou com seus principais mentores, do núcleo político. Definem alianças e outras questões, como as bandeiras a ser desfraldadas. Já a questão econômica é outra coisa: há gente cuidando especificamente disso, não necessariamente com a presença dos concorrentes, mas também com eles.

Deixemos de lado essas duas questões. A primeira a mídia trata cotidianamente, inclusive porque mais visível. A segunda ainda está em fase embrionária. Fiquemos com a terceira, a do marqueting. Sim, ele já está sendo tratado e as estratégias montadas. Com a antecedência devida, é bom que se ressalte. Se sabe que João Santana, que cuidou da reeleição de Lula, trabalhará (e já faz isso faz algum tempo) com Dilma.

E o de Serra, quem é? Trata-se de Luiz Gonzáles, à beira dos 60 anos, Paulista. Ele é o grande estrategista da campanha do tucano. Mas, quem é? Nesse sentido, é bastante interessante, inclusive porque esmiúça parte do que o atual governador paulista pretende apresentar em 2010, a entrevista concedida a Caio Junqueira, no jornal Valor Econômico. E que é reproduzida e comentada pelo jornalista Luis Nassif. A foto (de arquivo) é de Fábio Rodrigues Pozzebom, da Agência Brasil. Acompanhe um trecho:

Valor: O senhor não teme a transferência de votos de Lula para Dilma?

Luiz González: Aqui em São Paulo ou em Caetés (cidade pernambucana em que Lula nasceu)? Em Caetés haverá mais. A pergunta é: quanto Lula vai transferir nos lugares onde a informação é menos variada, chega mais devagar e as pessoas dependem mais do Estado? Quanto isso pesa mais do que a admiração que as pessoas possam ter por um cara como o Serra e a expectativa de que com ele o lugar onde o eleitor vive melhora? Lula fez campanha para Marta. Foi para o palanque e resultou em quê? Nada. Não levantou meio ponto porque o eleitor aqui é atento.

Valor: Mas e no resto do país?

González: Alckmin era desconhecido nacionalmente, enfrentava um mito que tinha disputado as cinco últimas eleições e que havia feito um governo em que a economia ia bem. Agora está invertido. A Dilma é desconhecida, o Serra é mais conhecido e tem mais biografia. Dilma precisa mostrar o que o governo fez. Pode subir até certo ponto, mas para subir para valer tem que expor a pessoa.

Valor: Foi a privatização que derrotou o Alckmin?

González: Eu nunca saí de um estúdio tão festejado como naquele dia do debate da Bandeirantes. Não só os políticos mas também os coleguinhas. E eu sabia que tinha dado errado. Tinha falado pra ele: não faz isso. Foi ali que ele perdeu a eleição. Colocou o dedo na cara do Lula, foi desrespeitoso. O público fala: ‘Quem é esse cara? Tô desconhecendo’. E teve também a reação do Lula no segundo turno. Fez a famosa reunião no Palácio do Planalto com 17 ministros, despachou um para cada Estado e escalou quatro para aparecerem no “Bom Dia Brasil”, “Jornal Hoje”, “Jornal Nacional” e “Jornal da Globo”. Várias entrevistas do PT metendo a ripa no Alckmin e do nosso lado ninguém. O Tasso (Jereissati) estava no interior do Ceará, o Sérgio Guerra, em Pernambuco, o César Maia sumiu. Consegui o Heráclito Fortes para dar uma coletiva. Se você dá uma entrevista às 15h eu tenho que dar outra às 15h30. Esse é o jogo. E o nosso foi um desastre.

Valor: A força do Lula no Nordeste também não foi decisiva?

González: Não foi apenas no Nordeste. Uma grande derrota que ele sofreu foi no Amazonas. Perdemos em Minas, que tem 10 milhões de eleitores, por 1 milhão de votos. No Amazonas, que tem 2 milhões, perdemos por 900 mil votos. Amazonas virou Minas, que é o terceiro colégio eleitoral do país, porque os dois candidatos da base do Alckmin, Arthur Virgílio e Amazonino Mendes, brigaram o tempo todo e nenhum deles conseguiu defender o candidato da acusação de que ele acabaria com a Zona Franca…”

PARA LER A ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

SUGESTÃO ADICIONAL – confira aqui, se desejar, também outras notas produzidas e/ou comentadas pelo jornalista Luis Nassif.

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