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Chover no molhado. A pedido de filiado, PMDB/SM quer expulsão de Renan. Enquanto isso…

Não sei como Renan Calheiros entrou no PMDB. Seria necessária a reconstituição histórica. No entanto, faz bastante tempo. E ninguém lembrou, antes, de ver como se comportava política e eticamente o senador. Que, diga-se, prestou muito bons serviços ao partido – inclusive como ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso. Como antes já servira a Fernando Collor, o presidente defenestrado pelo Congresso.

 

Agora, porém, descobriu-se que o homem, além de não ser santo, virou demônio. Virou ou já era? Questão menor, nesse momento em que o galardão da ética toma conta (ainda bem) de parte dos políticos do País. Mas, o fato é que o PMDB está em pé de guerra. Parte dele, aparentemente majoritária, está é com Renan e não abre. As exceções, por exemplo, na bancada de quase 20 no Senado, são o gaúcho Pedro Simon e o pernambucano Jarbas Vasconcelos. Ambos de sólida (e conhecida) história de combate às boas causas. E que, talvez por isso, não tenham espaço na política nacional. Pelo menos não a condizente com a sua (deles) estatura.

 

É verdade que Simon já foi ministro, no governo José Sarney (do qual é hoje adversário e crítico) no início do período de redemocratização. Como já governou o Rio Grande. Da mesma forma que Jarbas chefiou o executivo de Pernambuco. Mas, hoje, estão sem poder interno.

 

Prova? Ao mesmo tempo em que em Santa Maria, muito justificadamente, a executiva do Partido pedia, atendendo solicitação de um filiado histórico, a expulsão de Renan Calheiros da sigla (em carta endereçada ao presidente regional – licenciado – Pedro Simon), o próprio Simon e Jarbas eram simplesmente destituídos da Comissão de Constituição e Justiça, a principal do Senado. Por obra e graça de quem? Dele mesmo, Calheiros. Então, fiquemos com o gesto dos peemedebistas da boca do monte. Que, porém, fica apenas na categoria da “marcação de posição”. Importante, mas não mais que isso.

 

Confira, a seguir, a carta redigida na quarta-feira, 3 de outubro, para ser enviada ao senador gaúcho pelo PMDB/SM. A seguir:

 

“Senhor Presidente:

 

A Executiva Municipal do PMDB de Santa Maria, reunida, apreciou moção apresentada pelo valoroso companheiro Arlindo Freitas, no qual era manifesta a contrariedade quanto ao comportamento político do Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado e do Congresso Nacional.

 

O PMDB – o Partido do Brasil – tem em seus quadros militantes que cobrem todo o território nacional – maior número de vereadores, de prefeitos, de deputados estaduais e federais e senadores e, por esta razão, a presença partidária não se limita a um dos quadrantes do país.

 

Nós, peemedebistas de Santa Maria e do Rio Grande do Sul não somos coniventes com atitudes como a do Senador Renan Calheiros, bem como de outros políticos envolvidos em escândalos e falcatruas que denigrem a imagem do partido, de seus militantes e parlamentares.

 

É importante salientar que a trajetória do MDB/PMDB se confunde com a história do Brasil contemporâneo. É uma luta de ética, de ações a favor do povo brasileiro. Entretanto, adesistas de última hora comprometem aquilo que se construiu nas últimas décadas. O caso específico que foi apresentado à direção partidária de Santa Maria é um exemplo marcante; o Rio Grande do Sul tem lutado de forma veemente para liderar o Brasil na busca de uma visibilidade do PMDB de sempre.

 

Ao mesmo tempo em que repudiamos a atitude do Senador Renan Calheiros, reafirmamos o orgulho de termos políticos gaúchos como o deputado federal Cezar Schirmer, santa-mariense, com 35 anos de vida pública; e o Senador Pedro Simon, que têm pautado sua carreira parlamentar em prol dos interesses da sociedade brasileira.

 

Urge, pois, uma ação enérgica do Diretório Regional e do Diretório Nacional propondo a expulsão do Senador dos seus quadros partidários. É uma atitude extrema e dolorosa, mas necessária para que o partido demonstre que não é conivente com as atitudes do Senador e recupere a credibilidade junto ao seu eleitorado. É uma questão de sobrevivência partidária importantíssima e necessária.

 

Atenciosamente

 

Renato Nicoloso

Presidente do Diretório Municipal do PMDB/SM”

 

 

SUGESTÃO DE LEITURA – confira aqui a reportagem “PMDB afasta Simon e Jarbas da CCJ do Senado para beneficiar Renan”, de Gabriela Guerreiro, na Folha Online.

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