Escola e seu conhecimento: uma possibilidade de futuro – por Luiz Carlos Nascimento da Rosa
Escreve o articulista: “os saberes escolares mudam as formas de existência”

Se a possibilidade não é a realidade ela pode vir–a-ser (Antonio Gramsci)
A Teoria Crítica ou Escola de Frankfurt gestou uma leitura emancipatória do processo pedagógico, dos fazeres e saberes da Escola a busca é o processo de Emancipação do ser humano.Em sua sozinhês a Escola não muda a Sociedade, mas no seio dos movimentos sociais ela é altamente colaborativa para a transformação da vida egoísta do mundo das trocas de mercadorias do Mantra Capital.
Isso é uma leitura atual sobre o mundo da Dialética entre vida e Escola. Voltemos à gênese do objetivo dessa crônica.
Em 1977 fui morar no Rio de Janeiro para terminar o Ensino Médio e aprender a estudar com meu irmão mais velho que sempre foi muito bom nesse quesito. Eu morava em Tupanciretã e só sabia jogar bola e namorar. Estudar sempre foi um projeto de não reprovar e, infelizmente, meu desejo era passar de ano para não queimar o meu filme com Papai e Mamãe.
Em 1977, sem comunicar minha mãe e pai, fui no telefone público da CRT ligar a cobrar para meu mano. Eu era um razoável jogar de Futebol. Jogava no Gepo (Futebol de Campo) e Tupã (Futebol de Salão). Todos meus amigos sonhavam em jogar no Internacional ou Grêmio. Eu pensei que não tinha futuro com esse abstrato sonho. Liguei e meu mano topou o meu novo projeto de vida. Minha Dinda Sônia alimentou o sonho de meu novo projeto de busca em ser alguém para além do futebol e namoro.
Meu Mano fazia Engenharia Mecânica e Física, na época.
Eu, Sônia e Janaina lembramos do fusca verde que, por vezes, íamos juntos para Barra da Tijuca.
Meu mano me matriculou numa da melhores Escolas do Rio de Janeiro: Grupo Perspectiva Integral (GPI) em Cascadura. Junto com as aulas de Matemática que o mano ensinava para alunos das Escolas Militares, eu conheci os melhores Professores de Matemática, Química e Física. Nunca tinha imaginado amar essas aulas. Foi ali e nesse momento que decidi ser Professor.
Com um jaleco branco, os meus Professores não tinham nenhum aparato de livro ou caderno. Eles eram uma pintura dominando o quadro e o conhecimento. Em qualquer aula extraordinária eu estava dentro.
Decidi ser Professor devido ao Antonio Carlos, a Sônia e meus Professores do Grupo Perspectiva Integral, de Cascadura, no Rio de Janeiro.
Em 1979 cheguei para fazer Química na UFSM. Ilsemaro Schneider, Manfredo e o Professor Lademir me ensinaram que é amável ensinar. Dediquei-me inteiramente ao projeto de transformar minha vida no projeto educacional.
Ninguém pode prever onde pode dar o seu projeto de futuro. Meu aprendizado no Rio de Janeiro e meu Curso de Química Licenciatura tornaram-me dedicado e apaixonado.
Segundo os cânones sociais da prática social educacional virei um excelente Professor.
Desde meu telefonema para meu amado Mano, o caminho dos fazeres e saberes escolares mudou a minha vida nesse universo caótico das escolhas.
A Escola nunca será a única mediadora para apontar teleologicamente uma possibilidade de um vir-a-ser mais e melhor. A Escola muda as perspectivas sobre a vida e transforma as possibilidades de um futuro mais salutar e digno.
A Escola não precisa ser o único lugar da busca solidária de vermos uns aos outros no melhor caminho. Entre uma Teoria Crítica ou numa Ontologia Marxiana, os saberes escolares mudam as formas de existência e a possibilidade de uma Filosofia de vida colaborativa e que o conhecimento oriente muitos modus vivendis. Como elemento da prática social a escolha pelos saberes escolares são fundantes pela escolha de uma nova forma de vida mergulhada nas diferentes formas de existência cultural.
Se isso não é a realidade, a Escola pode ser uma escolha de possibilidade de um vir-a-ser, ontologicamente, mais e melhor como um ser humano.
(*) Luiz Carlos Nascimento da Rosa é professor aposentado do departamento de Centro de Educação da UFSM.





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