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A malvada – por Bianca Zasso

Se Alfred Hitchcock é o pai do suspense, Claude Chabrol é um de seus filhos.  Um dos integrantes menos lembrados da Nouvelle Vague, movimento criado nos anos 60 por jovens cineastas franceses que revolucionou a cinematografia da França, Chabrol nunca escondeu de ninguém sua admiração pelo gorducho e excêntrico diretor americano.

Uma amostra dessa devoção pode ser conferida em seus filmes que, por mais que não tenham cenas assustadoras e grandes assassinatos (marcas registradas de Hitchcock), apresentam um suspense inteligente e elegante como pouco se via entre os seus contemporâneos. Falecido em 2010, uma de suas últimas produções foi A Teia de Chocolate lançado em 2000 que, para além do saboroso título, é um suspense delicioso.

Protagonizado por Isabelle Huppert, atriz-fetiche do diretor, o longa à primeira vista pode parecer mais um filme sobre a burguesia, com suas casas imponentes que escondem segredos nada elegantes. Mas, aos poucos, o espectador é apresentado a uma trama cheia de esconderijos discretos, percebidos em pequenos gestos. A revelação dos planos da personagem principal não tem música estridente nem olhares macabros. E é isso que faz da descoberta algo tão apavorante.

A teia de chocolate narra a trajetória de Marie-Claire, dona de uma famosa fábrica de chocolates e casada com o talentoso pianista Polonski interpretado por Jacques Dutronc. Junto com o casal mora Guillaume, filho do primeiro casamento do músico. A vida de comercial de margarina da família muda com a chegada de Jeanne, uma jovem pianista que desconfia ser filha de Polonski. O que aparentemente parece mais um drama sobre a troca de bebês vai ganhando ares macabros. A até então doce e prestativa Marie-Claire começa a revelar em atos e olhares a sua verdadeira face, que de boazinha não tem nada.

Com grandes interpretações (Huppert está divina) e boa condução, A Teia de Chocolate se consagra como uma das grandes produções de Chabrol, apresentando a marca registrada que o difere de outros diretores do suspense como Brian de Palma, por exemplo. Ao invés da força das imagens, do sangue e do ódio, a elegância com garras afiadas. Sai o assassino e suas armas pontiagudas e entra a refinada empresária e seus venenos discretos e gradativos.  Um suspense que fala de maldade no estado mais puro da palavra, aquele mal que não tem motivo, mas que causa danos irreversíveis.

A Teia de Chocolate é um filme sobre uma mulher má que nos revela que, por trás de sapatos finos e terninhos bem cortados se esconde muito mais do que simples rancores.

A Teia de Chocolate (Merci Pour le Chocolat)

Ano: 2000

Direção: Claude Chabrol

Disponível em DVD

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