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“DIREITA” MORREU? De jeito nenhum. Mas todos querem fugir dela como o diabo da cruz

Bolsonaro não é maluco. Mas, em seus delírios extremistas, é nocivo à democracia que, se pudesse, exterminava
Bolsonaro não é maluco. Mas, em seus delírios extremistas, é nocivo à democracia que, se pudesse, exterminava

Tirando o maluco (mas é bom tomar cuidado com ele, por seu poder destrutivo da democracia) Jair Bolsonaro, que busca seus votos nos recônditos da extrema-direita assumida, cuja boca é um verdadeiro esgoto, ninguém chega perto de assumir-se como de “direita”, quanto mais de extrema.

Pessoalmente, conheço um e outro, inclusive na mídia santa-mariense, que, se pudessem, pegavam em armas para matar e torturar e banir todos quantos pensem diferente deles – seja de que ideologia forem, embora tenham predileção pelos “comedores de criancinha” e outros “viciados” em geral.

Mas na política que conta, na disputa que se dá na sociedade, chega a ser risível o comportamento de uns e outros, inclusive daqueles que têm uma trajetória marcada pela intolerância direitista, mais que pelo conservadorismo (este sim, absolutamente respeitável) e que, agora, posa de democrata. Não, não estou falando de Brasília, apenas.

Mas, enfim, pelo menos aparentemente, a “direita” não dá votos. Ou o DEM e o PSDB (social democrata que, sem o apoio conservador-direitista-fascista perde qualquer chance eleitoral) não se diria reformador e até, uau, seguidor de algumas idéias de Lula.

Hein? Então a “direita” não existe? Todos querem fugir dela como o diabo da cruz. A ponto de surgir a (falsa) idéia de que estará fora do processo eleitoral do próximo ano. Quem trata do assunto, com alguma superficialidade, mas de forma correta, é reportagem publicada pela mais recente edição da revista IstoÉ. A leitura, sem que seja conclusiva, vale a pena. O texto é de Octávio Costa, com foto (de arquivo) de Elton Bomfim, da Agência Câmara de Notícias. A seguir:

Cadê a direita?
Pela primeira vez, o Brasil terá uma eleição sem um candidato para defender as ideias conservadoras

Nos dias tumultuados da Revolução Francesa, os políticos comprometidos com a justiça social e com a voz das ruas sentavam-se à esquerda da Assembleia. Aqueles que defendiam os direitos das elites e as prerrogativas do antigo regime ocupavam os assentos à direita. De lá para cá, esquerda e direita tornaram-se a definição clássica das principais correntes do pensamento político. Mas, no Brasil atual, uma dessas vertentes simplesmente deixou de existir ou, pelo menos, não se faz representar. Não é por acaso que o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido com frequência que “em 2010, pela primeira vez, não vamos ter um candidato de direita na campanha”. E comemora o fato: “Isso é fantástico. Era inimaginável até outro dia que chegássemos a esse momento no Brasil.” Nem todo mundo, porém, se mostra surpreso com o sumiço da direita. Inimigo número 1 da esquerda no País por muitas décadas, o exgovernador de São Paulo Paulo Maluf (PP) acredita que os tempos mudaram e já não existem direita e esquerda no mundo. Com a irreverência de sempre, Maluf faz ironia com a origem histórica das palavras: “Atualmente, só falo à gauche e à droite quando pego um táxi em Paris.

Em parte, Maluf tem razão. Depois do fim da Guerra Fria e da queda do Muro de Berlim em 1989, a dicotomia ideológica, de fato, perdeu nitidez. “No Brasil, não foi diferente. O espectro ideológico se concentrou numa posição de centro-esquerda”, explica o cientista político Antonio Lavareda. “Com a economia mais forte, a maioria da população assumiu uma posição mais à esquerda, a favor de maior intervenção do Estado. Mas, nos valores morais, a maioria ainda é conservadora, pouco tolerante.” Esse é o mercado eleitoral com o qual os políticos têm que lidar. E por isso, diz Lavareda, no período pós-democratização a classe política brasileira foi se afastando do campo da direita. Ficaram para trás os embates acalorados entre marxistas e antimarxistas. Carlos Lacerda, por exemplo, dizia que não era de direita, mas assumia que era opositor feroz do comunismo. Teve seguidores fiéis, como o jornalista Amaral Neto, defensor da ditadura militar e do Brasil Grande. Depois da abertura política, com a volta dos civis ao poder, a direita ganhou novos nomes, como Antônio Carlos Magalhães e Paulo Maluf, e principalmente Fernando Collor de Mello, que, eleito na primeira eleição direta, impôs o receituário liberal, mas decepcionou o País e renunciou para escapar do impeachment.

Neste século XXI, porém, a direita não parou de encolher. Um dos motivos foi o pragmatismo do presidente Lula e o deslocamento do PT da esquerda para o centro. Encurralada no espectro político e com seu eleitorado minguando, a direita chegou ao extremo de negar as origens históricas. Herdeiro da Arena e do PDS, partidos fortes do regime de exceção, o PFL trocou o nome para DEM, na tentativa de sobreviver…”

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SUGESTÃO ADICIONAL – confira aqui, se desejar, também outras reportagens e artigos publicados pela mais recente edição da revista IstoÉ.

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