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Memórias coladas em cada página – por João Luiz Vargas

“O álbum de figurinhas da Copa é mais que papel, cola e páginas numeradas”

O álbum de figurinhas da Copa do Mundo é mais do que papel, cola e páginas numeradas. Ele carrega consigo um sentimento que atravessa gerações, cria vínculos e transforma pequenos momentos em grandes memórias.

Nas escolas, é impossível não perceber o movimento dos meninos e meninas reunidos nos corredores, nos recreios e nas calçadas, trocando figurinhas com brilho nos olhos, negociando repetidas e celebrando cada espaço preenchido no álbum como uma pequena conquista.

Existe uma expectativa silenciosa em cada pacote aberto, uma esperança quase mágica de encontrar justamente aquela figurinha que falta para completar a página.

Mas essa sensação não pertence somente às crianças. Ela também alcança os adultos, que reencontram nas figurinhas um pedaço da própria infância. Alguns vivem isso ao lado dos filhos e afilhados, outros entre amigos de longa data, repetindo gestos e emoções que pareciam adormecidos pelo tempo.

O álbum da Copa tem essa capacidade rara de aproximar pessoas, despertar lembranças e devolver, ainda que por instantes, a leveza dos dias em que a felicidade cabia dentro de um envelope colorido comprado na banca da esquina.

Completar um álbum nunca foi apenas terminar uma coleção. É guardar histórias, risadas, encontros e memórias construídas a cada troca. É perceber que, mesmo adultos, seguimos carregando a mesma ansiedade boa ao abrir um pacote e a mesma esperança infantil de finalmente encontrar a figurinha que falta.

Escrevo este texto porque, nesta época de Copa, torna-se impossível não ouvir no rádio as propagandas das figurinhas, não enxergar os álbuns espalhados pelas bancas de jornal, pelos mercados e pelas lojas. Aos finais de semana, as bancas de revistas se transformam em verdadeiros pontos de encontro.

Crianças chegam acompanhadas dos pais, amigos se reúnem carregando seus montes de repetidas, famílias inteiras param por alguns instantes apenas para trocar figurinhas e compartilhar sorrisos.

Há algo de bonito e raro nesses encontros: a pureza da alegria simples, aquela que une crianças e adultos pelo mesmo sentimento, pela mesma esperança e pela mesma felicidade de completar, juntos, mais uma página do álbum da Copa.

(*) João Luiz Vargas, ex-prefeito de São Sepé, ex-deputado, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado). Ele escreve no site às sextas-feiras.

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